Vereador, advogado e dirigentes de entidade são alvo de operação do MPRS que apura desvio de mais de R$ 2 milhões da saúde em Porto Alegre

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18/09/2026 às 13:0314 visualizações
Ministerio Publico do Rio Grande do Sul
17/09/2026 22:08 camila

Verbas públicas que deveriam financiar ações e serviços de saúde passaram a circular irregularmente entre agentes públicos, dirigentes de entidade e pessoas ligadas a um grupo investigado. Nesta sexta-feira, 18 de setembro, o Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) deflagrou a Operação Cinesia para apurar o desvio de mais de R$ 2 milhões repassados pelo Fundo Municipal de Saúde para a execução de emendas parlamentares.

Coordenada pela promotora de Justiça Roberta Brenner de Moraes, da 8ª Promotoria de Defesa do Patrimônio Público de Porto Alegre, a ação contou com apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) e da Brigada Militar, com o cumprimento de quatro mandados de prisão preventiva, nove de busca e apreensão e outras medidas cautelares na Capital e em Imbé. As ordens judiciais envolvendo um advogado investigado foram acompanhadas pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

INVESTIGAÇÃO

A investigação aponta a atuação de um grupo formado por vereador de Porto Alegre, servidor do legislativo municipal, advogado, dirigentes de uma organização da sociedade civil (OSC), entidade privada sem fins lucrativos que executava projetos financiados com recursos públicos, e demais pessoas a eles relacionadas. Foram presos o parlamentar, um assessor, o advogado (que também é ex-dirigente da instituição alvo da ação) e outro ex-dirigente da OSC. A entidade recebeu recursos para executar projetos financiados por emendas parlamentares na área da saúde e a apuração indica que parte dos valores era retirada das contas vinculadas aos termos de fomento, transferida para contas de livre movimentação da própria organização e, posteriormente, distribuída entre investigados, empresas e outros envolvidos.

Entre as movimentações rastreadas, somente uma empresa ligada à administração da entidade recebeu mais de R$ 1,9 milhão. Conforme o MPRS, a partir dessa empresa foram realizados repasses a integrantes do grupo e demais investigados. Também foram identificados indícios de recomposição posterior de contas fiscalizadas para criar aparência de regularidade financeira. A atual gestão da organização não integra os fatos investigados e colabora com o fornecimento de documentos e informações. A investigação prossegue sob sigilo.

COMO FUNCIONAVA O ESQUEMA

* Uma organização da sociedade civil (OSC) recebia verbas públicas para executar projetos financiados por emendas parlamentares na área da saúde.

* Os recursos eram depositados em contas específicas destinadas à execução desses projetos.

* A maior parte dos valores era transferida para conta de livre movimentação da própria entidade.

* O dinheiro era distribuído entre empresas, dirigentes da organização, agentes públicos e pessoas ligadas ao grupo investigado.

* Posteriormente, quando o MPRS solicitou extratos bancários das respectivas contas, o grupo providenciou empréstimos em nome da entidade para parte dos recursos retornarem às contas fiscalizadas para aparentar a aplicação regular das verbas públicas.

RESUMO DA OPERAÇÃO

-Mais de R$ 2 milhões em recursos da saúde sob investigação.

-Alvos incluem vereador de Porto Alegre, servidor do Legislativo Municipal, advogado e dirigentes de entidade.

-Empresa ligada à administração da organização recebeu mais de R$ 1,9 milhão dos valores analisados.

-Quatro mandados de prisão preventiva: vereador, assessor parlamentar, advogado e ex-dirigente de instituição alvo da ação

-Nove mandados de busca e apreensão.

-Diligências realizadas em Porto Alegre e Imbé.

-Atuação do MPRS, GAECO e Brigada Militar.

-Investigação segue sob sigilo.


Fonte
Ministerio Publico do Rio Grande do Sul
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