A Universidade de Brasília (UnB), o Departamento de Artes Visuais (VIS) e a União Nacional dos Estudantes (UNE) se manifestaram após um episódio envolvendo o ex-estudante e candidato a deputado federal Wilker Leão (Novo) no Instituto de Artes (IdA), no campus Darcy Ribeiro.
Em carta publicada nesta quinta-feira (27), a Reitoria reafirmou o compromisso da universidade com a democracia, a liberdade de expressão, a pluralidade e os direitos humanos e repudiou manifestações de caráter extremista e práticas de intimidação, perseguição, ameaça e incitação à violência.
“A pluralidade de ideias e a liberdade de expressão não podem ser confundidas com violência, intimidação ou autoritarismo”, afirmou a universidade. O ex-aluno ficou conhecido por interromper aulas para gravar vídeos afrontando professores, a ponto de ser expulso em 2025 pelas gravações sem autorização.
A carta não cita Wilker nominalmente. No documento, a Reitoria afirma que está atenta a “esse tipo de provocação” e que medidas institucionais são adotadas sempre que necessário para proteger a comunidade acadêmica e garantir o funcionamento das atividades.
“A UnB é espaço de livre manifestação, debate e pensamento crítico. A pluralidade de ideias é princípio fundamental da vida universitária e pressupõe respeito à diversidade, à integridade das pessoas e à convivência democrática”, diz a nota.
A universidade encerra que seguirá “firme na defesa da democracia, da liberdade e da dignidade de todas as pessoas”.
Na quarta-feira (26), o candidato do Novo foi até a universidade para fazer campanha política, no entanto acabou protagonizando diversas discussões com estudantes da universidade, em um dos momentos ele agrediu um estudante e aponta legítima defesa. Em vídeo publicado no instagram, o candidato disse que “um esquerdista foi importuná-lo sexualmente” e que reagiu em legítima defesa. “Minha paciência com vocês está se esgotando quando vocês encostam em mim, se encostar vai tomar e eu não vou ser mais proporcional. (…) Esquerdista que vem encher o saco neste nível tem que tomar porrada mesmo e se você não aguenta mais a folga da esquerda você já sabe o que fazer”, diz o ex-estudante da UnB, que finaliza pedindo votos.
Departamento orientou estudantes a não reagirem
O Departamento de Artes Visuais da UnB afirmou que, diante do “ataque previsto”, os estudantes foram orientados a não se engajarem com Wilker e seus apoiadores. Segundo a nota, a Reitoria também acionou uma equipe de segurança para proteger o departamento.
“Por mais difícil que seja essa decisão, se chegar a isso, deixem que eles pintem os nossos muros. O intuito deles é de provocar uma reação que não daremos a eles”, afirmou.
O departamento também classificou o grupo como de extrema direita e afirmou que vídeos das ações seriam utilizados para produzir cortes destinados às redes sociais.
“A extrema direita que lidamos hoje não se baseia em fatos, usam recortes de vídeos que servem de momentos virais para ganhar votos e disseminar o ódio às universidades públicas”, diz a nota.
Segundo o posicionamento, a orientação para que os estudantes não reagissem buscava evitar imagens que pudessem ser utilizadas para, nas palavras do departamento, “propagar a ideia de esquerda violenta e dramática”.
Enfrentamento ao fascismo
A União Nacional dos Estudantes (UNE) também se manifestou sobre a presença de Wilker no Instituto de Artes. Em vídeo publicado nas redes sociais, a entidade afirmou que participou, ao lado de estudantes do IdA, de uma mobilização em repúdio ao ex-estudante.
“Os estudantes do IdA, como forma de repúdio, pintaram as paredes que ele estava planejando fazer o seu ato de branco. Estão aqui repintando com palavras de repúdio contra o Wilker Leão”, afirmou uma representante da entidade.
No vídeo, a UNE acusou Wilker de utilizar o campus para produzir conteúdo destinado à sua atuação política. Segundo a entidade, o ex-estudante retornou para fazer “um palco para sua propaganda política”.
Ao final da manifestação, a representante defendeu a reação dos estudantes e classificou a universidade como um espaço de enfrentamento ao fascismo. “A Universidade de Brasília é um território antifascista, anticolonialista, e a gente não vai admitir que os fascistas se criem na nossa universidade”, declarou.
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