Campanha de Flávio ignora relação com Vorcaro e tenta associar briga no STF a Lula

به قلم Dyepeson Martins16/09/2026 às 12:0064 بازدید
Membros da Comissão de Direitos Humanos do Senado Federal acompanham sessão do STF sobre ligação do ministro do STF Alexandre de Moraes e o caso Master
Membros da Comissão de Direitos Humanos do Senado Federal acompanham sessão do STF sobre ligação do ministro do STF Alexandre de Moraes e o caso Master
Agencia Publica

Enquanto a sessão histórica para apurar a conduta do ministro Alexandre de Moraes ocorria no Supremo Tribunal Federal (STF), nesta terça-feira, 15 de setembro, a campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República montou uma força-tarefa para tentar associar as acusações contra o magistrado ao presidente Lula (PT), candidato à reeleição. Manifestos, audiências públicas e até ameaças de obstrução do Congresso Nacional fizeram parte das ações. O fato do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, nome central das investigações da Polícia Federal no caso Master, ter realizado pagamentos a Flávio Bolsonaro para patrocinar o filme ‘Dark Horse’, no entanto, foi ignorado. 

Na tarde de segunda-feira (14), o senador Rogério Marinho (PL-RN) se reuniu com colegas da oposição no gabinete de uma das principais aliadas, a senadora Tereza Cristina (PP-MS). No mesmo dia, os parlamentares deram uma coletiva de imprensa para reforçar apoio irrestrito às ações do ministro André Mendonça, o “terrivelmente evangélico” indicado por Jair Bolsonaro em 2021. Ele é o responsável pela quebra de sigilo das mensagens entre Daniel Vorcaro, dono do banco Master, e Alexandre de Moraes.

Na terça-feira, dia da sessão no STF, a oposição se reuniu na Comissão de Direitos Humanos (CDH) do Senado para assistir e reagir à transmissão ao vivo da TV Justiça. Os parlamentares refutaram as falas dos ministros Alexandre de Moraes, Flávio Dino e Gilmar Mendes. Eles defenderam uma votação em conjunto com o caso de André Mendonça sobre possíveis irregularidades à frente da relatoria do Caso Master. 

Nada ficou decidido na sessão porque o ministro Flávio Dino pediu vistas do processo, após bate-boca entre os ministros Gilmar Mendes e André Mendonça. Com isso, os ministros da Corte terão mais tempo para analisar o caso. Antes do encerramento, Cármen Lúcia, a única mulher integrante da Corte, manifestou voto favorável ao julgamento de Moraes de forma isolada, pediu desculpas ao povo brasileiro por não ter ajudado a resolver a crise institucional antes e ainda classificou como “espetacularização” as discussões protagonizadas pelos magistrados. 

Os milhares de reais de Vorcaro a Alexandre de Moraes e a Flávio Bolsonaro

Segundo a suspeita apresentada ao plenário do STF pelo ministro André Mendonça, Daniel Vorcaro teria enviado 52 mensagens a Moraes, incluindo questionamentos sobre iminentes operações policiais e a respeito de possíveis mandados de busca, apreensão e bloqueio de bens. Moraes também supostamente atuou na edição de um contrato de R$ 130 milhões firmado entre Daniel Vorcaro e o escritório advocatício da esposa do ministro, Viviane Barci de Moraes. O valor se aproxima dos R$ 134 milhões pedidos ao ex-banqueiro por Flávio Bolsonaro para financiar o filme Dark Horse, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), preso em regime domiciliar, condenado por tentativa de golpe de Estado. 

Rogério Marinho conversou com a imprensa após o encerramento da sessão no STF. Inicialmente, tentou não associar a campanha eleitoral às ações no parlamento – em recesso eleitoral, para que os senadores deem atenção às bases eleitorais nos respectivos estados. Porém, após ser confrontado por jornalistas, Marinho disse que o desgaste de Lula com o julgamento de Moraes seria uma “consequência” dos acontecimentos. Ele ainda fez referência às ações de Moraes contra os presos pela tentativa de golpe de Estado, em 8 de janeiro de 2023, para dizer, sem provas, que o ministro e o presidente Lula mantêm relação de amizade. 

O senador reforçou o discurso de Flávio Bolsonaro sobre a relação com o empresário Daniel Vorcaro, do banco Master. Segundo ele, tudo não passou de uma relação contratual privada. As investigações da PF apontam, entretanto, para uma interlocução direta entre o filho 01 de Jair Bolsonaro e o ex-banqueiro para a obtenção de um patrocínio velado, sem qualquer divulgação no filme. Além disso, o candidato ao Planalto admitiu ter visitado Vorcaro no final de 2025, após a primeira prisão de Vorcaro, que já cumpria medidas cautelares e utilizava tornozeleira eletrônica. 

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