Como vilarejo chinês de Guizhou transformou preservação ambiental em motor da agricultura e do turismo

Por Mauro Ramos11/09/2026 às 19:471 visualizações
Vilarejo de Leitun, no condado de Jinping, Região Autônoma de Qiangdongnan, na província chinesa de Guizhou
Vilarejo de Leitun, no condado de Jinping, Região Autônoma de Qiangdongnan, na província chinesa de Guizhou
Brasil de Fato

Leitun é um dos 15 vilarejos-piloto do condado de Jinping, escolhidos para o programa de revitalização rural integrada da província de Guizhou. Com 3,5 milhões de yuans (cerca de R$ 2,8 milhões) investidos, foram construídos quase quatro quilômetros de canais de irrigação, substituídas três bombas hidráulicas e pavimentados 1,6 quilômetros de estradas.

Entre os resultados estão o aumento da produção de arroz em 20% em comparação com o período anterior às obras e o crescimento da renda per capita dos moradores de 8 mil yuans (cerca de R$ 6.320) para 27.300 yuans (cerca de R$ 21.600) entre 2021 e 2025. A renda do turismo no vilarejo de 648 anos também foi impulsionada, que, por sua vez, aumentou em função das obras.

Long Haiyuan, secretário do comitê do Partido Comunista da China (PCCh) no vilarejo, afirmou ao Brasil de Fato que “as melhorias mais significativas foram no sistema de tratamento de esgoto, na rede de estradas pavimentadas e nos canais de irrigação”.

A pavimentação das estradas transformou também o escoamento da produção. “Quando construímos as primeiras vias de acesso residencial, alguns moradores cederam voluntariamente parte de seus terrenos, sempre que a estrada precisava passar por parte das terras”, diz Long. “Com o transporte melhorado, o cultivo de hortaliças floresceu: comerciantes de fora passaram a vir comprar a produção local diretamente.”

Zhu Xiang, morador de Leitun, conta que os moradores sempre se dedicaram ao cultivo tradicional de hortaliças e frutas. “O pepino é a hortaliça mais famosa daqui. Abastecemos os condados de Jinping e Liping, e por isso temos a reputação de terra de fartura”. A área cultivada ultrapassa 400 mu, cerca de 27 hectares. Com pouca terra disponível para expansão, o turismo rural começou a se tornar a principal atividade econômica.

Um banco de areia como atrativo turístico

O principal ativo do turismo é um banco de areia natural de quase 7 hectares no meio do rio Liangjiang. Na década de 1990, moradores extraíam e vendiam areia do local para garantir renda. A degradação levou o então secretário do comitê do Partido, Long Xiangyuan, a convocar uma assembleia em 2002, que aprovou uma norma comunitária proibindo a extração e criou um grupo de vigilância para coibi-la. Depois de mais de duas décadas de recuperação ecológica, o banco se tornou o eixo do turismo de Leitun.

“Ao longo de uma ou duas décadas, o país investiu pesado no apoio ao turismo rural aqui, com resultados sociais expressivos. A chegada de turistas se mantém alta em três das quatro estações, com o inverno sendo a única baixa temporada. O turismo trouxe crescimento de renda estável e expressivo para todos os moradores”, conta Zhu Xiang. Leitun recebe quase 200 mil visitantes por ano, oferecendo campings, esportes aquáticos e turismo cultural.

Cooperação Leste-Oeste

Parte dos investimentos em Leitun veio de fora da província de Guizhou. O programa Cooperação Leste-Oeste destina recursos de municípios mais desenvolvidos do litoral para municípios do interior do país. Desde 2021, o condado de Jinping recebe 55 milhões de yuans por ano (cerca de R$ 42 milhões) de Foshan, cidade industrial na província de Guangdong. Mais da metade vai para projetos produtivos.

Um dos projetos financiados pelo programa é a pousada Jianglu Gengdu Di, erguida com 16,8 milhões de yuans (cerca de R$ 13,3 milhões). A pousada repassa 25% da renda dos quartos e 10% da renda da área de alimentação ao caixa coletivo do vilarejo.

Em 2021, um plano diretor estabeleceu que todas as novas construções devem seguir o estilo tradicional do lugar. “A arquitetura tradicional de Leitun é dominada pelo estilo Huizhou, com telhas cinza-escuras, paredes brancas e muros em forma de cavalete”, explica Long.

Leitun foi fundada como guarnição militar na dinastia Ming, no século 14, e tem sido desde esse período lar das etnias Han, Miao e Dong. “Nossa prefeitura, a Prefeitura Autônoma Miao e Dong de Qiandongnan, tem culturas tradicionais Miao e Dong profundas e costumes folclóricos muito particulares”, diz Long. “O casamento interétnico entre moradores Han, Miao e Dong misturou e reconfigurou os costumes locais, formando características culturais integradas únicas”, destaca.

O governo central concedeu a Leitun cinco títulos nacionais: vilarejo modelo, turismo rural, florestal, cultura ecológica e área turística de nível 3A. O governo provincial de Guizhou incluiu Leitun entre os dez mais belos vilarejos da região.

“Lançamos o turismo rural em 2021, e ele se tornou um dos principais motores de crescimento de renda, principalmente por dois caminhos: o cultivo de hortaliças e as vendas a turistas que visitam o vilarejo para experiências culturais”, diz Long Haiyuan.

Fonte
Brasil de Fato
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