Em sabatina na noite de quinta-feira (10) ao veículo SBT News, o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, defendeu a criação de mandatos para ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e afirmou que a Corte precisa recuperar a credibilidade diante da sociedade. O candidato à reeleição também comentou a crise envolvendo o tribunal, as investigações sobre o Banco Master e o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), além de apresentar propostas para um eventual novo mandato.
Questionado sobre a possibilidade de a crise no STF estar afetando sua campanha eleitoral, Lula afirmou que investigações da Suprema Corte não deveriam interferir na disputa, mas criticou o que chamou de "vazamentos seletivos" de informações sigilosas. Para o presidente, a divulgação parcial de informações durante o período eleitoral pode prejudicar tanto a política quanto a credibilidade do Judiciário.
Lula avaliou positivamente a atuação do presidente do STF, Edson Fachin, e afirmou que o ministro deve assumir o processo e "colocar ordem na casa". Segundo o presidente, as investigações devem apurar todos os fatos e divulgar as informações, independentemente de quem seja atingido. Para ele, não deve haver distinção entre autoridades e demais cidadãos quando houver suspeitas de irregularidades.
"Se o Alexandre de Moraes é culpado, ele tem que pagar. Se o Mendonça é culpado, ele tem que pagar. Se o Fachin é culpado, ele tem que pagar."
O presidente também defendeu a abertura dos sigilos das investigações relacionadas ao Banco Master e ao caso do INSS. Lula afirmou que não considera adequada a divulgação de "meias informações" que possam criar suspeitas sem esclarecer os responsáveis pelos eventuais crimes.
"Eu sou favorável a abrir tudo, toda vez que tiver uma denúncia, que estiver envolvendo o Poder Judiciário, que estiver envolvendo a política, que se abra."
Mandato para ministros do STF
Questionado sobre a reforma do Poder Judiciário prevista em seu programa de governo, Lula afirmou que pretende discutir mudanças com a sociedade e defendeu especificamente a possibilidade de estabelecer mandatos para ministros do STF.
"Eu, sinceramente, hoje acho que é preciso discutir o mandato para a Suprema Corte. Ninguém pode ficar 40 anos no mesmo cargo", declarou. O presidente citou períodos de oito ou 12 anos como possibilidades, mas afirmou que ainda não há uma proposta fechada.
Lula disse ainda que pretende promover uma reforma no Poder Judiciário "da primeira à última instância", mas ressaltou que as medidas específicas deverão ser definidas após diálogo com a sociedade.



