A solicitação tem como base informações divulgadas pela imprensa sobre a atuação da Rockbridge Network, rede de financiadores políticos dos Estados Unidos. No documento, Lindbergh afirma que as acusações públicas justificam uma investigação formal.
Segundo ele, o caso envolve uma disputa entre candidatos à Presidência e, por isso, tanto a eventual entrada irregular de recursos estrangeiros quanto uma possível acusação falsa de crime contra Flávio deveriam ser apuradas.
Durante sabatina no UOL, o candidato à Presidência pelo partido Missão, Renan Santos, afirmou que a Rockbridge teria oferecido apoio a candidaturas brasileiras e posteriormente ingressado na campanha de Flávio. "Eu tenho provas da relação do grupo que envolve o senhor Tallis Gomes, um coach empresarial ligado ao Flávio Bolsonaro, com um rapaz chamado Pedro Sang e outras pessoas com a Rockbrige nos Estados Unidos."
O documento também menciona declarações do ex-deputado estadual Arthur do Val (Missão) sobre supostos recursos estrangeiros destinados a campanhas brasileiras. Lindbergh destaca que os citados nas reportagens negaram a existência de repasses, embora tenham confirmado contatos, reuniões e viagens relacionadas à Rockbridge.
A legislação brasileira não permite que campanhas eleitorais recebam "doações em dinheiro ou estimáveis em dinheiro provenientes de entidade ou governo estrangeiro".
Viagens e contatos com a Rockbridge
Segundo a ação enviada pelo deputado petista, Pedro Sang confirmou manter contato com a empresa estadunidense, mas negou ter intermediado recursos para campanhas políticas. Ele afirmou ter se aproximado da Rockbridge por meio de André Marinho (Novo), candidato ao governo do Rio de Janeiro e filho de Paulo Marinho, suplente de Flávio no Senado.
André Marinho, de acordo com o documento, confirmou ter conhecido Chris Buskirk, um dos fundadores da Rockbridge, e viajado a Dallas, nos Estados Unidos, a convite da organização. Segundo ele, a viagem teve como objetivo conhecer a entidade e avaliar uma possível instalação no Brasil.
Tallis Gomes, apontado como responsável por aproximar a Rockbridge do Brasil, também negou ter atuado para levantar recursos para a campanha de Flávio. De acordo com o documento apresentado ao STF, ele afirmou dialogar com diferentes campanhas sem adesão formal a nenhuma delas.
Lindbergh pede que Renan Santos e Arthur do Val sejam ouvidos para apresentar os elementos que fundamentaram as acusações. Também solicita os depoimentos de Tallis Gomes, Pedro Sang e André Marinho sobre a natureza dos contatos, das viagens e das reuniões com integrantes da rede norte-americana.
Pedido inclui dados financeiros e eleitorais
Entre as diligências solicitadas está o acesso às prestações de contas da campanha presidencial de Flávio e do diretório nacional do PL, com informações sobre doadores, fornecedores e repasses internos. O deputado também pede ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) relatórios de inteligência financeira sobre Tallis Gomes, Pedro Sang e duas empresas ligadas a Sang.
Outra medida solicitada é a obtenção, na Polícia Federal (PF), dos registros de entrada e saída do país das pessoas citadas nas reportagens, incluindo informações sobre viagens internacionais e seus respectivos pagadores.
Lindbergh ainda pede cooperação jurídica com os Estados Unidos para obter informações sobre a Rockbridge, seus dirigentes, suas subsidiárias e eventuais transferências de recursos para o Brasil ou pessoas ligadas ao país.
O documento também sugere a análise de contratos de serviços da campanha nas áreas de marketing digital, produção de conteúdo, tecnologia e infraestrutura de dados, com o objetivo de verificar a compatibilidade entre os valores declarados e os preços praticados.
Por fim, o deputado solicita que a Procuradoria-Geral da República (PGR) avalie a abertura de investigação e que, caso o STF entenda não ser competente para analisar o caso, os autos sejam encaminhados às autoridades eleitorais responsáveis.
A campanha de Flávio ainda não se manifestou sobre a acusação.



