Embaixador brasileiro em Havana defende cooperação, amizade e solidariedade com Cuba

Di Eugênio Bortolon22/09/2026 às 15:2340 visualizzazioni
O embaixador brasileiro em Cuba, Christian Vargas, em solenidade da inauguração da Casa Brasil em Havana
O embaixador brasileiro em Cuba, Christian Vargas, em solenidade da inauguração da Casa Brasil em Havana
Brasil de Fato

O embaixador brasileiro em Cuba, Christian Vargas, exaltou em solenidade da inauguração da Casa Brasil em Havana (17/9) as relações baseadas no respeito mútuo, no estrito respeito e cumprimento dos direitos internacionais e na defesa intransigente da soberania. “Brasil e Cuba defendem a não ingerência em assuntos internos de outros países e têm um histórico de diálogo e cooperação”, garantiu. “Entrego esta casa como um monumento à amizade, solidariedade entre os povos, mas principalmente uma homenagem à esperança.”

Nascido em Porto Alegre, Christian Vargas ocupa o cargo de Embaixador do Brasil em Cuba desde o ano de 2023. Formado em Letras pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), fez cursos de especialização na Universidade de Harvard e no Collège d’Europe, na Bélgica.

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Começou a sua carreira diplomática em 1994, e já foi Ministro-Conselheiro nas embaixadas do Brasil em Washington, nos Estados Unidos, em Moscou, na Rússia e Chefe da Assessoria Internacional do Ministério de Minas e Energia. Dirigiu ainda a Coordenação-Geral da Organização dos Estados Americanos (OEA). Ele foi aprovado pelo Senado Federal para a embaixada de Havana em 11 de maio de 2023 por 17 a 1.

A herança africana une os dois países

No seu discurso na solenidade, Vargas ressaltou também a amizade entre os dois povos, “fruto em grande medida da herança africana que compartilhamos e nos fazem tão iguais em nossa forma de ser e parecer, nas nossas práticas religiosas, na nossa culinária e na nossa sensibilidade artística e musical, em nossa diversidade e nos nossos afetos”. 

A inauguração serviu também para comemorar os 120 anos das relações Brasil-Cuba, só interrompidos na ditadura militar (1964–1985) e os 40 anos do restabelecimento, além dos 100 anos de nascimento de Fidel Castro, o líder máximo da revolução cubana em 1959. “Esta casa é um sonho de mais de 30 anos e que compartilhamos de comum acordo.”, afirmou o embaixador. A Casa Brasil em Havana fica na Calle Amargura, 56, entre as ruas Mercaderes e San Ignacio, em Havana. A casa é pintada de amarela e tem janelas azuis e possui jardins verdes.

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Na sua fala, Vargas destacou o trabalho de Perla Rosales, diretora adjunta do Escritório do Historiador de Havana (instituição governamental cubana responsável por planejar, gerenciar e executar a restauração e a preservação do Centro Histórico de Havana, Patrimônio Mundial da UNESCO), ressaltou a importância e os sonhos das duas nações em se unirem em vários campos sociais, culturais e econômicos.

Destacou também que este era mais um sonho realizado de Eusébio Leal, que havia defendido a ideia de uma instituição cultural brasileira em Havana. Leal foi um renomado historiador, escritor e intelectual, famoso por liderar a restauração e a preservação do centro. 

Fortalecimento das cooperações

Segundo informa Maria Auxiliadora César, professora emérita da UNB (Universidade Nacional de Brasília) e moradora de Havana, a cerimônia teve a presença de grande número de membros da comunidade brasileira, diplomatas de diversos países, dirigentes do governo cubano, intelectuais, artistas, acadêmicos das universidades locais.

Receberam homenagem especial, durante o evento, os embaixadores brasileiros Ítalo Zappa e Jorge Bolaños, que tiveram papel fundamental nas negociações para Cuba e Brasil caminharem lado a lado. Ele também prestou homenagem ao falecido Raúl Roa Kourí, que também foi representante diplomático cubano em Brasília. Os três tiveram um papel importantíssimo no fortalecimento e na cooperação entre os dois países.

Ítalo Zappa, que este ano também completou 100 anos, dedicou seus melhores esforços diplomáticos no reconhecimento da independência dos países africanos nos anos 70, ao restabelecimento das relações com a China e nas relações com países do hoje chamado Sul Global.

“Uma verdadeira Gaza silenciosa”

A ideia de um centro cultural brasileiro em Havana, segundo o informativo CubaDebate, foi definida desde a década de 1990 por membros dos movimentos de solidariedade brasileira em Cuba. Entre os quais se destacam a figura de Hélio Dutra, que morou em Havana e residiu por lá por quase 60 anos, desde 1945 até o seu falecimento em 2004, aos 96 anos.

Hélio Dutra é o único brasileiro que descansa no Panteão dos Emigrados Revolucionários no Cemitério de Colón, em Havana. Dutra foi durante todo o tempo da sua estada por lá uma referência e um porto seguro para todos os brasileiros que passaram pela ilha caribenha. Ele tem hoje o epíteto de o “Mais brasileiro dos cubanos e o mais cubano dos brasileiros”.

O projeto teve também um antecedente importante, o Rincón Brasil, espaço que existiu por 15 anos – 2010/2025 – e teve também a participação importante da professora Maria Auxiliadora César, uma das forças inspiradoras da Casa Brasil e também diretora do local. 

No final da sua manifestação, Vargas também destacou a situação dramática que Cuba vive no momento. “Vivemos em nosso dia a dia um período complexo e difícil, marcado pelo recrudescimento sem precedentes de sanções unilaterais, pressões inaceitáveis e ameaças a todo dia”, afirmou. “A postura do Brasil é bem conhecida e reiteramos isso constantemente para toda a comunidade internacional e nas Nações Unidas. Rechaçamos firmemente a aplicação de medidas coercitivas unilaterais, que são ilegais e ilegítimas. Expressamos nossa dor pelos impactos humanitários derivados do brutal e imoral bloqueio econômico, comercial e financeiro contra Cuba, que está convertendo essa ilha em uma verdadeira Gaza silenciosa.” 

Fonte
Brasil de Fato
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