UNE e movimentos populares lançam manifesto por reformas e fazem chamado à mobilização pela reeleição de Lula: ‘Democracia exige gente disposta a defendê-la’

Por Luís Indriunas17/09/2026 às 11:5986 visualizações
Na noite desta quarta-feira (16), a UNE realizou, na Faculdade de Direito do Largo São Francisco (USP), o lançamento do Manifesto em Defesa da Democracia e das Reformas Estruturantes.
Na noite desta quarta-feira (16), a UNE realizou, na Faculdade de Direito do Largo São Francisco (USP), o lançamento do Manifesto em Defesa da Democracia e das Reformas Estruturantes.
Brasil de Fato

Entidades estudantis, movimentos populares e líderes de partidos políticos lançaram, nesta quarta (16), o manifesto “Um Novo Ciclo de Transformações no Brasil”, na Faculdade de Direito do Largo São Francisco, no centro de São Paulo. O ato, convocado pela União Nacional dos Estudantes (UNE), também foi um momento de chamamento aos apoiadores para ampliar o engajamento na campanha eleitoral a 18 dias do primeiro turno das eleições.

“O próximo governo democrático e popular deve inaugurar um novo ciclo de transformações, para além das estruturas existentes. É necessário enfrentar os privilégios que organizam a sociedade e construir bases para um projeto nacional de desenvolvimento, soberano e com justiça social”, afirma o manifesto, assinado por representantes de movimentos populares e dos campos jurídico, da educação, da cultura e da sociedade civil.

O documento reúne onze propostas, entre elas, a taxação dos super-ricos, a participação popular no orçamento, fortalecimento da soberania nacional, reindustrialização e reforma agrária.

A presidenta da UNE, Bianca Borges, recuperou a simbologia do local de lançamento do manifesto e o histórico de mobilizações políticas realizadas no Largo São Francisco. Ela lembrou que a faculdade foi palco, em 1977, da leitura da Carta aos Brasileiros, contra a ditadura militar, e, em 2022, de um ato em defesa da democracia. “A história nos ensina que a democracia exige vigilância, exige coragem e, sobretudo, exige gente disposta a defendê-la.”

Ato foi realizado na Faculdade de Direito da USP | Crédito: Elineudo Meira / @fotografia.75
Ato foi realizado na Faculdade de Direito da USP | Crédito: Elineudo Meira / @fotografia.75
Ato foi realizado na Faculdade de Direito da USP | Crédito: Elineudo Meira / @fotografia.75

Em todas as falas, a importância das eleições de outubro foi lembrada, já que do resultado delas depende a concretização das propostas apresentadas no manifesto. “Nós estamos diante da eleição mais importante das nossas vidas, porque nós sabemos que o resultado dessas eleições vai definir que Brasil, porque é uma disputa de rumos que está colocada”, disse o presidente do PT, Edinho Silva.

Silva também relacionou o cenário brasileiro ao avanço da extrema direita em outros países e classificou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, como o “grande líder fascista da atualidade”. Em contraposição, definiu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva como o “principal líder democrático do Ocidente”.

Gilmar Mauro, da direção do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), também apontou para os Estados Unidos e a influência do governo Trump nas próximas eleições e nos rumos da América Latina. “As intervenções estão ocorrendo e ocorrerão ainda mais nos próximos dias”. Por isso, Mauro incentivou a campanha nas ruas nos próximos dias.

“Nós não vamos ganhar essa eleição se não formos falar com as mulheres pretas periféricas. Nós não vamos ganhar essas eleições se não formos falar com as pessoas de 60 anos e 70 anos. A questão fundamental é fazer com que a militância que não está se envolvendo na campanha se envolva e entenda os riscos que nós estamos correndo”, pontuou.

O chamado às ruas foi reforçado pela presidenta do Psol, Paula Coradi. Ela afirmou que o cenário internacional amplia a importância do pleito e defendeu maior mobilização nesta reta final. “É hora da gente lutar. A gente precisa de coragem para a rua. Se a gente não for pra rua, se a gente não mobilizar, se a gente não se levantar da cadeira e ir para cima, nós estamos correndo grande risco.”

Já Nádia Campeão, presidenta do PCdoB, relacionou o resultado eleitoral à implementação das propostas apresentadas no manifesto. Para ela, “é preciso que o presidente Lula vença a eleição, para que a gente possa conduzir esse processo, que o manifesto propõe”.

Homenagem a Amelinha Teles

Em vários momentos, as falas lembraram a jornalista, escritora e ativista dos direitos humanos Maria Amélia de Almeida Teles, a Amelinha Teles, que morreu, na terça (15), aos 81 anos.

“Eu quero falar com vocês hoje da justiça e da democracia sonhada por Amelinha Teles: uma mulher que lutou até o fim pela democracia, uma mulher que lutou pelos direitos das mulheres, uma mulher que lutou pelo direito a ter direitos”, destacou a secretária Nacional de Acesso à Justiça, Sheila Carvalho, lembrando que a eleição de outubro é contra pessoas que defendem figuras como Brilhante Ustra, um dos torturadores de Amelinha.

Fonte
Brasil de Fato
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