Raízes do bolsonarismo

Por Sebastião Costa23/09/2026 às 13:4824 visualizações
'Os seguidores de Plínio Salgado, os devotos de Hitler, os admiradores dos militares compartilhavam a mesma visão política e a mesma consciência social do rebanho que hoje aplaude o discurso de ódio e violência de Jair Bolsonaro', afirma Sebastião Costa
'Os seguidores de Plínio Salgado, os devotos de Hitler, os admiradores dos militares compartilhavam a mesma visão política e a mesma consciência social do rebanho que hoje aplaude o discurso de ódio e violência de Jair Bolsonaro', afirma Sebastião Costa
Brasil de Fato

Uma visita de Plínio Salgado à terra de Mussolini e ele retorna entusiasmado com os preceitos fascistas. Em outubro de 1932, cria a Aliança Integralista Brasileira. O prestígio das ideias do ditador italiano e a propaganda anticomunista vigorosa deram-se as mãos, permitindo a construção de um partido de massas, com mais de 4 mil células espalhadas pelo país.

Ainda dentro dos anos 30, o nazismo que atraiu muitos cidadãos pelo mundo afora aportou no Brasil com a força de núcleos legalizados em 18 estados, e se destacando como o mais forte movimento dentre todos os países que formalizaram o nazismo fora da Alemanha.

Nazismo, fascismo, integralismo ou qualquer “ismo” político não nasce do nada. Político nenhum, por mais poder de retórica ou carisma que tenha, consegue criar movimentos ou partidos políticos fortes e consistentes sem haver uma base social que compactue com seu pensamento, suas ideias.

É dentro desse raciocínio que se consegue vislumbrar o porquê de um político com sua homofobia explícita, um racismo sem cabresto, misoginia sem qualquer pudor, de repente, tomar conta de 1/4 da população brasileira. Brasileiros que continuaram firmes e fortes com o discurso do capitão, mesmo quando fez gracinhas com uma pandemia que retirou mais de 600 mil viventes do convívio familiar. Negou vacinas, desestimulou o uso de máscaras, incentivou aglomerações.

A afinidade pela violência, o carinho pelos regimes autoritários, o estímulo ao militarismo. O desapego às liberdades democráticas e o apego irresistível ao poder. E os milhões de brasileiros a torcer, aplaudir e vibrar com seu discurso de ódio, na mesma linha do estímulo ao armamentismo da população

Alguém consegue visualizar diferenças da Itália dos anos 30 ou do nazismo de Hitler? E do integralismo de Plínio Salgado que falava em Deus, Pátria e Família?

Uma olhada no retrovisor da história e vai-se enxergar fascismo/nazismo/integralismo na consciência de milhões de brasileiros apoiando com fervor os caminhos totalitários percorridos a partir de 1964, quando os militares praticaram a violência de extirpar de nosso convívio as liberdades democráticas, implantando um regime de força que expulsou, torturou e assassinou nos porões infectos da ditadura muitos cidadãos comprometidos em redemocratizar o país.

Há de se deduzir, portanto, que os seguidores de Plínio Salgado, os devotos de Hitler, os admiradores dos militares compartilhavam a mesma visão política e a mesma consciência social do rebanho que hoje aplaude o discurso de ódio e violência do “mito” Jair Bolsonaro.

*Sebastião Costa é médico pneumologista e amigo da democracia.

**Este é um artigo de opinião e não necessariamente representa a linha editorial do Brasil de Fato.

Fonte
Brasil de Fato
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