O Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE) e a Universidade Federal do Ceará (UFC) iniciaram, nesta quinta-feira (17/09), o I Hackathon TJCE + UFC 2026. A competição colaborativa de inovação aberta envolve 70 estudantes de graduação e pós-graduação dos campi de Fortaleza, Quixadá e Sobral que vão desenvolver soluções para três desafios apresentados pela Vara Estadual do Meio Ambiente (Vema).
“Tenho 17 anos de magistratura e esses anos me ensinaram que o Judiciário não consegue mais resolver os desafios de hoje com as ferramentas do passado. Faço um pedido aos estudantes: não busquem uma solução perfeita, mas uma solução útil, criativa, com segurança jurídica e responsabilidade social, capaz de causar grande impacto na atuação da Vema”, reforçou a supervisora do Laboratório de Inovação (LabLuz) do TJCE, juíza Danielle Estevam, ao dar boas-vindas ao grupo de estudantes no auditório da Corregedoria-Geral da Justiça (CGJ-CE).
A vice-reitora da UFC, professora Diana Cristina Silva de Azevedo, salientou a importância de conectar a universidade a problemas reais da sociedade e celebrou a presença de alunas e alunos do Interior. “Essas parcerias da academia com o setor público são extremamente valiosas porque dão aos estudantes essa experiência prévia de sair um pouco de dentro da sala de aula e conviver com pessoas de outros cursos, buscando resolver um problema real. A questão ambiental atravessa todas as nossas formações e, diante das pressões econômicas, a Justiça precisa entrar em ação.”
Também compuseram a mesa de abertura a diretora da Vema, servidora Ravenna Andressa Façanha de Oliveira Fiuza; o pró-reitor de Inovação e Relações Interinstitucionais da UFC, José Paula de Barros Neto; e o diretor-presidente do Parque Tecnológico da UFC e coordenador-geral do Hackathon, professor Abraão Freires Saraiva Júnior.

DESAFIOS
Após a solenidade de abertura, o coordenador do LabLuz, Welkey Costa, ressaltou o ineditismo do Hackathon. Ele explicou que as equipes terão dois meses para participar de capacitações, mentorias e trocas diretas com magistradas(os) e servidoras(es), e falou sobre a dinâmica da competição. “No lugar de termos ideias fechadas dentro do Tribunal, estamos expondo nossos problemas para a comunidade acadêmica. O papel do LabLuz é articular o contato desses alunos com os juízes e servidores da Vema para que se aprofundem na problemática e construam soluções maduras.”
O primeiro desafio apresentado é sobre como tratar as ações envolvendo ocupações irregulares em áreas de preservação ambiental, considerando os limites financeiros, territoriais e sociais dos municípios, bem como a dignidade e a vida das pessoas atingidas. Já o segundo desafio trata de como atualizar continuamente as informações sobre ocupações e habitações em áreas objeto de pedidos de desocupação, de forma a contribuir para a resolução mais eficiente das ações judiciais. O terceiro e último é para que sejam pensadas maneiras de melhorar o manejo do acervo processual da Vema, permitindo identificar similaridades entre casos e evitar retrabalho na análise de processos.
“Nós esperamos que essa construção colaborativa resulte em ferramentas e soluções apropriadas e suficientes para tornar a atuação da Vara Estadual do Meio Ambiente cada vez mais eficiente, mais célebre e, sobretudo, mais justa”, afirmou a diretora do Fórum Clóvis Beviláqua, juíza Solange Menezes Holanda, titular da Vema, em vídeo exibido durante o evento.
O coordenador-geral do Hackathon, professor Abraão Júnior, disse que foram montadas 18 equipes para pensar em soluções. A partir da próxima semana, os grupos vão participar de mentorias e workshops sobre ideação, validação e prototipagem de solução e estruturação de pitch.
Ao final do desafio, serão considerados três critérios para a avaliação das soluções: Funcionalidade (Avaliação técnica): verifica se a solução resolve o problema identificado de forma inovadora e se pode ser implementada tecnicamente; Aplicabilidade (avaliação econômica): analisa o potencial de obtenção de alta relação custo-benefício para o Tribunal, observando se a proposta pode ser implementada sem a necessidade de muitos recursos e com estabilidade acelerada; e Pitch (avaliação de apresentação): julga se a exposição do projeto foi construída esteticamente bem, de forma organizada, entusiástica e compreensível.
“Os estudantes obtêm competências em empreendedorismo e inovação, o corpo diretivo do Tribunal passa a ter atitudes mais empreendedoras e, no final, o público é beneficiado com a melhoria na qualidade dos serviços prestados na ponta”, considerou o professor Abraão Júnior ao falar dos benefícios do Hackathon.
Integrado ao Programa de Modernização do Judiciário do Ceará (Promojud), o I Hackathon TJCE+UFC representa um marco de inovação aberta, unindo a expertise acadêmica às demandas reais da Justiça estadual. A cooperação envolve o LabLuz e a Secretaria de Gestão de Pessoas (SGP) pelo TJCE, além da Prointer, Coemp e o Parque Tecnológico, pela UFC.
EXPECTATIVAS
A diversidade de origens e áreas do conhecimento é um dos grandes destaques do Hackathon. As(os) 70 alunas(os) são de 16 diferentes cursos de graduação e cinco de pós-graduação de campi da Capital e do Interior.

Para Carla Nayanna Alves Lima, graduada em Serviço Social e pós-graduanda em Avaliação de Políticas Públicas, a maratona representa uma oportunidade única de conectar a visão humana e social às soluções tecnológicas. “A expectativa é das melhores, porque estamos convivendo com pessoas de várias áreas de formação e trocando conhecimentos. Espero contribuir dentro da minha área, trazendo essa visão mais social para achar uma solução para os desafios, assim como na minha perspectiva enquanto avaliadora de políticas públicas, para chegar a um resultado real que vá impactar a vida das pessoas.”
Mestrando em Engenharia Elétrica e da Computação do campus da UFC em Sobral, Lucas Ribeiro, destacou a motivação de aplicar na prática seus conhecimentos técnicos. “É a minha primeira experiência em um Hackathon. Estou ansioso para vivenciar essa experiência interdisciplinar e criar algo relevante.”
A aluna do 6º semestre de Engenharia de Software do campus de Quixadá, Maria Clara Zacarias Marques, não vê a hora de encontrar soluções para problemas reais. “A expectativa é muito alta porque vi que era um desafio fora da nossa bolha tradicional e que envolveria pessoas com visões diferentes da nossa. Eu queria muito fugir do cotidiano da faculdade, já que no nosso campus, por ser totalmente voltado para TI, não temos contato direto com temas como o da Vara do Meio Ambiente.”
O evento foi transmitido ao vivo pelo Canal do TJCE no YouTube. Clique AQUI para conferir.
SAIBA MAIS
Essa primeira maratona de desafios é resultado da cooperação técnica firmada entre o TJCE e a UFC, envolvendo o LabLuz e a Secretaria de Gestão de Pessoas (SGP) do Tribunal, a Pró-Reitoria de Inovação e Relações Interinstitucionais (Prointer), a Coordenadoria de Empreendedorismo (Coemp) e o Parque Tecnológico da Universidade. A iniciativa integra o Programa de Modernização do Judiciário do Ceará (Promojud), que busca impulsionar a inovação, a transformação digital e a eficiência dos serviços oferecidos pela Justiça estadual.
Como premiação, até quatro estudantes integrantes das equipes destaques poderão ser indicados para contratação como estagiárias(os) do Tribunal, observadas as regras previstas no edital conjunto do TJCE e UFC. Clique AQUI para conferir.
