Dissonância cognitiva e relativização de condutas sustentam candidatura de Flávio Bolsonaro, analisa cientista política

Por Larissa Bohrer25/09/2026 às 19:5735 visualizaciones
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Brasil de Fato

As novas trocas de mensagens revelas entre Flávio Bolsonaro (PL) e o banqueiro Daniel Vorcaro são mais uma prova que se soma a tantas outras da relação do dono do Banco Master com a família Bolsonaro e que o vínculo ia muito além do suposto financiamento da cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro, “Dark Horse“.

Para a cientista política Priscila Lapa, chama a atenção a reiterada tentativa por parte de Flávio de desvinculação de uma relação evidenciada pela divulgação das mensagens. Nesse sentido, ela destaca o fato de, além de ser candidato, o senador estar em legislatura vigente. “A gente espera uma conduta ilibada de alguém que exerce, que quer ser candidato, que quer ser presidente da República, que precisa ter o mínimo de transparência, o mínimo de capacidade. É preciso realmente passar por um crivo de verdade junto à população. Mas, antes de tudo, ele é um senador e responde por um código de ética”, afirma em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato.

Lapa pondera que, nos bastidores do poder, é muito comum quem tem um cargo político ser procurado por diversas pessoas dos mais diferentes setores, recebendo ofertas em troca de algum benefício. A questão é o que a pessoa com cargo público faz diante disso. “Existem aqueles que ouvem e tomam a atitude de não levar adiante nenhum tipo de relacionamento diante dessa proposta que recebem, e aqueles que alimentam relacionamento e que isso, lá na frente, vai reverberar em algo concreto, em uma emenda, em um dinheiro, na entrega de um favor, na nomeação de um cargo. E o que parece da relação entre o senador Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro. Não era uma relação pontual”, argumenta.

A cientista política observa que Flávio Bolsonaro não vem conseguindo responder à série de informações que colocam seu nome no centro do escândalo. Priscila Lapa avalia que é bastante surpreendente o fato de o candidato ainda permanecer competitivo na disputa presidencial, mesmo com tantos elementos provando que ela não é sustentável.

“Em qualquer outro contexto, não se sustentaria; no mínimo teria ali um desgaste, um derretimento ou uma desidratação quando as pessoas passassem a conhecer que ele fala algo e, no outro dia, vem uma investigação que diz que aquilo não é verdade e ele continua trazendo uma outra versão, e aí ele vai criando contradição em cima de contradição”, afirma.

Segundo ela, o bolsonarismo trouxe para o eleitorado a “dissonância cognitiva“, que faz com que as pessoas acreditem naquilo que já estão propensas a defender. “Há uma dificuldade de trazer fatos. Isso mostra uma resiliência que parece quase cega; parece que a gente não está tendo tudo isso esclarecido”, considera.

Ainda sobre a rede de corrupção protagonizada por Vorcaro, Lapa analisa que ela cria uma sensação de relativização de condutas. “As pessoas minimizam o peso dos atores individualmente. É aquela história, como está todo mundo contaminado, não é fulano especificamente que tem culpa no cartório, é todo o sistema que está contaminado. Portanto, eu minimizo ali um deslize individual, algo que pareça ser específico de um determinado candidato”, resume.

Para ouvir e assistir

Durante o horário eleitoral, até 1º de outubro, o jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira das 12h25 às 14h, e a segunda, sem alteração, a partir das 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

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