Rogério Sventkauskas, produtor de ascendência lituana, transforma o fermentado medieval em produto comercial na Feira Viva, organizada pela comunidade de imigrantes do Leste Europeu da Vila Zelina.
O fermentado, feito de pão preto de centeio, água e malte, é uma bebida tradicional de países Eslavos e Bálticos que remonta a séculos. "Desenvolvi o kvass aqui no Brasil, mantendo a tradição que conhecia da Lituânia."
A família de Sventkauskas imigrou para o Brasil em 1927, segundo ele, que é da terceira geração nascida no país e que cultiva tradições através de produtos fermentados. Sua produção permanece em escala de feira, ainda não é industrial, mas Rogério espera ampliar a quantidade.
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O kvass é produzido através de processo tradicional: pão de centeio é cortado em tiras, levemente torrado, e depois tem água quente adicionada para converter o amido em açúcar. O resultado é uma bebida levemente fermentada com notas características de centeio torrado.
Sventkauskas aponta uma particularidade do produto no mercado brasileiro.
"Quando o brasileiro toma kvass, faz analogia com café, chá mate, catuaba. Mas na verdade está tomando centeio torrado. É preciso habituar o paladar."
Historicamente, o kvass ganhou relevância política durante a União Soviética, quando foi resgatado como alternativa à Coca-Cola, movimento que combinava nacionalismo com crítica ao imperialismo.
Campanhas soviéticas a chamavam de "Coca-Cola Comunista". Marcas comerciais como "Nikola" (cujo nome em russo soa como "Not Cola") lançaram slogans como: "Não à cola-nização. Kvass. Pela saúde da nação."
"Na União Soviética, como não entravam multinacionais, eles resgatavam a tradição de aldeia e faziam algo para chegar perto do refrigerante cola", explica Sventkauskas.
A bebida conquistou espaço novamente em mercados da Europa Oriental entre 2005 e 2007, segundo pesquisas de mercado, que apontaram aumento de 32% nas vendas frente a uma redução de 37% do refrigerante de cola em Moscou. Em 2008, a própria Coca-Cola lançou sua versão do kvass.
No Brasil, a Feira Viva! funciona como veículo de preservação cultural. Tamara Gers Dimitrov, organizadora do evento, descreve o resultado como "sucesso tanto para vendedores quanto para frequentadores."
Sventkauskas vê o empreendimento como parte de um projeto maior.
"É trabalho de formiguinha. Assim como a Feira da Liberdade começou pequena e a cultura japonesa expandiu, a gente quer fazer o mesmo com a cultura do Leste Europeu. Um dia teremos mais restaurantes desses países em São Paulo".


