Após Trump ameaçar aliados do Irã, China reage: ‘Cooperação não deve ser alvo de interferências’

Por André Lucena25/08/2026 às 14:161 visualizações
Porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Lin Jian, durante conferência de imprensa em Pequim.
Porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Lin Jian, durante conferência de imprensa em Pequim.
Brasil de Fato

Logo após os Estados Unidos aplicarem mais uma rodada de sanções contra o Irã, ameaçando países que fazem comércio com o país persa, a China, principal compradora do petróleo iraniano, reagiu. Nesta terça-feira (25), o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Lin Jian, participou de coletiva de imprensa e rechaçou a ideia de que o comércio entre Pequim e Teerã seja alvo de interferências.

“A cooperação entre China e Irã sempre aconteceu dentro do marco do direito internacional e não deve ser alvo de interferências ou perturbações. A China já afirmou em diversas ocasiões que se opõe de modo veemente às avaliações unilaterais ilegais. A China tomará todas as medidas de segurança para salvaguardar com firmeza seus direitos e interesses”, explicou Lin.

A autoridade não comentou quais medidas podem vir a ser tomadas, mas o comentário marca a posição de Pequim perante a tentativa de cerco imposta pela Casa Branca. A razão é estratégica: atualmente, a China é o destino de cerca de 80% das exportações de petróleo do Irã.

Fechamento de Ormuz

Desde fevereiro, quando EUA e Israel iniciaram a Operação Fúria Épica contra o território iraniano, gerando o imediato fechamento do Estreito de Ormuz, um dos objetivos implícitos do governo Donald Trump era prejudicar o fluxo de comércio em relação à China. 

Esse fluxo foi especialmente significativo em 2025. De acordo com dados da consultoria Kpler, o país oriental comprou, em média, 1,38 milhão de barris de petróleo iraniano no ano passado. Deve-se pesar, também, a necessidade estratégica que a China tem em ampliar as suas reservas de petróleo bruto, seja em razão da demanda da sua população, seja como forma de mitigar os riscos de conflitos como o que corre, atualmente, no Oriente Médio. 

Nos dois primeiros meses de 2026, por exemplo, já ciente da possível escalada no Oriente Médio, a China comprou 16% a mais de petróleo que no mesmo período de 2025, de acordo com a administração de alfândegas do país. Esse conjunto de fatores tem feito com que o país amenize os problemas decorrentes do conflito no Oriente Médio. O volume real da reserva estratégica de petróleo é considerado segredo de Estado na China, mas estimativas de organizações de pesquisa sobre o tema, como o Instituto de Estudos de Energia da Universidade de Oxford, apontavam que o país asiático teria uma reserva de 1,1 bilhão a 1,3 bilhão de barris até o início da guerra.

Novas ameaças

Nos Estados Unidos, os próximos passos seguem incertos, seja no campo militar, seja na esfera puramente comercial. As ameaças desta semana dizem respeito a aliados do Irã, mas nenhum país é citado nominalmente. O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, responsável pela divulgação do pacote de sanções contra 60 indivíduos, entidades e embarcações por suposto envolvimento comercial com o Irã, não se referiu a nenhuma instituição financeira chinesa específica.

Em coletiva na segunda-feira (25), Bessent foi questionado sobre o tom genérico pelo qual se referiu aos possíveis alvos das sanções, mas rebateu com uma pergunta: “Por que eu iria querer implodir o sistema financeiro global?”. 

Trump, por sua vez, segue em empreitada retórica a fim de tentar convencer a opinião pública e a própria sociedade estadunidense de que estaria conseguindo vencer o Irã, tanto no embate de forças militares quanto no campo econômico. 

Antes, o presidente dos EUA chegou a ameaçar diretamente países da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) que pareciam reticentes à ideia de contribuírem para uma ação militar contra o Irã, mas não conseguiu fazer com que os aliados embarcassem nas ações. Agora, segundo Bessent, Trump “está ligando para líderes mundiais com pedidos específicos para que cessem suas interações com o Irã”. 

No campo diplomático, está previsto um encontro entre Trump e Xi Jinping em Washington no final de setembro, o que poderá ser a segunda reunião entre os líderes das duas principais potências econômicas do globo. A primeira aconteceu em maio, quando o republicano viajou até Pequim.

Fonte
Brasil de Fato
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