UnB repudia autoritarismo e violência após episódio envolvendo candidato a deputado federal e estudantes

Por Ana Gonçalves27/08/2026 às 20:442 visualizações

A Universidade de Brasília (UnB), o Departamento de Artes Visuais (VIS) e a União Nacional dos Estudantes (UNE) se manifestaram após um episódio envolvendo o ex-estudante e candidato a deputado federal Wilker Leão (Novo) no Instituto de Artes (IdA), no campus Darcy Ribeiro.

Em carta publicada nesta quinta-feira (27), a Reitoria reafirmou o compromisso da universidade com a democracia, a liberdade de expressão, a pluralidade e os direitos humanos e repudiou manifestações de caráter extremista e práticas de intimidação, perseguição, ameaça e incitação à violência.

A pluralidade de ideias e a liberdade de expressão não podem ser confundidas com violência, intimidação ou autoritarismo”, afirmou a universidade. O ex-aluno ficou conhecido por interromper aulas para gravar vídeos afrontando professores, a ponto de ser expulso em 2025 pelas gravações sem autorização.

A carta não cita Wilker nominalmente. No documento, a Reitoria afirma que está atenta a “esse tipo de provocação” e que medidas institucionais são adotadas sempre que necessário para proteger a comunidade acadêmica e garantir o funcionamento das atividades.

“A UnB é espaço de livre manifestação, debate e pensamento crítico. A pluralidade de ideias é princípio fundamental da vida universitária e pressupõe respeito à diversidade, à integridade das pessoas e à convivência democrática”, diz a nota.

A universidade encerra que seguirá “firme na defesa da democracia, da liberdade e da dignidade de todas as pessoas”.

Na quarta-feira (26), o candidato do Novo foi até a universidade para fazer campanha política, no entanto acabou protagonizando diversas discussões com estudantes da universidade, em um dos momentos ele agrediu um estudante e aponta legítima defesa. Em vídeo publicado no instagram, o candidato disse que “um esquerdista foi importuná-lo sexualmente” e que reagiu em legítima defesa. “Minha paciência com vocês está se esgotando quando vocês encostam em mim, se encostar vai tomar e eu não vou ser mais proporcional. (…) Esquerdista que vem encher o saco neste nível tem que tomar porrada mesmo e se você não aguenta mais a folga da esquerda você já sabe o que fazer”, diz o ex-estudante da UnB, que finaliza pedindo votos.

Departamento orientou estudantes a não reagirem

O Departamento de Artes Visuais da UnB afirmou que, diante do “ataque previsto”, os estudantes foram orientados a não se engajarem com Wilker e seus apoiadores. Segundo a nota, a Reitoria também acionou uma equipe de segurança para proteger o departamento.

“Por mais difícil que seja essa decisão, se chegar a isso, deixem que eles pintem os nossos muros. O intuito deles é de provocar uma reação que não daremos a eles”, afirmou.

O departamento também classificou o grupo como de extrema direita e afirmou que vídeos das ações seriam utilizados para produzir cortes destinados às redes sociais.

A extrema direita que lidamos hoje não se baseia em fatos, usam recortes de vídeos que servem de momentos virais para ganhar votos e disseminar o ódio às universidades públicas”, diz a nota.

Segundo o posicionamento, a orientação para que os estudantes não reagissem buscava evitar imagens que pudessem ser utilizadas para, nas palavras do departamento, “propagar a ideia de esquerda violenta e dramática”.

Enfrentamento ao fascismo

A União Nacional dos Estudantes (UNE) também se manifestou sobre a presença de Wilker no Instituto de Artes. Em vídeo publicado nas redes sociais, a entidade afirmou que participou, ao lado de estudantes do IdA, de uma mobilização em repúdio ao ex-estudante.

“Os estudantes do IdA, como forma de repúdio, pintaram as paredes que ele estava planejando fazer o seu ato de branco. Estão aqui repintando com palavras de repúdio contra o Wilker Leão”, afirmou uma representante da entidade.

No vídeo, a UNE acusou Wilker de utilizar o campus para produzir conteúdo destinado à sua atuação política. Segundo a entidade, o ex-estudante retornou para fazer “um palco para sua propaganda política”.

Ao final da manifestação, a representante defendeu a reação dos estudantes e classificou a universidade como um espaço de enfrentamento ao fascismo. “A Universidade de Brasília é um território antifascista, anticolonialista, e a gente não vai admitir que os fascistas se criem na nossa universidade”, declarou.


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Brasil de Fato
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