Em 1989, a TV Globo decidiu uma eleição no Brasil, usando um debate entre candidatos ao Palácio do Planalto, e entregou a faixa presidencial para Fernando Collor de Melo, que disputava o pleito contra Luiz Inácio Lula da Silva. A edição do encontro entre os candidatos foi fatal para o destino do petista e o caçador de marajás das Alagoas subiu a rampa.
Trinta e sete anos depois, Lula disse “não” ao debate organizado pela emissora da Família Marinho e desprezou o pretenso alcance de sua audiência. No mesmo horário, deu sua última entrevista antes da eleição do próximo domingo (4) para um dos podcasts de maior audiência do país, o Flow.
A entrevista com Lula alcançou o pico de 1,6 milhão de espectadores simultâneos, estabelecendo o novo recorde do podcast. A marca anterior pertencia à transmissão de 2022, na qual Igor Coelho conversou com o político durante a corrida eleitoral, atingindo 1,05 milhão de acessos ao mesmo tempo.
A audiência da Globo teria potencial para um alcance ainda maior numericamente. Mas, a resposta de Lula foi política e ele sabe que a emissora não detém mais o monopólio da informação e da opinião pública no país. Se ainda detém a maior audiência, hoje não é incontestável.
O desprezo de Lula pelo palco da TV Globo foi sentido nos corredores dos estúdios em Curicica (RJ). A ausência do petista motivou a desistência de Flávio Bolsonaro (PL). O bolsonarismo há anos não respeita o alcance da emissora carioca.
Sem os dois principais presidenciáveis, a TV Globo teve que cancelar o debate presidencial pela primeira vez em sua história. Do lado de fora, na chuva, gritava Renan Santos (Missão), o único presidenciável que desejou muito esse debate.
Lá dentro, jornalistas constrangidos tentavam explicar o desprezo de Lula e Flávio Bolsonaro pela emissora. Tática eleitoral? Medo do eleitor? Não importa o argumento. Fato é que não se teme mais a Globo como em 1989.
