‘Discurso de Lula foi histórico e contundente em defesa da democracia, soberania e paz’, diz analista internacional

Por Lucas Krupacz22/09/2026 às 19:2436 visualizações
Brazil's President Luiz Inacio Lula da Silva speaks during the 81st United Nations General Assembly at the United Nations Headquarters in New York, on September 22, 2026. (Photo by TIMOTHY A. CLARY / AFP)
Brazil's President Luiz Inacio Lula da Silva speaks during the 81st United Nations General Assembly at the United Nations Headquarters in New York, on September 22, 2026. (Photo by TIMOTHY A. CLARY / AFP)
Brasil de Fato

Em seu discurso na abertura da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) adotou uma postura firme ao defender a soberania e alertar sobre os riscos à democracia, bem como criticou as nações que mobilizam guerras e adoram posturas unilaterais.

Embora não tenha citado nominalmente o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o recado foi, em muitos momentos da fala, direcionado ao republicano, que falou na sequência. Lula também criticou a inércia do Conselho de Segurança das Nações Unidas diante de conflitos mundiais, como o genocídio em Gaza, e citou a necessidade de uma reavaliação e até mesmo de uma reforma.

Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, o analista internacional Gustavo Menon, professor na Universidade Católica de Brasília (UCB) e da Universidade de São Paulo (USP), avalia que a postura do presidente foi firme. O especialista considerou o discurso “histórico e contundente em defesa da democracia, da soberania, da paz e de revisitar os princípios do multilateralismo”. Menon destacou a forma como Lula defendeu o processo eleitoral ao dizer que a democracia brasileira pertence aos brasileiros.

“Lula apontou que o sistema ONU não vem adotando o que estava previsto em sua carta fundacional de evitar o flagelo da guerra. Estamos diante de um mundo em conflagração e, nesse sentido, Lula condenou as iniciativas unilaterais e protecionistas. É uma conjuntura de cruzamento de crises. Lula foi bastante taxativo ao dizer que é preciso resgatar esse espírito das Nações Unidas de livrar a humanidade do flagelo da guerra. A corrida armamentista do nosso tempo compromete projetos de desenvolvimento, iniciativas de cooperação que podem acelerar o impulsionamento da agenda do desenvolvimento sustentável”, avalia.

Gustavo Menon também considerou bastante acertados os pontos apresentados por Lula em respeito às conquistas dos últimos quatro anos. “Ele apontou para a saída do Brasil do Mapa da Fome. Em relação às políticas públicas brasileiras, destacou o avanço das chamadas agendas verdes e mecanismos de cooperação e integração regional, que devem ser reativados diante desse cenário de paralisia não só do sistema ONU como da própria Organização Mundial do Comércio, que está respirando por aparelhos, como disse o próprio Lula”, essalta.

Outro ponto destacado pelo analista internacional foi o momento em que Lula falou da América Latina e as constantes pressões que a região vem sofrendo. “Criticou iniciativas de criar uma zona de influência na América Latina, destacou como devemos apontar para o bloqueio econômico que afeta a ilha de Cuba, como devemos condenar essas iniciativas ilegais no plano internacional e fez um chamado de uma maior participação das economias do sul global”, afirma.

Para ouvir e assistir

Durante o horário eleitoral, até 1º de outubro, o jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira, das 12h25 às 14h, e a segunda, sem alteração, a partir das 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Fonte
Brasil de Fato
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