Após as declarações de Von der Leyen, o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, afirmou que uma possível entrada representaria um passo para que o país expanda seus horizontes econômicos, além de torná-lo menos vulnerável à coerção de outras nações.
Horas após o discurso da presidente da Comissão Europeia, presidente dos EUA, Donald Trump, considerou a aproximação como um "ato hostil" e ameaçou impor "sérias cifras" tarifárias e até suspender seu comércio com a Europa.
Carney vem trocando rusgas com a administração Trump, que em repetidas ocasiões manifestou que a nação vizinha deveria se unir ao seu país como o 51º estado. Trump também minimizou o impacto das alianças comerciais binacionais.
'É uma estratégia geopolítica'
Em conversa com a Sputnik Oliver Santín Peña, doutor em Ciências Políticas e integrante do Centro de Investigações sobre a América do Norte da UNAM afirmou que Carney tem em sua estratégia geopolítica atuar em "total coordenação com os governos europeus para exercer pressão sobre a administração Trump".
Além disso, Carney receberá os líderes do Velho Continente no final do mês de outubro em Montreal para discutir a fundo a proposta, a qual ainda não foi formalizada. A esse respeito, o doutor Santín Peña indicou que a reação de Trump é um triunfo para Bruxelas e para Ottawa. "Foi o efeito que esperavam [...] Mark Carney é o bispo do globalismo financeiro para enfrentar Donald Trump", sentenciou o analista.
O que acontecerá com o T-MEC?
O que acontecerá com o T-MEC?
Sobre o tratado de livre comércio entre EUA, Canadá e México (T-MEC), que já dura 30 anos, Santín Peña afirmou que "se as coisas seguirem este rumo, tudo parece indicar que os acordos seriam bilaterais".
A respeito da aproximação de Carney com a UE, a presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, disse respeitar a decisão, mas deixou claro que a prioridade comercial do México está com seus vizinhos do norte.
Sheinbaum também reiterou que o tratado está sendo revisado, não renegociado, já que "o tratado é lei" e, portanto, está confiante de que ele permanecerá em vigor, pois é benéfico para as três nações. A administração mexicana, considerou o analista, está de mãos atadas nesse processo:
"O que o México tem que fazer é se manter à margem porque, afinal, o conflito do Canadá com os Estados Unidos em matéria comercial acaba beneficiando o nosso país", assinalou.
Um exemplo é o setor automotivo, no qual as indústrias estão entrelaçadas; no entanto, uma falta de acordos entre Washington e Ottawa poderia gerar que o México expanda suas cadeias produtivas e seu desenvolvimento de tecnologia para poder suprir alguns setores diante de uma iminente elevação de custos.
A grande definição
As eleições intermediárias estadunidenses em novembro próximo será um termômetro político para o oficialismo e motivo por que a administração Trump tem usado o México e o Canadá como isca, opinou o especialista.
O próximo processo eleitoral, acrescentou, deve determinar o futuro do tratado de livre comércio entre as nações da América do Norte.
"Se Donald Trump perder a maioria em alguma das duas câmaras, vai ter que começar a negociar sob outros parâmetros com o governo do Canadá."


