A trégua na chuva que atinge o Paraná nessa semana contribuiu para que apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva enchessem a Boca Maldita e parte do calçadão da rua XV de Novembro, em Curitiba (PR), na manhã deste sábado (12). O “bom dia, presidente Lula” ecoado por cerca de 15 mil pessoas marcou o retorno de Lula à capital.
A mesma saudação foi feita durante 580 dias em que o líder ficou preso na cidade – por um processo posteriormente anulado por provas inválidas. Agora, recepcionou o comício do atual presidente do Brasil e candidato à reeleição pela quarta vez.
O palco foi composto pelos candidatos ao Senado Gleisi Hoffman (PT) e Dr. Rosinha (PT) e o candidato a governador do estado, Requião Filho (PDT). O candidato a deputado federal e ex-governador do Paraná, Roberto Requião, e a primeira-dama, Janja Lula da Silva, também participaram da atividade.
De volta à capital paranaense após dois anos, Lula citou as investigações do caso do Banco Master para reafirmar seu compromisso no combate à corrupção e desmonte das operações de crime financeiro. Segundo o presidente, a retirada do sigilo das investigações envolvendo o Banco Master permitirá à população tirar suas próprias conclusões.

Desde semana passada, Lula conversou ao menos três vezes com o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, para defender a retirada do sigilo. “Não era possível um cidadão ministro relator soltar matérias pinçadas, que só interessavam a ele. Por isso eu pedi [a Fachin] que liberasse todo o processo para saber quem está por trás disso”, conta.
“Vamos deixar às claras para ver quem é ladrão e corrupto nesse país. E a família Bolsonaro não escapa”, declara. O também candidato à presidência, Flávio Bolsonaro (PL), é investigado por eventual lavagem de dinheiro no financiamento do Banco Master para a produção do filme “Dark Horse”. “Esse é o ano da verdade vencer a mentira”, comemora Lula.
O presidente também lembrou que as investigações de corrupção e fraude financeira do Banco Master aconteceram durante seu governo. “Em 2019, eles [governo Bolsonaro] pegaram um agiota e transformaram em banqueiro. Eles criaram um banqueiro e nós prendemos esse banqueiro. Eles abriram um banco, e nós fechamos esse banco”, aponta.
Outras operações realizadas durante seu mandato também foram citadas por Lula, como a que desmantelou o esquema de desvios no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Mais de 3 bilhões de reais já foram ressarcidos às pessoas aposentadas que tiveram descontos indevidos pelo esquema iniciado em 2019.
Em um eventual próximo governo, o presidente reafirmou, principalmente, o compromisso com a educação. O Programa Pé de Meia, criado em seu terceiro mandato, foi citado como exemplo de iniciativa que aposta no futuro dos jovens ao contribuir para diminuir a evasão escolar.

