Documentário premiado sobre Cozinhas Solidárias do MTST terá sessão com debate em Porto Alegre

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18/09/2026 às 15:5675 görüntüleme
Jurailde Alves Ferreira em trabalho na cozinha do MTST
Jurailde Alves Ferreira em trabalho na cozinha do MTST
Brasil de Fato

O CineBancários recebe, na segunda-feira (21), às 19h, uma sessão especial com debate do documentário “Não Existe Almoço Grátis”, em sua terceira semana nos cinemas brasileiros. A atividade reúne o codiretor Pedro Charbel e quatro cozinheiras do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST): Zelia Silva (Cozinha Solidária do Lami), Isaura Martins (Cozinha Solidária Maristas), Ana Carla (Cozinha Solidária Beer Fir) e Lili Santos (Cozinha Solidária da Azenha).

A mediação é de Carolina Disegna. Os ingressos podem ser adquiridos diretamente na bilheteria do cinema, localizado na sede do Sindicato dos Bancários de Porto Alegre e Região (SindBancários), rua General Câmara, 424, no Centro Histórico de Porto Alegre.

Com distribuição da Descoloniza Filmes e classificação indicativa de 10 anos, o longa reflete sobre os profundos danos causados pela gestão da pandemia de covid-19, acompanhados por outro vírus terrível: a fome. A falta de políticas públicas para enfrentar essa situação levou o MTST a organizar dezenas de Cozinhas Solidárias, distribuindo almoços grátis por todo o país.

“Não Existe Almoço Grátis” acompanha, em Sol Nascente, no Distrito Federal, três mulheres negras — Bizza, Jurailde e Socorro — que lideram uma dessas cozinhas e se preparam para alimentar centenas de militantes que viajarão a Brasília para a cerimônia de posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 1º de janeiro de 2023. Os percursos de vida das três são apresentados de forma não linear: Bizza sonha em construir sua casa e abrir um negócio no lote conquistado pela luta no MTST; Jurailde, evangélica, vincula sua conexão com a terra à ancestralidade indígena e ao passado de trabalho infantil; Socorro encontra orgulho de si ao formar família após ter sido abandonada pelo pai na infância.

Os diretores Marcos Nepomuceno e Pedro Charbel descrevem a obra como um “manifesto contra as máximas neoliberais da meritocracia, do individualismo e do lucro”. Segundo eles, o filme usa linguagem visual e sonora para marcar os contrastes da desigualdade social no Distrito Federal e fazer de Brasília uma “personagem símbolo de injustiças a serem superadas”.

“Há um pacto profundo entre filme e movimento social, do qual emerge a possibilidade de um mergulho na realidade do maior movimento urbano da América Latina e nos laços de afeto e comunidade fundamentais para combater as estruturas injustas de nossa sociedade. Em ano eleitoral, o filme é um lembrete de que a luta deve ser diária”, afirmam Nepomuceno e Charbel.

Recepção da crítica

A crítica destaca a capacidade do filme de contrapor a frieza econômica à solidariedade humana. Para Luiz Fernando Zanin Oricchio, do Estadão, o documentário aponta a câmera para o oposto da visão mercantil da sociedade, com “histórias de vida muito bonitas que nos ajudam a pôr os pés no chão e nos descentram das inquietações da classe média”.

Pablo Villaça o elegeu como seu preferido na 13ª edição do Olhar de Cinema, chamando-o de “encantador” e ressaltando sua mensagem sobre a importância da luta e da educação política. Vincent Sesering, do Cine Set, observa como o filme articula cotidiano e contexto histórico, aproximando a favela do Sol Nascente das torres do Congresso Nacional para “juntar povo e política”.

Cartaz nacional e programação 

Poster oficial do filme ‘Não existe almoço grátis’ |
Poster oficial do filme ‘Não existe almoço grátis’ | — Divulgação/Primeiro Plano
Poster oficial do filme ‘Não existe almoço grátis’ | Crédito: Divulgação/Primeiro Plano

Além de Porto Alegre, o longa segue em cartaz entre 17 e 23 de setembro em diversas capitais: Belo Horizonte (Cine Belas Artes), Florianópolis (Paradigma Cine Arte), Fortaleza (Cinema do Dragão), Salvador (Saladearte MAM), São Paulo (Matilha Cultural) e Vitória (Metrópolis).

Trajetória em festivais e prêmios

Antes da exibição comercial, “Não Existe Almoço Grátis” construiu uma trajetória premiada. Em 2023, integrou a Mostra Contemporânea Brasileira do 27º ForumdocBH e, no 56º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, venceu como Melhor Filme pelo Júri Popular e recebeu Menção Honrosa do Júri Oficial. Em 2024, participou da 13ª Mostra Ecofalante, onde também conquistou o prêmio de Melhor Filme pelo Júri Popular.

Ainda em 2024, o longa participou da Mostra Foco do 13º Olhar de Cinema e da Competitiva Nacional do 31º Festival de Cinema de Vitória, onde recebeu Menção Honrosa do Júri Oficial. Em 2025, conquistou o Prêmio Destaque na 21ª Mostra do Filme Livre.

Ficha técnica

O filme, com duração de 74 minutos, conta com Bizza dos Santos, Jurailde Alves Ferreira e Socorro Rodrigues como protagonistas. A direção é de Marcos Nepomuceno e Pedro Charbel; a produção executiva, de Nepomuceno, Charbel e Evelyne Lessa; e a distribuição, da Descoloniza Filmes.

Marcos Nepomuceno é diretor, produtor e jornalista formado pela UFRJ. Em 2022, fundou a Filmes da Terra, dedicada a projetos documentais e narrativas autorais sobre a diversidade cultural brasileira. Pedro Charbel tem mestrado em Sociologia e graduação em Relações Internacionais pela USP; é militante do MTST, coordena o projeto Cinema Sem-Teto, fundou a Urupê Filmes em 2023 e atua como editor-chefe da revista socioambiental Jatobá.

Sinopse oficial

Em Sol Nascente, Socorro, Jurailde e Bizza lideram uma das Cozinhas Solidárias do MTST, distribuindo almoços gratuitos diariamente. Para a posse do presidente Lula, elas cozinham para centenas de pessoas que chegam a Brasília para a cerimônia em 1º de janeiro. Em meio a ameaças de golpe, o documentário acompanha o evento e a organização coletiva, revelando que “o futuro se cozinha hoje e a muitas mãos”.

Serviço

  • O quê: sessão especial de “Não Existe Almoço Grátis” com debate
  • Quando: segunda-feira (21), às 19h
  • Onde: CineBancários (rua General Câmara, 424, Centro Histórico, Porto Alegre)
  • Participação: Pedro Charbel (codiretor) e cozinheiras do MTST (Zelia Silva, Isaura Martins, Ana Carla e Lili Santos); mediação de Carolina Disegna
  • Ingressos: na bilheteria do CineBancários
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