Adesão do Peru ao Escudo das Américas pode colocar as relações com a China?

12/09/2026 às 06:12915 Aufrufe
Foto: AVISO: midia estatal russa / Sputnik Brasil
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, concluiu a viagem de três dias pela América do Sul — que incluiu Colômbia e Equador — em Lima, com uma reunião de mais de uma hora no Palácio do Governo com o líder local.
A visita formalizou a entrada do Peru no Escudo das Américas, a coalizão de "segurança regional" contra o crime organizado transnacional, promovida pela Casa Branca, da qual já participam 14 governos latino-americanos.
No entanto, a chegada de Rubio colocou o Peru no centro das atenções de Washington e Pequim. Há alguns dias, o político norte-americano publicou um artigo de opinião em um jornal local, no qual dedica uma parte significativa a questionar a presença chinesa no país sul-americano.
No texto, ele afirmou que os projetos da China supostamente "contornam os marcos legais do Peru e ameaçam a transparência e a segurança de dados". Em contrapartida, apresentou o setor privado dos EUA como uma alternativa: um investimento "aberto e orientado para o mercado" que, segundo ele, preserva os direitos de propriedade peruanos e protege os interesses do país.
A China reagiu prontamente. Por meio de sua embaixada em Lima, defendeu o direito soberano dos países latino-americanos de escolherem livremente seus parceiros e desenvolverem sua cooperação externa com base em interesses nacionais, rejeitando qualquer tipo de pressão geopolítica.
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Panorama internacional
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A resposta soma-se às declarações anteriores de Pequim, que tem mantido a posição de que "o Hemisfério Ocidental não é quintal de ninguém". O dilema enfrentado pela diplomacia peruana não é novo, porém, hoje é mais complexo.
Alonso Cárdenas, cientista político e professor da Universidade Antonio Ruiz de Montoya, disse à Sputnik que o Peru precisa desenvolver uma estratégia diplomática cuidadosa para manter as relações comerciais com a China e o aspecto defensivo com os EUA, mas observou que o Estado está passando por uma grave fragilidade institucional.
"O grande risco é a precariedade institucional que se acelerou exponencialmente no Peru", alertou.
"Os interesses chineses e norte-americanos podem de fato entrar em conflito, pois ambos estão na corrida pela hegemonia global (...). Mas o Estado peruano sofreu uma perda hemorrágica de capacidade, talento e força institucional. O cenário internacional é muito complexo, mas o problema é a grave deterioração institucional", acrescentou.
Alguns analistas alertaram que, independentemente de qualquer afinidade ideológica que possa existir entre o ministro das Relações Exteriores, Carlos Espá, e Washington, a nação sul-americana não pode se dar ao luxo de colocar em risco sua relação com seu maior mercado de exportação. O desafio para o Ministério das Relações Exteriores é desenvolver, de forma urgente e simultânea, seu relacionamento com a China.
O ex-ministro das Relações Exteriores, Miguel Rodríguez Mackay, descreveu a adesão de Lima ao Escudo das Américas como um "ponto de virada positivo" na relação bilateral e considerou a medida racional, visto que a segurança é agora uma das principais preocupações do Estado. Mesmo assim, concordou que Lima deve manter uma posição de equilíbrio estratégico em relação a Washington e Pequim.
Em coletiva de imprensa, Fujimori destacou a troca de informações para combater o crime. A chefe de Estado lembrou a cooperação bilateral desenvolvida na década de 1990 — durante o governo de seu pai, Alberto Fujimori — contra o narcotráfico e a redução das plantações de coca, e negou a existência de qualquer ameaça à soberania nacional.
"Com relação à entrada de tropas estrangeiras, existe uma lei específica na Constituição. É necessário solicitar uma autorização especial ao Congresso; isso continuará sendo assim. A soberania do Peru está intacta; o que vamos recuperar aqui é a ordem, a tranquilidade e a paz para todos os peruanos", enfatizou.
Rubio, por sua vez, enfatizou que, durante 20 anos, os governos dos EUA negligenciaram a América Latina, enquanto que para a atual administração, liderada por Donald Trump, a região é uma prioridade. "Vamos garantir que os líderes que nos apoiam apresentem resultados", afirmou.
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