Lula promete reforma no Judiciário, com mudanças no critério de escolha e nos mandatos dos ministros do STF

16/09/2026 às 00:58116 visualizações
Presidente Lula durante entrevista para o Jornal da Record.
Presidente Lula durante entrevista para o Jornal da Record.
Brasil de Fato

O presidente e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva, disse, nesta terça-feira (15), em entrevista ao Jornal da Record, que pretende propor uma mudança no Poder Judiciário, discutindo mandatos e critérios de escolha dos juízes.

“Eu acho que nós temos que ter uma reforma profunda no Poder Judiciário, em que a gente discuta o tempo de mandato, o critério de escolher o candidato, como é que a pessoa pode ser escolhida”, disse o candidato, acrescentando que é preciso mudar o critério da escolha de outros juízes de outras instâncias. “Quem estiver no Poder Judiciário não pode querer ficar rico”, destacou.

Lula também criticou a mudança de regras ocorridas no Supremo Tribunal Federal (STF) que possibilitam a participação de parentes dos ministros em processos na Suprema Corte, como o caso que envolve o ministro Alexandre de Moraes e sua esposa Viviane Barci de Moraes, cujo escritório tinha contratos com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, preso por fraude bancária.

“As pessoas não podem estar no Poder Judiciário e um filho advogando, uma mulher advogando, o pai advogando na própria Suprema Corte. É preciso criar critério de moralização do Poder Judiciário brasileiro”, disse o candidato, destacando que a “Suprema Corte tem que ser o exemplo magnânimo desse país”.

Lula deu a declaração no dia em que o STF começou o julgamento sobre o vazamento de supostos diálogos entre Moraes e Vorcaro. Em uma sessão repleta de acusações e bate-boca, a Suprema Corte discutia a reunião ou não dos casos de Moraes e do ministro André Vorcaro, também citado no caso Master, quando o ministro Flávio Dino pediu vista.

Na mesma entrevista, Lula defendeu o julgamento de todos e disse que o presidente do STF, Edson Fachin, está “com o queijo e a faca na mão” para decidir.

Lula lembrou ainda que a primeira reforma no Poder Judiciário foi feita quando Márcio Thomaz Bastos era seu ministro da Justiça e Nelson Jobim era presidente do STF.

Como já disse em outras entrevistas, Lula apoia a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, em tramitação no Congresso Nacional, para delimitar com clareza “o papel da União, dos estados e das prefeituras na segurança”. O candidato disse ainda que pretende criar o Ministério da Segurança Pública e dobrar o efetivo da Polícia Federal e da Polícia Rodoviária Federal.

O petista definiu a educação como forma de prevenção ao crime. “Eu descobri que é muito mais barato gastar esse dinheiro [do orçamento] na educação. Um preso em São Paulo, em qualquer cadeia, custa R$ 35 mil por ano. Uma menina para fazer engenharia espacial na Universidade Federal do ABC custa só R$ 20 mil.”

Em relação à economia, o candidato afirmou que o Produto Interno Bruto (PIB) voltou a crescer acima de 3% no seu governo e apontou que a inflação acumulada em quatro anos é a menor da história recente e que a inflação de alimentos caiu de 56%, número do governo Bolsonaro, para 13%, no seu governo.

Lula criticou a autonomia do Banco Central, argumentando que a independência não resolveu os problemas econômicos. “Achavam que o Banco Central Independente ia resolver o problema do mundo, mas não resolve. O que resolve é o presidente da República eleito ter poder de interferir em algum momento da economia, coisa que nós não temos mais.”

Sobre o endividamento da população, Lula aponta que, dos 80% que estão endividados no Brasil, 29% estão inadimplentes e “que nós temos que saber como ajudar essas pessoas”.

Sobre educação, Lula destacou a criação de 200 campi universitários e 600 institutos federais em seu governo. “Eu, um torneiro mecânico, sem diploma universitário, vou passar para a história como o presidente que mais colocou jovem na universidade brasileira.”

“O nosso trabalho é para melhorar a qualidade, porque o Brasil não pode continuar sendo um país exportador de soja, de milho ou de minério de ferro. Nós queremos ser exportadores de inteligência, de conhecimento. E por isso nós vamos, nos próximos 10 anos, fazer um forte investimento em educação para que a gente coloque esse país num padrão internacional de altíssima qualidade, não devendo nada a nenhum outro país do mundo”, disse na conclusão da entrevista de 30 minutos.

Fonte
Brasil de Fato
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