Em debate, Carlos Jordy pede fim das bets, apesar de ter votado para liberá-las de taxação

22/09/2026 às 15:1529 visualizações
Carlos Jordy foi um dos deputados que votou contra a taxação de bets e bilionários em 2025
Carlos Jordy foi um dos deputados que votou contra a taxação de bets e bilionários em 2025
Brasil de Fato

Durante o debate entre candidatos ao Senado pelo Rio de Janeiro promovido pelo G1 nesta terça-feira (22), Carlos Jordy (PL) defendeu a proibição total das bets e dos jogos de azar no país. A declaração contrasta com a atuação recente de integrantes do próprio PL no Congresso. Parlamentares do partido participaram de articulações para reduzir a tributação das casas de apostas e apoiaram medidas que dificultaram a aprovação de regras fiscais destinadas ao setor.

Em outubro de 2025, a medida foi retirada da pauta por 251 votos a 193 e acabou perdendo validade sem ser votada. O episódio impediu a manutenção do aumento da tributação previsto pelo governo e provocou uma frustração de receitas públicas estimada em mais de R$ 30 bilhões.

Participaram do debate Marcelo Crivella (Republicanos), Marcos Dias (Podemos) e Pedro Paulo (PSD). Às 13h o portal realiza uma nova rodada de debates para o Senado com Waguinho (Republicanos), Carlos Portinho (PL), Benedita da Silva (PT) e Mônica Benício (PSOL).

Ao longo do debate, os quatro candidatos falaram sobre propostas para trabalho e emprego, emendas parlamentares, segurança pública, saúde e ciência e tecnologia. Os candidatos enfatizaram o papel da iniciativa privada para atuar na saúde e segurança pública, concedendo isenções fiscais para empresas que investirem em capacitação no caso de Jordy. Já Crivella destacou sua proposta de um sistema de segurança pública privado.

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Trabalho e emprego

No tema do trabalho, Pedro Paulo defendeu a mudança da escala 6×1 para 5×2 e a criação de mecanismos de proteção social para trabalhadores de aplicativos, incluindo previdência por meio do cadastro de microempreendedor individual e seguros contra acidentes.

Carlos Jordy defendeu a concessão de benefícios fiscais a empresas que investirem na qualificação profissional de jovens desempregados.

Crivella relacionou a geração de empregos à revisão dos critérios do Fundo de Participação dos Estados (FPE). Para ele, o Rio de Janeiro é prejudicado pelo cálculo baseado na renda per capita, uma vez que há uma grande desigualdade no estado, com poucos ganhando muito.

Marcos Dias criticou o uso de programas sociais como instrumentos de dependência eleitoral e defendeu mais rigor na concessão de incentivos e renúncias fiscais.

Emendas parlamentares

Os quatro candidatos concordaram com o fim da chamada “Emenda Pix”, modelo de transferência de recursos cuja execução foi alvo de críticas por falta de transparência e rastreabilidade.

As propostas, no entanto, divergiram quanto ao destino e ao controle das verbas.

Crivella criticou o excesso de burocracia para a execução dos recursos, mas defendeu a regulamentação das ‘emendas pix’.

Principal defensor das emendas, Jordy defendeu que emendas impositivas possam ser usadas diretamente na compra de blindados e armamentos para as forças de segurança e equipamentos para realização itinerante de exames de saúde no interior do estado.

Pedro Paulo citou uma proposta de emenda constitucional voltada à transparência orçamentária e defendeu a distribuição equilibrada de recursos entre os 92 municípios fluminenses. Marcos Dias criticou o volume de emendas parlamentares sem mecanismos adequados de controle e cobrou critérios mais rígidos para a aplicação dos recursos.

Universidades federais

Em outro momento de propostas controversas, os candidatos Carlos Jordy e Marcelo Crivella elogiaram a produção acadêmica dentro das engenharias, mas criticaram seu viés ideológico à esquerda. Para Crivella, os alunos devem ser prioridade, as greves devem ser punidas e a opinião dos professores deve ser fiscalizada.

Ele também defendeu que a eleição de reitores deva ser modificada. Atualmente, a comunidade acadêmica elege três nomes que são submetidos a sanção do executivo.

Na educação básica, a pressão sobre o trabalho dos professores tem sido apontada como um dos principais motivos de adoecimento da categoria. Estudo divulgado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) identificou que 75% dos professores do segmento temem sofrer consequências profissionais caso suas decisões contrariem interesses políticos.

Fonte
Brasil de Fato
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