China e EUA negociam redução de tarifas antes de visita de Xi Jinping a Washington no final do mês

Por Mauro Ramos11/09/2026 às 13:120 visualizações
Ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi e secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio se reúnem em paralelo a uma série de reuniões da Asean em Manila, Filipinas - 22 de julho de 2026.
Ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi e secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio se reúnem em paralelo a uma série de reuniões da Asean em Manila, Filipinas - 22 de julho de 2026.
Brasil de Fato

China e Estados Unidos estão em negociações para reduzir, de forma recíproca, tarifas que poderiam atingir US$ 30 bilhões (cerca de R$ 174 bilhões) em produtos, segundo a porta-voz do Ministério do Comércio da China, Huang Ling, em coletiva na quinta-feira (10). O anúncio é feito próximo à visita do presidente Xi Jinping a Washington, que, segundo a imprensa estadunidense, deve ocorrer no próximo dia 24.

Segundo Huang, as equipes econômicas e comerciais dos dois países cumprem o consenso alcançado pelos dois chefes de Estado em maio, em Pequim. O objetivo é que as reduções entrem em vigor “o quanto antes”.

O comércio entre ambos os países tem crescido no último período. De janeiro a agosto deste ano, o intercâmbio comercial foi de 2,76 trilhões de yuans (cerca de R$ 2,4 trilhões), o que representa uma alta de 1,3% em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo dados da Administração Geral de Alfândegas.

Sanções dos EUA não param

Mesmo com negociações para redução de tarifas, os Estados Unidos têm mantido uma política quase permanente de novas sanções. No dia 31 de julho, o Departamento de Segurança Interna dos EUA (DHS, na sigla em inglês) colocou mais de 40 entidades chinesas na lista da chamada “Lei de Prevenção do Trabalho Forçado Uigur“, logo após uma videoconferência entre os principais negociadores comerciais dos dois países.

O Ministério do Comércio da China considerou a medida um “típico ato de coerção econômica” e afirmou que ela prejudica “gravemente os direitos e interesses legítimos das empresas envolvidas e perturba seriamente a estabilidade das cadeias industriais e de suprimentos globais”.

Em julho, a Comissão Federal de Comunicações (FCC, na sigla em inglês) acrescentou equipamentos robóticos avançados e inversores de energia à lista de produtos banidos do mercado estadunidense. Para o Ministério do Comércio, a medida “abusa do conceito de segurança nacional” e discrimina produtos chineses, tentando aparentar neutralidade. A China respondeu com contramedidas, entre elas restrição às exportações de drones e componentes para os EUA e abertura de investigação de segurança nacional sobre equipamentos de impressão e cópia importados.

O escritório do Representante Comercial dos EUA aplicou ainda tarifas de 12,5% sobre produtos chineses, amparadas em investigação da Seção 301 sob alegação de “trabalho forçado”. O ministério afirmou reservar o direito de “tomar todas as medidas necessárias” e instou os EUA a retirarem as tarifas.

Fonte
Brasil de Fato
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