Esquerda vence eleição em Berlim pela primeira vez e tira a CDU de Merz da capital alemã

21/09/2026 às 11:1540 visualizações
Elif Eralp (à esq.) e a copresidente nacional do A Esquerda, Ines Schwerdtner, em entrevista no dia seguinte às eleições estaduais, em Berlim
Elif Eralp (à esq.) e a copresidente nacional do A Esquerda, Ines Schwerdtner, em entrevista no dia seguinte às eleições estaduais, em Berlim
Brasil de Fato

O partido A Esquerda (Die Linke) foi o mais votado nas eleições estaduais de Berlim no domingo (20), pela primeira vez na história da capital alemã. O resultado praticamente dobrou a votação anterior da legenda, tirou a União Democrata Cristã (CDU) da liderança na cidade e representa mais uma derrota para a coalizão de governo do chanceler Friedrich Merz.

Segundo projeção do instituto Infratest dimap, A Esquerda alcançou 25,7% dos votos, à frente da CDU, com 18,8%, da Alternativa para a Alemanha (AfD), com 16,3%, e dos Verdes, com 14,3%. O Partido Social-Democrata (SPD) caiu para 12,1%. Com o resultado, a coalizão CDU-SPD, que governava Berlim, perde a maioria.

A cabeça de chapa, Elif Eralp, de 45 anos, fez campanha centrada no custo da moradia, que classificou como “o maior problema social” da capital. Filha de militantes de esquerda que deixaram a Turquia após o golpe de 1980, ela nasceu em Munique e pode se tornar a primeira prefeita de Berlim com origem migrante.

Eralp promete “expulsar a especulação de Berlim” e levar adiante a estatização de grandes associações imobiliárias, cerca de 220 mil unidades habitacionais, medida aprovada em referendo de 2021 com 58% dos votos e nunca implementada. O secretário-geral do SPD, Tim Kluessendorf, afirma que a transferência custaria cerca de 20 bilhões de euros.

SPD e Verdes sinalizaram disposição para compor governo com A Esquerda, mas condicionaram a aliança ao enfrentamento de acusações de antissemitismo dirigidas a setores do partido em Berlim. A legenda rejeita a acusação de antissemitismo sistemático e diz se opor a todas as formas de hostilidade contra grupos sociais, incluindo racismo e sexismo. Eralp afirmou que quer proteger as comunidades judaica, palestina e muçulmana.

Extrema direita vence em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental

No mesmo domingo, a AfD ficou em primeiro lugar em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, com 38,2%, seguida pelo SPD, com 35,5%. É a segunda vitória da extrema direita em um estado alemão em menos de um mês, depois dos 43,8% obtidos na Saxônia-Anhalt em 6 de setembro.

A CDU teve 4,9%, o pior desempenho de sua história em eleições estaduais, e pode ficar sem representação no Parlamento regional pela primeira vez. Merz classificou o resultado como um “desastre” e disse que seu partido foi “esmagado” em uma disputa reduzida ao duelo entre SPD e AfD.

A copresidente da AfD, Alice Weidel, afirmou que a sigla “já substituiu” a CDU como “partido do povo”. O candidato do partido no estado, Leif-Erik Holm, disse, nesta segunda-feira (21), que “o crepúsculo do chanceler começou” e reivindicou o direito de formar o próximo governo regional. A atual ministra-presidente, Manuela Schwesig, do SPD, deve permanecer no cargo apesar da vantagem da AfD.

Fonte
Brasil de Fato
Abrir original ↗
Esta notícia foi útil?

Debates 0

Seja o primeiro a contribuir com o debate.

Difunda suas informações e promova seu argumento

Não se acanhe de publicar alguma informação ou dado que possa ser positivo ou útil.

Para participar do debate, entre com sua conta ou crie uma gratuita.