Movimentos realizam ato em BH em defesa da soberania e contra ofensiva da extrema direita

Por Lucas Wilker11/09/2026 às 23:273 visualizações
Ato foi realizado na Praça 7
Ato foi realizado na Praça 7
Brasil de Fato

Movimentos populares, sindicais e forças progressistas realizaram, nesta sexta-feira (11), um ato em Belo Horizonte (MG), na Praça 7, em defesa da soberania nacional e da democracia. Com o mote “Contra o golpe no STF: ocupar as ruas, defender a soberania”, a mobilização denunciou o que os participantes classificam como tentativas da extrema direita e dos Estados Unidos de desestabilizar o processo eleitoral brasileiro.

O ato também teve como foco a crise institucional envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF), desencadeada ao longo da semana por decisões do ministro André Mendonça. Entre as medidas questionadas pelos manifestantes esteve a destituição de Andrei Rodrigues da direção-geral da Polícia Federal (PF), posteriormente revertida na quarta-feira (9) por decisão do presidente do STF, Edson Fachin.

A mobilização reuniu integrantes de movimentos populares, organizações sindicais e representantes de setores progressistas. O economista e integrante da direção nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), João Pedro Stedile, participou do ato e defendeu a retomada do trabalho de base nos territórios e a construção de um novo projeto para o país.

“Precisamos arregaçar as mangas e ir fazer trabalho de base nas periferias”, afirmou Stedile. Entre as pautas defendidas por ele estão a redução da taxa de juros, a adoção da jornada de trabalho 5×2 e a implementação da tarifa zero no transporte público.

Para o dirigente do MST, as mobilizações precisam estar vinculadas à discussão sobre um projeto nacional de desenvolvimento. “Só poderá haver futuro se nós discutirmos um novo projeto para o país. O novo projeto é pensar toda a nação”, disse.

Stedile também defendeu uma política econômica baseada no fortalecimento da indústria e maior controle nacional sobre os recursos minerais. “Um novo projeto significa que eu espero que vocês dois sejam os primeiros a encaminhar lei. Uma empresa estatal para explorar os minérios”, afirmou.

Ao abordar a exploração mineral no Vale do Jequitinhonha, o dirigente também mencionou a atuação do MST e de outros movimentos em áreas de mineração. “O minério é nosso, não é dos canadenses”, declarou. Segundo ele, a disputa em torno dos recursos naturais faz parte de uma discussão mais ampla sobre soberania nacional.

O dirigente também afirmou que a mobilização popular deve avançar na construção de alternativas ao modelo econômico vigente. 

“Nós temos que discutir um projeto de futuro. E esse projeto de futuro é certamente anticapitalista”, afirmou. “Porque o capitalismo não resolve mais os problemas do povo. Se vai ser socialismo, depende do povo organizado e do povo lutando”, continuou.

Artistas também participam da mobilização

A programação contou ainda com apresentações artísticas de Cinara Gomes, Júlia Guedes, Renegado e FBC. Durante o ato, os participantes também estenderam um grande bandeirão com a inscrição “Lula do Brasil”.

Integrante do coletivo Samba da Nossa Terra, Cinara Gomes destacou a participação dos trabalhadores da cultura na mobilização. 

“Eu tô aqui por uma causa brasileira e principalmente pela soberania, pela liberdade e pela democracia”, afirmou.

Para a artista, a presença da categoria nos debates políticos é necessária para aproximar as demandas da população dos espaços institucionais.

“É muito importante nós artistas estarmos ligados sempre nas questões por dentro do que acontece no país, no nosso estado, porque através dessas mudanças, através desse levante a gente tem força para estar com os nossos representantes no Congresso, dentro das assembleias legislativas, dentro da Câmara de Vereadores”, afirmou.

Cinara também defendeu a mobilização coletiva como instrumento para pressionar o poder público e dar visibilidade às reivindicações dos trabalhadores. 

“A gente tem que estar presente porque só com o levante coletivo que a gente transforma e faz frente a todas as coisas ruins que acontecem na política”, disse.

Fonte
Brasil de Fato
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