Curta pernambucano ‘Guél Boy’ circula por Recife e Olinda com quatro sessões gratuitas

Von Fátima Pereira17/09/2026 às 19:4450 Aufrufe
Circulação gratuita do filme passa pelo Centro Cultural Periférico Aurora Canindé, Coque, Ilha de Deus e Bairro do Recife
Circulação gratuita do filme passa pelo Centro Cultural Periférico Aurora Canindé, Coque, Ilha de Deus e Bairro do Recife
Brasil de Fato

O curta-metragem pernambucano “Guél Boy”, dirigido por Ayla Òbì, realiza quatro exibições gratuitas entre esta quinta-feira (17) e domingo (20), sempre às 19 horas, em diferentes territórios do Recife e de Olinda. A circulação começou na quarta-feira (16), no Centro Cultural Periférico Aurora Candidé, em Olinda, e segue nesta quinta no Coque, na sexta-feira (18) na Ilha de Deus e no sábado (19) no Recife Antigo. As sessões são acompanhadas de bate-papos com integrantes da equipe e contam com interpretação em Libras.

Produzido a partir de uma perspectiva ligada à cultura periférica, “Guél Boy” acompanha quatro jovens negros do Recife, Uilson, Marlon, Duda e Ninha, interpretados por Gabriel Oliveira, Haryson Ribeiro, Rayssa Canuto e Kamile Nascimento. A narrativa parte das relações de amizade entre os personagens para abordar os efeitos do racismo estrutural e as formas encontradas pela juventude negra para construir seus próprios espaços de afeto, expressão e pertencimento.

A história se desenvolve em meio ao cotidiano da cidade, atravessado por manifestações culturais como o passinho do bregafunk, o grafite, a pichação, a poesia e a produção musical. As redes sociais e os jogos online também aparecem como elementos que fazem parte da experiência dos personagens e ajudam a compor um retrato da juventude negra contemporânea.

A obra utiliza ainda recursos do realismo fantástico para criar uma abordagem própria sobre as experiências vividas pelos jovens. Toda a produção foi gravada com celular e drone, explorando cores, luminosidade e paisagens associadas ao verão recifense. A direção de fotografia é de Roberto Iuri, enquanto Rose Lima e Júlia Machado assinam a produção.

A relação entre racismo e representação também está no centro do filme. A narrativa questiona a maneira como programas policiais e meios de comunicação hegemônicos podem contribuir para a criminalização da juventude negra, contrapondo essa perspectiva às experiências de amizade, criatividade e convivência construídas pelos personagens.

O elenco reúne artistas com trajetórias ligadas à cultura periférica e ao audiovisual. Entre eles estão Okado do Canal, que já participou de curtas e de um longa-metragem, e Samuel Mucão, também com atuação no audiovisual.

Para a diretora Ayla Òbì, a amizade e a vida em comunidade são elementos fundamentais da história. Segundo ela, o filme busca apresentar outras possibilidades de existência diante das representações produzidas pelo racismo.

“Apesar da imposição e atravessamento de distorções que se originam do racismo estrutural do Brasil através da mídia e da segurança pública, no filme, as pessoas vivem suas vidas organizando momentos que contradizem essa lógica da branquitude. Sendo assim, é um filme que, em seu gesto, por si só, é uma homenagem à vida e à cultura periférica”, afirma.

Parte dos locais escolhidos para a circulação também integra os espaços onde o curta foi filmado. A proposta é aproximar a obra dos territórios e das comunidades que dialogam com sua narrativa, além de criar momentos de conversa sobre cinema negro, audiovisual periférico e as experiências presentes no filme.

Todas as exibições têm acessibilidade comunicacional com interpretação em Libras e entrada gratuita.

O projeto conta com apoio da Secretaria de Cultura de Pernambuco, por meio de recursos da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB), do Ministério da Cultura e do Governo Federal.

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Brasil de Fato
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