‘O renascimento do fascismo mostra crise da sociedade liberal’, afirma historiador

به قلم BdF Entrevista18/09/2026 às 00:4797 بازدید
Fuhrer und Duce in Munchen. Hitler and Mussolini in Munich, Germany, ca. June 1940. Eva Braun Collection. (Foreign Records Seized)
Fuhrer und Duce in Munchen. Hitler and Mussolini in Munich, Germany, ca. June 1940. Eva Braun Collection. (Foreign Records Seized)
Brasil de Fato

No dia 1º de setembro de 1939, a Alemanha nazista invadiu a Polônia e consolidou sua estratégia expansionista e hostil contra os povos do mundo. O fato marcou o início da Segunda Guerra Mundial, o maior conflito armado da história. Na avaliação do historiador João Claudio Pitilo, pesquisador da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), aspectos políticos, econômicos e sociais criaram terreno para o surgimento do nazifascismo na Europa.

Ao BdF Entrevista, Pitilo explica que havia um clima de ressentimento gerado pelo Tratado de Versalhes. “Países como a Itália e a Alemanha, que chegaram atrasados na partilha da África por conta da demora na sua unificação, ficaram alijados não só de matéria-prima, mas também de mercados para escoar sua produção”, aponta.

A crise gerada após a Primeira Guerra Mundial ficava cada vez mais agravada em meio ao desemprego e à degradação social, que afetavam sobretudo a juventude. Dessa forma, o fascismo se consolidou como um movimento de massa impulsionado pelo rechaço à política liberal. “O que foi imposto contra a Alemanha no final da Primeira Guerra Mundial, pelas potências capitalistas, isso foi algo atroz. Isso serviu para jogar gasolina na fervura de todo esse ressentimento”, pondera.

Segundo o historiador, países como Estados Unidos, França e Inglaterra também deram sua parcela de contribuição para que a Segunda Guerra eclodisse, já que toleraram e instrumentalizaram o crescimento do fascismo com o argumento de conter o avanço do socialismo soviético. “O surgimento do fascismo não os incomodou. Até porque eles tinham certeza de que poderiam domar e direcionar esse movimento fascista. As contradições estão no campo cultural, podem estar pontualmente em um ramo político, mas na seara econômica não existem contradições. A política econômica de Hitler, de Mussolini, se encontrava a política econômica dos Estados Unidos, da Inglaterra e da França”, pontua.

Extremismo hoje

Na geopolítica atual, João Claudio Pitilo afirma que a ascensão da extrema direita — como o governo Donald Trump, que tenta segurar as pontas do império em decadência, e movimentos conservadores como o AfD na Alemanha — reflete a crise do modelo neoliberal. No caso alemão, o historiador apontou que o aumento dos custos energéticos e a desindustrialização causados pelo alinhamento a Washington na guerra da Ucrânia criaram o terreno explorado pela extrema direita. “O renascimento do fascismo em vários lugares do planeta prova a crise dessa sociedade liberal”, resume.

Como resposta a esse cenário, o pesquisador ressaltou a construção do Brics e a parceria estratégica impulsionada pela China, que vem consolidando uma nova ordem mundial multipolar. O bloco se contrapõe aos EUA e vem ganhando força ao estruturar sistemas financeiros e acordos comerciais em moedas locais. “Nós estamos vendo o Brics forjar um polo multipolar alternativo que está em estágio de organização. E isso é um movimento imparável”, concluiu Pitilo.

Confira a entrevista completa abaixo:

Para ouvir e assistir

O BdF Entrevista vai ao ar de segunda a sexta-feira, sempre às 16h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo.

منبع
Brasil de Fato
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