ECA ressalta segurança rodoviária como prioridade econômica em África

11/09/2026 às 12:000 visualizações
Sistema de certificação garante que os capacetes disponíveis no mercado cumpram as normas da ONU
Sistema de certificação garante que os capacetes disponíveis no mercado cumpram as normas da ONU
Foto: Banco Mundial/Stephan Gladieu / ONU Noticias
ECA ressalta segurança rodoviária como prioridade econômica em África
11 Setembro 2026 Desenvolvimento econômico

Agências apontam que a fiscalização e o acesso a capacetes certificados podem salvar vidas de forma rápida e a baixo custo; é necessária determinação para agir em larga escala e com urgência. Para a ONU, os acidentes de viação são uma pandemia silenciosa e a liderança política pode quebrar esse ciclo. 

A Comissão Econômica para a África, ECA, considera fundamental reformular a segurança rodoviária como um investimento que protege o capital humano e apoia o crescimento da economia. 

A ideia surge numa altura em que as ocorrências diárias de acidentes de viação no continente transformam famílias e sobrecarregam comunidades e sistemas de saúde, exigindo medidas urgentes face à rápida urbanização e ao aumento da motorização. 

Moto-táxis 

Inverter esta trajetória requer a combinação adequada de vontade política, investimentos e ações coordenadas. Para a ECA, abordar a segurança rodoviária não é apenas um imperativo moral, mas uma necessidade econômica que visa proteger vidas, preservar o capital humano e salvaguardar as conquistas do desenvolvimento. 

Banco Mundial/Stephan Gladieu Sistema de certificação garante que os capacetes disponíveis no mercado cumpram as normas da ONU
Banco Mundial/Stephan Gladieu Sistema de certificação garante que os capacetes disponíveis no mercado cumpram as normas da ONU
Banco Mundial/Stephan Gladieu Sistema de certificação garante que os capacetes disponíveis no mercado cumpram as normas da ONU

No Ruanda, a parceria entre a ECA e a Federação Internacional do Automóvel ajudou a levar a regulamentação nacional e a capacidade de testes da fase de compromisso para a de implementação, tornando o programa de capacetes um exemplo concreto. 

Exemplo a seguir 

Para o chefe da Divisão de Desenvolvimento do Setor Privado e Finanças, Robert Lisinge, o Ruanda demonstrou que a mudança é possível: “Um padrão único, um selo de certificação e uma fiscalização consistente estão a transformar a realidade, oferecendo um modelo que o resto do continente pode seguir.” 

O sistema de certificação garante que os capacetes disponíveis no mercado cumpram as normas das Nações Unidas. 

Um inquérito apurou que 98,7% dos motociclistas e passageiros usavam capacete no Ruanda, mas apenas 71% os utilizavam corretamente, e mais de um terço dos capacetes em uso apresentavam danos visíveis. 

O registo de mortes no trânsito por 100 mil habitantes é de cerca de 11,6 no país, enquanto a média continental é de cerca de 19. 

Prestação de contas 

Segundo especialistas, a certificação e a fiscalização são fatores que transformam o uso do capacete numa proteção real, e a consequente alteração da procura do mercado por capacetes certificados demonstra que a oportunidade de fabrico local já está a concretizar-se. 

Minusca/Biliaminou A. Alao Acidentes rodoviários consomem entre 3% e 5% do rendimento anual de muitos países africanos
Minusca/Biliaminou A. Alao Acidentes rodoviários consomem entre 3% e 5% do rendimento anual de muitos países africanos
Minusca/Biliaminou A. Alao Acidentes rodoviários consomem entre 3% e 5% do rendimento anual de muitos países africanos

A ECA mostra-se disposta a promover a aprendizagem entre pares, ligando agências de segurança rodoviária, organismos de normalização e ministérios das Finanças para que o que funcionou num país oriente a implementação noutro.

As ações incluem elevar a segurança rodoviária na agenda de desenvolvimento de África, ajudar a colmatar lacunas de financiamento e impulsionar a implementação. 

Para a comissão, o progresso não deve ser medido apenas pela redução de mortes e ferimentos; os capacetes, que custam cerca de US$ 20, representam uma solução simples e eficaz, capaz também de estimular o fabrico local e criar oportunidades de mercado no continente. 

Medidas de proteção 

Incluir dois capacetes na compra de qualquer motociclo pode reduzir de forma significativa o número de mortes e ferimentos. Em paralelo, sistemas de dados mais robustos e monitorização regional serão cruciais para garantir um impacto real. 

Estima-se que os acidentes rodoviários consumam entre 3% e 5% do rendimento anual de muitos países africanos. A situação está a drenar a produtividade, sobrecarregando os sistemas de saúde e atrasando o desenvolvimento; a saída seria encarar a segurança rodoviária como uma prioridade econômica central. 

As ocorrências ceifam mais de 1,2 milhão de vidas por ano em todo o mundo, deixando milhões de feridos, sendo a principal causa de morte entre os jovens em África.

Fonte
ONU Noticias
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