Baixada Fluminense é o fiel da balança na corrida pelo governo do Rio

Por Juliana Passos17/09/2026 às 15:382 visualizações
Washigton Reis (direita) e Eduardo Paes fazem cavalgada em Duque de Caxias como ato de campanha
Washigton Reis (direita) e Eduardo Paes fazem cavalgada em Duque de Caxias como ato de campanha
Brasil de Fato

Pesquisas recentes mostram Eduardo Paes (PSD) com cerca de 35% das intenções de voto na disputa pelo governo do Estado do Rio de Janeiro, enquanto Douglas Ruas (PL) aparece em segundo lugar, com aproximadamente 25%. A diferença ainda é confortável, mas o crescimento do candidato bolsonarista nas últimas semanas acende um alerta na campanha do ex-prefeito do Rio de Janeiro. Em um eventual segundo turno, as projeções indicam vantagem para Paes, mas a dinâmica da corrida eleitoral segue aberta, especialmente por causa do peso de uma região específica: a Baixada Fluminense.

Segundo a cientista política Isabel Uchôa, pesquisadora do Laboratório de Partidos, Eleições e Política Comparada (Lappcom), da Universidade Federal do Rio de Janeiro, não há garantia de vitória em nenhum cenário, mas construir alianças com lideranças da Baixada é um elemento crucial para vencer no estado. A região concentra cerca de 22% do eleitorado fluminense e alguns dos maiores colégios eleitorais, como Duque de Caxias, Belford Roxo e Nova Iguaçu. “Além de abrigar alguns dos maiores municípios em número de eleitores do estado, a Baixada concentra algumas das maiores lideranças do estado do Rio de Janeiro”, afirmou Uchôa ao Brasil de Fato, que organiza o Guia Lappcom Eleições 2026.

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Na prática, a campanha de Paes tem investido nessa capilaridade. O candidato anunciou Jane Reis (MDB), irmã de Washington Reis e ex-candidata à prefeitura de Magé, como vice. A escolha consolida a presença na Baixada, amplia o diálogo com o eleitorado evangélico e fortalece uma frente que vai da centro-direita à centro-esquerda, com apoio do MDB, PT e outros partidos. Além disso, a aliança com a família Reis permite a Paes captar votos que, a princípio, migrariam para um nome bolsonarista — em Caxias, panfletos chegam a estampar as imagens de Paes e de Flávio Bolsonaro lado a lado, mesmo com o candidato do PSD aliado de Lula.

Do outro lado, Douglas Ruas tem o apoio de Márcio Canella, prefeito de Belford Roxo que renunciou ao cargo para disputar o Senado e indicou Rogéria Bolsonaro (PL) como primeira suplente. Segundo Uchôa, a campanha de Ruas conversa melhor com sua própria base, já estabelecida e menos flexível, enquanto Paes tem maior capilaridade e trânsito entre diferentes espectros políticos.

A segurança pública aparece como uma das principais demandas do eleitor da Baixada. “O Lappcom monitora redes sociais e notícias locais e identifica o tema como central nos municípios da região, sobretudo nos que registram maiores índices de roubos, furtos e violência”, explica Uchôa. Foi na Baixada que começou o programa Barricada Zero, iniciado por Canella e depois adotado pelo ex-governador do estado Cláudio Castro. Para Uchôa, não é necessário aderir a um discurso de extrema direita, mas é indispensável ter uma posição visível sobre o assunto — e tanto Paes quanto Ruas e Garotinho têm articulado esse tema em suas campanhas.

Fonte
Brasil de Fato
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