“Se a gente deixa um menino ou menina, com 14 ou 15 anos, desistir da escola, a gente estará entregando ao crime organizado, à bandidagem, à prostituição, o futuro dessas pessoas que não tiveram oportunidade. E quem tem que dar oportunidade é o Estado brasileiro”, argumenta.
Com o mesmo objetivo, o candidato afirmou o compromisso em estabelecer a universalização do ensino integral até o ensino médio: “Investir em um menino, para ele se formar, é o mais barato investimento que se faz porque o retorno é para o resto da vida, para a família dele e para o Estado brasileiro”.
Lula também destacou o número de universidades federais criadas durante governos do Partido dos Trabalhadores (PT) – foram ao menos 200 novos campi e universidades em 18 anos. O número de institutos federais também saltou de 140, em 2003, para 608. A meta, segundo ele, é chegar a 1 mil. “O futuro do país está na aposta que a gente faz na educação”, destaca.
Corrida eleitoral no Paraná
Para a candidata ao Senado, Gleisi Hoffmann, a eleição de Lula será a vitória contra o ódio: “Eles [a oposição] não pisam no chão onde está o povo brasileiro. Se pisassem, entenderiam por que Lula foi eleito três vezes presidente da república. Porque tem história. Porque esse projeto tirou o povo da miséria, devolveu a dignidade para a população. Esse projeto resgatou a nossa soberania e fez investimentos importantes nesse país”.
Para Dr. Rosinha, também candidato ao Senado, não há outro caminho que não conduzir o Brasil para a soberania. “A eleição do Lula não é uma simples eleição, que interessa só ao nosso país. Interessa à América, ao mundo. O presidente Lula é a principal liderança mundial para enfrentar a extrema-direita e o fascismo”, destaca. “A vitória que vamos dar ao Lula é uma vitória do mundo, do mundo democrático e que quer a esperança”, ressalta.
Requião Junior, candidato ao governo do estado, participou do comício junto do pai, Roberto Requião, e da mãe, Maristela Quarenghi. “O discurso do ódio aqui não se cria. Esse Paraná que cuida. Esse Paraná do leite das crianças. Esse Paraná que valoriza o policial, o professor, o agente de saúde, o trabalhador social, o pequeno produtor, o pequeno empresário. Esse Paraná que sabe o valor da sua gente e sabe que essa gente é feita de todos os cantos do Brasil”, defende.
Música e dança abriram o comício
Além das figuras públicas e candidatos, o comício levou ao palco artistas populares na capital paranaense. A cantora Jay de Oyá e integrante do bloco Afro Pretinhosidade abriram o evento, cantando jingles e canções.
O hino nacional foi entoado pela cantora e compositora Janine Mathias. “Eu senti uma alegria inenarrável, e eu senti também uma força ancestral ali comigo, que me ajudava a fazer o que eu queria. Eu sou mãe, eu sou artista, eu sou uma mulher negra em Curitiba, e estar ali representava muitas camadas de como estar e ser feliz num momento tão decisivo para nós, como trazer esse sentimento de liberdade de conquista nesse desafio que é lutar, e estar lutando todos os dias como a gente luta pela cultura. Da cultura do nosso país e por políticas públicas”, relatou a artista, emocionada.

Para Janine, a presença dela e de outros artistas negros no palco marcou o ato: “Eu acho que é um momento de demonstrar a prática das oportunidades que até o governo dele fala. Eu sou fruto de políticas públicas, a minha casa é do Minha Casa, Minha Vida, tantas coisas que o povo brasileiro hoje tem acesso foram através do nosso presidente, que nós vamos reeleger”, lembra.
Segundo a cantora, o Brasil vive um momento crucial, “mas nós vamos vencer. Foi essa energia que eu mentalizei, que eu coloquei e que pedi para que a minha voz trouxesse para todos nós”.
No momento do hino nacional, militantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) esticaram uma bandeira do Brasil com cerca de sete metros, que passou sobre o público. O jingle “Silva” teve coreografia no estilo streetdance apresentada por um grupo de dançarinos da cidade. Entre a multidão que acompanhava o ato, estavam muitos cartazes, bandeiras e bonecos com a imagem do presidente.

Caravanas de todo o Paraná
Após viajar na madrugada desde o município de Santa Maria do Oeste (PR), a trabalhadora rural Alessandra Brandt Mariano estava emocionada. Integrante do MST, ela veio do acampamento Vilmar da Silva para prestigiar o presidente. “Ele é a favor das nossas lutas. E este é um momento de muita luta. A oposição contra-atacando a gente, mas eu tenho fé que a gente vai vencer”, conta.

Questionada sobre o que a levou a participar do evento, a professora universitária aposentada Madselva Feiges foi enfática: “É a luta que eu sempre acreditei”, diz. “Eu defendo as universidades e as escolas públicas, políticas de saúde, políticas de segurança pública, a dignidade do trabalho, salários dignos… Tudo isso para a gente construir um Brasil mais justo, com igualdade social”, ressalta.
Para o coordenador do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), Rodrigo Zancanaro, Lula tem uma representação de resistência. Segundo ele, Lula, em seu terceiro mandato, conseguiu reestruturar ministérios e políticas que haviam sido desmontados no governo anterior.
O militante veio de Francisco Beltrão (PR), no Sudoeste do Paraná, para defender um novo mandato do presidente e “dar sequência nas políticas públicas e na garantia de direitos”. “A gente sabe que ainda tem bastantes desafios, precisamos avançar em bastantes questões, mas a gente entende que é com o presidente Lula que é possível avançar mais”, destaca.
