Marcha pelo Clima leva às ruas de Brasília cobrança por justiça ambiental neste domingo (20)

Por Ana Gonçalves16/09/2026 às 19:2324 visualizações
Jovens pelo Clima leva às ruas de Brasília a cobrança por respostas à crise climática
Jovens pelo Clima leva às ruas de Brasília a cobrança por respostas à crise climática
Brasil de Fato

A crise climática não se resume a fenômenos distantes ou a debates restritos à agenda ambiental. Ela aparece na falta de água, no calor dentro de cidades pouco arborizadas, no preço dos alimentos, na qualidade do transporte e na capacidade do poder público de responder a enchentes, queimadas e períodos de seca. É a partir dessa compreensão que movimentos sociais, organizações ambientais e entidades da sociedade civil realizam, no próximo domingo (20), a Marcha pelo Clima em Brasília.

A concentração será a partir das 10h, no Eixão do Lazer, na altura da 102 Sul. A atividade integra uma mobilização nacional que já reúne manifestações em mais de 16 cidades brasileiras e acontece em um momento de intensificação das preocupações com os efeitos do El Niño.

O fenômeno foi confirmado no Brasil em junho e, segundo o painel elaborado por órgãos como Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), há mais de 90% de probabilidade de que o El Niño alcance intensidade muito forte entre setembro e novembro. Os modelos também apontam para a permanência do fenômeno até pelo menos o início de 2027.

Para Ian Coêlho, representante do Jovens pelo Clima Brasília, o cenário reforça a necessidade de tratar a agenda climática como uma questão de política pública e não como um tema secundário das eleições de 2026.

“A pauta climática não é debate de nicho, é a nossa condição de vida: é a água da torneira que não nasce na torneira, é a sombra da árvore que falta em tanto lugar, é a comida sem veneno e o preço dela, é ter transporte de qualidade com tarifa zero e eletrificado, é o tanto que pesa a conta de luz no fim do mês”, afirma.

Clima também é desigualdade

Cartazes levados às ruas recuperam os impactos das queimadas que cobriram parte do território brasileiro com fumaça em setembro de 2024. |
Cartazes levados às ruas recuperam os impactos das queimadas que cobriram parte do território brasileiro com fumaça em setembro de 2024. | — Divulgação Jovens Pelo Clima
Cartazes levados às ruas recuperam os impactos das queimadas que cobriram parte do território brasileiro com fumaça em setembro de 2024. | Crédito: Divulgação Jovens Pelo Clima

A mobilização pretende colocar no centro do debate a forma desigual como os impactos ambientais atingem diferentes regiões e grupos sociais. No Distrito Federal, Coêlho aponta problemas que vão desde a falta de arborização e os impactos de eventos extremos até questões relacionadas ao abastecimento de água, queimadas, resíduos sólidos, transporte público e preservação de territórios.

“São tantas que quase não cabem, mas todas nascem do mesmo racismo ambiental do território”, afirma. Como exemplo, ele cita a diferença entre áreas do Plano Piloto e regiões periféricas do Distrito Federal.

“Tem lavanda sendo regada todo dia no Plano enquanto Ceilândia não tem arborização nenhuma, e o Sol Nascente sofre ao mesmo tempo de falta d’água e de enchente”, aponta Coêlho.

Entre os problemas levantados pelo movimento estão ainda a situação do Rio Melchior, as queimadas e a falta de apoio a brigadistas, a preservação da Serrinha do Paranoá, a gestão de resíduos sólidos, o transporte público e a proteção de territórios tradicionais.

Na avaliação de Coêlho, a crise ambiental não pode ser dissociada das condições de vida e de trabalho da população. Para ele, os efeitos da degradação ambiental e dos eventos climáticos extremos recaem de maneira mais intensa sobre populações que já enfrentam desigualdades sociais e territoriais.

Cobrança às candidaturas

Com as eleições de 2026 no horizonte, a marcha também terá como objetivo cobrar compromissos públicos de candidaturas. Diferentes coletivos que integram a mobilização devem levar para o ato cartas, manifestos e instrumentos de compromisso relacionados à agenda socioambiental.

Entre as reivindicações estão a garantia de orçamento para os órgãos ambientais, a elaboração de um plano de adaptação climática para o Distrito Federal com participação e fiscalização da sociedade, incentivo à produção agroecológica, acesso a alimentos a preços acessíveis, tarifa zero e melhoria do transporte público com eletrificação.

Também está entre as propostas defendidas pelos movimentos uma transição energética considerada justa, com geração de empregos e participação popular.

“O compromisso que cobramos das candidaturas é duplo: primeiro, que façam do mandato um instrumento real de mobilização, decisão e organização popular, não um balcão de negócios a serviço dos setores econômicos de sempre”, afirma Coêlho.

O segundo compromisso, segundo ele, é que as candidaturas assumam medidas que possam ser acompanhadas e cobradas pela população ao longo dos mandatos. A expectativa é que as candidaturas participantes apresentem publicamente seus posicionamentos e possam formalizar compromissos durante a atividade.

Para Coêlho, porém, a cobrança não deve terminar com o ato. A intenção é que os compromissos assumidos durante a mobilização possam ser acompanhados posteriormente pela sociedade civil.

Mobilização nacional

“Quem orquestrou os incêndios?”: cartaz expõe uma das cobranças levadas às ruas durante a mobilização |
“Quem orquestrou os incêndios?”: cartaz expõe uma das cobranças levadas às ruas durante a mobilização | — Divulgação Jovens Pelo Clima
“Quem orquestrou os incêndios?”: cartaz expõe uma das cobranças levadas às ruas durante a mobilização | Crédito: Divulgação Jovens Pelo Clima

A Marcha pelo Clima em Brasília faz parte de uma mobilização descentralizada que terá atos em diferentes regiões do país. A proposta é preservar a autonomia dos territórios e permitir que cada região apresente suas próprias demandas.

“A potência dessa marcha é a auto-organização, a autonomia, a pluralidade. Quem melhor para apontar o problema e construir a solução do que quem vive nele?”, questiona. Para ele, a construção a partir dos territórios também permite evidenciar como os efeitos da crise climática se relacionam com desigualdades históricas.

“É o povo das periferias que sabe, na pele, o que é ficar sem água antes de todo mundo. É o povo do campo, dos assentamentos e da agricultura familiar, que segue sem apoio real para produzir o que a gente come todos os dias”, afirma.

Além de Brasília, estão previstas mobilizações em cidades como Curitiba (PR), Belém (PA), Belo Horizonte (MG), São Paulo (SP), Rio de Janeiro (RJ), Natal (RN), Porto Velho (RO) e Florianópolis (SC), entre outras cidades.

A programação no Distrito Federal começa às 10h, com oficinas e apresentações culturais. Às 11h30, organizações socioambientais e candidaturas devem apresentar seus posicionamentos sobre a agenda climática. Às 12h30, os participantes saem em marcha pelo Eixão, em direção ao início da Asa Norte, passando pela plataforma superior da Rodoviária do Plano Piloto.

Serviço

Marcha pelo Clima em Brasília

Data: domingo (20), a partir das 10h

Local: Eixão do Lazer, na altura da 102 Sul


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Fonte
Brasil de Fato
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