Mulheres são maioria do eleitorado gaúcho, mas só três disputam as duas vagas do estado no Senado

Por Marcela Brandes23/09/2026 às 19:3528 visualizações
Eleitoras somam 53% dos 8,5 milhões de pessoas aptas a votar no Rio Grande do Sul em 4 de outubro, segundo o TRE-RS
Eleitoras somam 53% dos 8,5 milhões de pessoas aptas a votar no Rio Grande do Sul em 4 de outubro, segundo o TRE-RS
Brasil de Fato

O Rio Grande do Sul vai às urnas em 4 de outubro com 8.526.233 eleitores aptos, segundo o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RS). As mulheres são 53% desse total. Além de presidente, cada eleitor e eleitora escolhe governador, deputado federal, deputado estadual e, este ano, dois senadores. Das 13 candidaturas registradas para o Senado no estado, apenas três são de mulheres.

As disputas pela Presidência e pelo governo estadual ocupam a maior parte do debate público, enquanto cargos legislativos recebem menos atenção. Nas redes sociais, circulam vídeos que propõem que eleitores de direita, de esquerda ou de centro votem apenas em mulheres para o Legislativo. Quem defende a proposta argumenta que o Congresso tem hoje baixa presença feminina e que a mudança poderia renovar a composição das casas.

Duas vagas e nenhum candidato à reeleição

O cenário gaúcho para o Senado é o mais aberto em quatro décadas. Os senadores Paulo Paim (PT) e Luis Carlos Heinze (PP), cujos mandatos terminam em janeiro de 2027, não disputam a reeleição. A última vez que o estado teve duas vagas em disputa sem nenhum ocupante na corrida foi em 1986, durante a redemocratização, quando o então PMDB elegeu José Fogaça e José Paulo Bisol. A terceira cadeira gaúcha é de Hamilton Mourão (Republicanos), eleito em 2022 com mandato até 2031.

Quando há duas vagas, cada eleitor vota em dois candidatos diferentes. Não existe segundo turno: os dois mais votados são eleitos para mandatos de oito anos.

Duas senadoras em toda a história

De acordo com levantamento histórico da Agência Senado sobre as eleições no estado, o Rio Grande do Sul elegeu duas mulheres para o Senado. A primeira foi Emília Fernandes, eleita em 1994 pelo PTB. Ela tentou a reeleição em 2002 e não voltou ao cargo. No ano seguinte, assumiu a recém-criada Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres no primeiro governo Lula.

A segunda foi Ana Amélia Lemos (PP), eleita em 2010 com mais de 3,4 milhões de votos, 29,54% dos votos válidos, numa eleição em que Paim ficou com a outra vaga. O mandato terminou em 2019. Desde então, a bancada gaúcha no Senado é formada só por homens.

No país, o Senado tem hoje 15 senadoras entre 81 parlamentares. Este ano, 54 das 81 cadeiras estão em disputa. As candidaturas femininas ao Senado chegaram a 69 em todo o país, 22% do total, contra 58 em 2022 e 62 em 2018. É a primeira vez desde 2014 que todos os estados e o Distrito Federal têm pelo menos uma mulher concorrendo. Quatro senadoras buscam a reeleição: Leila Barros (PDT-DF), Eliziane Gama (PSD-MA), Soraya Thronicke (PSB-MS) e Zenaide Maia (PSD-RN).

Quem são as candidatas no RS

Manuela D’Ávila (Psol), jornalista e escritora de 45 anos, concorre pela Coligação com o Povo, que reúne partidos da base do governo federal no estado. Ela foi vereadora de Porto Alegre de 2005 a 2007, deputada federal de 2007 a 2015 e deputada estadual de 2015 a 2019, ainda pelo PCdoB. Em 2018, foi candidata a vice-presidenta na chapa de Fernando Haddad (PT) e, em 2020, disputou o segundo turno da eleição para a prefeitura de Porto Alegre. Os suplentes são Henrique Fontana (PT) e Lucas Caregnato (PT). A mesma coligação lançou Paulo Pimenta (PT) para a segunda vaga.

