EUA afirmam ter armas espaciais em órbita: o que isso significa?

Por BdF Entrevista22/09/2026 às 01:0372 visualizações
Militarização da órbita terrestre e o discurso de Washington sobre armas espaciais fazem parte de uma estratégia de guerra de narrativas.
Militarização da órbita terrestre e o discurso de Washington sobre armas espaciais fazem parte de uma estratégia de guerra de narrativas.
Brasil de Fato

No dia 14 de setembro, o secretário de Força Aérea dos Estados Unidos afirmou que o país já tem armas espaciais na órbita da Terra. A declaração recoloca em evidência a estratégia de militarização do espaço impulsionada desde a criação da Força Espacial no governo Donald Trump.

No entanto, segundo a analista internacional Rose Martins, as afirmações devem ser analisadas com cautela, pois o governo Trump tem se tornado especialista em utilizar “recursos retóricos para criar um clima de tensão e uma situação em que os Estados Unidos têm muito mais poder do que eles efetivamente têm”.

Ao BdF Entrevista, Martins ressalta que, embora haja um uso auxiliar do espaço para operações militares desde a Guerra Fria, ela não acredita que “os Estados Unidos, nesse momento, têm armas posicionadas no espaço, mas, sim, que eles estão num processo, desde 2019, de deixar o espaço muito mais militarizado”.

Em vez de cenários de ficção científica com armas de destruição em massa, o foco central dessa disputa geopolítica está na interferência e no controle dos satélites de comunicação e reconhecimento. “Não existem armas nucleares posicionadas no espaço, não existem armas de destruição em massa, mas existe uma capacidade de que os países possam interferir na atuação, no funcionamento dos satélites de seus adversários”, explica.

Como potências como Rússia, China e EUA dependem fortemente dessas redes orbitais, o objetivo do discurso e das manobras estadunidenses é garantir a própria liberdade de atuação espacial ao mesmo tempo em que se busca restringir a capacidade operacional de seus rivais. “Os satélites são muito importantes para fazer guerras. Inclusive, eu dei esse exemplo do Irã para mostrar para vocês como, na prática, as imagens de satélite ajudam a localizar o inimigo, a localizar o lançamento de mísseis, o lançamento de drones, a fazer a comunicação com as suas próprias forças ou interceptar a comunicação do inimigo. Os satélites são uma tecnologia de uso dual. Eles podem ser usados para fins civis e para fins militares. E o que os EUA querem fazer agora é dizer abertamente que podem interferir na capacidade do satélite de seus inimigos”, reforça.

Essa postura ostensiva aumenta o risco de impulsionar uma nova corrida armamentista espacial entre as grandes potências. As consequências desse movimento estendem-se diretamente para a sociedade civil na Terra, uma vez que o bloqueio ou destruição de satélites compromete serviços essenciais do dia a dia, como navegação por GPS, comunicações e atividades econômicas. “Se um satélite deixa uma interferência ou ele é destruído, a população civil pode sofrer com falhas na comunicação, com a queda da internet”, exemplifica.

Confira a entrevista completa:

Para ouvir e assistir

O BdF Entrevista vai ao ar de segunda a sexta-feira, sempre às 16h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo.

Fonte
Brasil de Fato
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