Ex-vereador Milton Leite segue foragido após operação que investiga infiltração do PCC no transporte de SP

18/09/2026 às 15:4274 visualizações
O ex-vereador Milton Leite
O ex-vereador Milton Leite
Brasil de Fato

O ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo Milton Leite (União Brasil) não se apresentou às autoridades após afirmar que faria isso em até 24 horas e seguia foragido nesta sexta-feira (18). Alvo de uma ordem de prisão temporária, ele é procurado pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP).

Na quinta-feira (17), após não ser encontrado durante a Operação Vectura Corrupta, Leite afirmou que estava viajando e negou estar foragido. “Estou em viagem, não estou foragido, e vou me apresentar às autoridades em até 24 horas. Vou provar minha inocência em todas as acusações”, disse em nota.

O prazo terminou na manhã desta sexta sem que o ex-vereador se apresentasse.

As autoridades realizaram buscas em um imóvel em Sorocaba, no interior paulista, após receberem informações de que Milton poderia estar no endereço. Ele não foi encontrado.

No local, foram apreendidos R$ 280 mil e US$ 89 mil, cerca de R$ 457 mil, em espécie. Segundo o portal g1, o dinheiro e documentos estavam com outra pessoa, que não soube explicar a origem dos valores.

Dos 16 mandados de prisão expedidos pela Justiça na Operação Vectura Corrupta, dez haviam sido cumpridos e seis alvos continuavam foragidos até a manhã desta sexta-feira.

Investigação apura infiltração do PCC no transporte

Deflagrada na quinta-feira pela Polícia Civil e pelo MPSP, a Operação Vectura Corrupta investiga a suspeita de infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no sistema de transporte coletivo e em estruturas do poder público de São Paulo.

Segundo a investigação, ao menos 12 das 22 empresas que operam o transporte coletivo na capital paulista estariam sob controle direto ou indireto da organização criminosa. As suspeitas envolvem lavagem de dinheiro, corrupção e o uso de empresas de ônibus para movimentar recursos ligados ao PCC.

Além dos 16 mandados de prisão temporária, a Justiça autorizou 18 buscas e apreensões na capital, na Grande São Paulo e no litoral paulista.

Em nota divulgada na quinta-feira, a prefeitura de São Paulo afirmou que a intervenção na Transwolff, determinada em abril de 2024, foi adotada para “proteger o sistema municipal de transporte”. A gestão municipal ressaltou que, na mesma ocasião, também determinou a intervenção na UPBus por iniciativa própria, sem solicitação da Justiça.

A prefeitura afirmou ainda que abriu, por meio da Controladoria-Geral do Município, processo contra as duas empresas e que, desde então, atua em conjunto com o Ministério Público e a Polícia Civil nas investigações.

Segundo a gestão, a operação desta quinta “reforça a gravidade dos fatos que motivaram as providências adotadas pela prefeitura”. A administração municipal disse colaborar com as investigações e fornecer ao Ministério Público documentos e esclarecimentos relacionados ao caso.

Entre os presos na operação está Levi dos Santos Oliveira, ex-presidente da São Paulo Transporte (SPTrans). Também foi preso Danilo Marco Morgado Silva, ex-candidato à prefeitura de Praia Grande e atual candidato a deputado estadual pelo PL. Em publicação nas redes sociais, a campanha de Morgado informou que a assessoria jurídica está adotando todas as medidas cabíveis para reverter a prisão, classificada como “absurda” e atribuída a “motivos políticos”.

Em nota, a defesa de Levi afirmou ter sido “surpreendida” com a prisão e destacou que ele é primário, não tem antecedentes e construiu uma trajetória de décadas no serviço público. O escritório Fernando José da Costa Advogados informou ainda que não teve acesso aos autos nem aos fundamentos da medida e que, assim que conhecer o conteúdo da decisão, adotará as medidas jurídicas cabíveis para buscar a revogação da prisão.

A investigação é um desdobramento da Operação Decúrio, realizada em 2024. A partir de materiais apreendidos anteriormente, investigadores passaram a apurar uma estrutura que envolveria empresas de transporte, integrantes do PCC, agentes públicos e políticos.

Investigadores apontam Milton como ‘dono de fato’ da Transwolff

Segundo a decisão judicial que autorizou a operação, Milton Leite é apontado pelos investigadores como alguém que teria participação na operação de empresas de transporte investigadas.

O nome do ex-vereador aparece em diálogos e outros elementos reunidos durante as apurações. A decisão também cita depoimentos de policiais militares que apontam Milton como “dono de fato” da Transwolff, concessionária que já havia sido investigada na Operação Fim da Linha, em 2024.

A Transwolff nega que Milton tenha participação societária ou atuação na gestão da empresa. O ex-vereador também nega qualquer relação com o PCC e afirma não ser proprietário da concessionária.

Milton Leite exerceu sete mandatos consecutivos na Câmara Municipal de São Paulo e presidiu a Casa em seis oportunidades. Atualmente, é presidente estadual da Federação União Brasil–Progressistas (PP) em São Paulo.

Fonte
Brasil de Fato
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