Governo federal anuncia novos investimentos para sistema de proteção da região Metropolitana de Porto Alegre

14/09/2026 às 19:480 visualizações
o governo federal disponibilizou R$ 6,5 bilhões ao RS para o estado desenvolver obras de prevenção climática. Em visita ao estado na última sexta-feira (11/9), o presidente Lula cobrou celeridade na liberação de recursos
o governo federal disponibilizou R$ 6,5 bilhões ao RS para o estado desenvolver obras de prevenção climática. Em visita ao estado na última sexta-feira (11/9), o presidente Lula cobrou celeridade na liberação de recursos
Brasil de Fato

O Rio Grande do Sul deve ampliar a estrutura de proteção contra enchentes com novos investimentos anunciados pelos governos federal e estadual. Entre as principais obras está a construção de um sistema de proteção em Eldorado do Sul, na região Metropolitana de Porto Alegre, estimado em R$ 1 bilhão. O anúncio ocorre após novos episódios de chuva intensa e alertas para elevação dos níveis dos rios Taquari e Caí.

O projeto de Eldorado do Sul prevê 8,6 quilômetros de estruturas de proteção no entorno do município, além de quatro casas de bombas, quatro reservatórios e um novo sistema de drenagem. Do total previsto, R$ 300 milhões serão destinados pelo governo estadual e aproximadamente R$ 700 milhões pela União.

O projeto ainda está na fase de preparação. Até o anúncio dos recursos, o edital para a contratação do projeto executivo e das obras ainda não havia sido publicado. O governo estadual prevê que os trabalhos comecem em 2027, com uma estimativa de conclusão em um período de três a quatro anos.

Projeto foi revisado após enchentes de 2024

Após as enchentes de 2024, o sistema de proteção de Eldorado do Sul teve que ser reestruturado. A revisão feita pelo governo estadual modificou o projeto original com base na atualização dos parâmetros hidrológicos.

Em agosto, Pedro Capeluppi, secretário da Reconstrução Gaúcha, declarou que as alterações foram imprescindíveis em função das características da enchente de 2024. As condições do solo da região também são levadas em consideração no novo projeto.

Segundo o pesquisador Maurício Paixão, do Instituto de Pesquisas Hidráulicas (IPH) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), os solos moles existentes no entorno de Eldorado do Sul tornam a construção de estruturas mais altas uma tarefa complexa. Um projeto inadequado, segundo o pesquisador, poderia sofrer problemas de estabilidade e afundamento.

Lula cobra agilidade na aplicação dos recursos

Na sexta-feira passada (11), durante uma visita ao Rio Grande do Sul, em uma agenda com o governador Eduardo Leite, em Canoas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva exigiu que os fundos destinados à prevenção de desastres climáticos fossem liberados mais rapidamente.

Lula questionou a lentidão na conversão dos R$ 6,5 bilhões destinados ao estado em obras concretas. O presidente afirmou que a população precisa compreender por que os recursos anunciados para mitigar os impactos das enchentes ainda não foram totalmente transformados em ações.

O governador Eduardo Leite declarou que a demora não deve ser vista como uma questão de culpa, mas sim de responsabilidade. De acordo com ele, projetos de grande escala precisaram ser reavaliados após a magnitude das enchentes de 2024.

Além de Eldorado do Sul, o governo federal destinou fundos para obras de proteção em Porto Alegre, Canoas e São Leopoldo. Lula autorizou um total de R$ 1,5 bilhão para ações na região Metropolitana.

Novas cheias aumentam pressão por prevenção

A demanda por expandir os sistemas de proteção surge em meio a uma série de episódios de chuvas fortes no estado. No final de agosto, a Defesa Civil emitiu um aviso sobre o perigo de alagamentos, inundações e cheias em várias áreas do Rio Grande do Sul.

Os rios Caí e Taquari figuravam entre os principais focos de atenção. O aumento dos níveis desses rios poderia impactar o Guaíba, elevando o perigo de inundações em regiões de Porto Alegre.

Masato Kobiyama, pesquisador do IPH da UFRGS, defende que as entidades responsáveis pelo monitoramento e pela Defesa Civil devem atuar de maneira integrada e atualizar regularmente as informações sobre as condições hidrológicas.

Para o pesquisador, a prioridade dos sistemas de gestão de risco deve ser evitar mortes. Em situações de risco elevado, ele defende que moradores de áreas próximas aos rios ou localizadas em regiões mais baixas sejam retirados preventivamente antes da chegada dos eventos extremos.

Reconstrução entra em nova etapa

Desde as enchentes de 2024, a União destinou dezenas de bilhões de reais ao Rio Grande do Sul para ações de reconstrução, habitação, crédito, recuperação de infraestrutura e auxílio às famílias atingidas.

Agora, parte dos investimentos está voltada à prevenção de novos desastres. A estratégia inclui a construção e recuperação de diques, casas de bombas, reservatórios e sistemas de drenagem.

A efetividade dessas medidas, porém, dependerá da conclusão dos projetos, da realização das licitações e da execução das obras. Enquanto os investimentos avançam, o estado continua exposto a novos episódios de chuva intensa, mantendo a prevenção entre as principais demandas para reduzir os impactos de futuras enchentes.

Fonte
Brasil de Fato
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