Daniela Mulheres Socialistas (PSTU), advogada de 47 anos, disputa uma eleição pela primeira vez. A chapa é inteiramente feminina, com Aitana Godoy e Marcela Azevedo, ambas do PSTU, como suplentes. O partido também lançou Regis Ethur, professor de 58 anos, para a outra vaga.

Tania Peres (UP), técnica de laboratório de 59 anos, também estreia em disputas eleitorais. A chapa é igualmente formada só por mulheres, com Claudiane Lopes e Débora Bernardes, da UP, como suplentes. O partido lançou ainda Luciano do MLB, auxiliar de escritório de 44 anos, para a outra vaga.

Os demais candidatos

Pela coligação O Rio Grande Pode Mais concorrem dois deputados federais em exercício. Marcel Van Hattem (Novo), jornalista e cientista político de 39 anos, está na Câmara desde 2019, depois de passar pela Assembleia Legislativa e pela Câmara de Vereadores de Dois Irmãos. Ubiratan Sanderson (PL), policial federal de 55 anos, também está na Câmara desde 2019.

A coligação Nosso Rio Grande Não Para lançou Germano Rigotto (MDB), de 75 anos, que governou o estado de 2003 a 2007 e foi deputado estadual e federal, e Frederico Antunes (PSD), engenheiro agrônomo de 56 anos.

Paulo Pimenta (PT), jornalista de 59 anos, é deputado federal desde 2003 e chefiou a Secretaria de Comunicação Social da Presidência entre 2023 e 2025.

Completam a lista Milton Cardoso (PSDB), jornalista de 67 anos; Renato Jaguarão (Cidadania), músico e servidor público de 55 anos; e Ric Jones (PCO), médico de 65 anos.

O que dizem as pesquisas

Levantamento da Paraná Pesquisas feito entre 16 e 18 de setembro, com 1.352 entrevistas presenciais em 63 municípios, registrado no TSE sob o número RS-00319/2026, mostra Manuela D’Ávila com 32,2% das intenções de voto. Ela é seguida por Van Hattem (29,5%), Pimenta (25,4%), Sanderson (21,2%) e Rigotto (20,6%). Como cada eleitor escolhe dois nomes, a soma passa de 100%. A margem de erro é de 2,7 pontos percentuais. Entre as outras candidatas, Daniela Mulheres Socialistas aparece com 4,1% e Tania Peres com 3%. Na comparação com a rodada de agosto do mesmo instituto, Manuela oscilou de 33,6% para 32,2%, Sanderson subiu 5,2 pontos e Rigotto caiu 3,7 pontos.

A Real Time Big Data ouviu 1.600 eleitores entre 5 e 9 de setembro (registro RS-05497/2026, com margem de erro de 2 pontos percentuais). No cenário que soma primeiro e segundo votos e os converte em uma base de 100%, Van Hattem tem 22%, Manuela e Sanderson têm 18% cada, Pimenta, 16%, e Rigotto, 14%. No primeiro voto, Van Hattem registra 25% e Manuela, 22%. Considerando a margem de erro, os levantamentos indicam uma disputa embolada entre cinco nomes pelas duas vagas. Nenhum dos institutos divulgou resultados separados por sexo do eleitor.

Mais candidatas, avanço lento

Segundo dados do TSE compilados pelo Brasil de Fato RS, as mulheres somam 361 das 1.051 candidaturas registradas no estado este ano, ou 34,35%. Em 2022, eram 33,47%. São 182 candidatas a deputada estadual, 161 a deputada federal, três ao governo, três ao Senado, duas a vice-governadora e dez nas suplências do Senado. Entre as candidatas gaúchas, 76,45% se declaram brancas, 14,13% pretas, 8,31% pardas e 1,11% indígenas.

A legislação eleitoral obriga cada partido a reservar no mínimo 30% das candidaturas proporcionais para cada gênero e destinar às mulheres uma parcela proporcional dos recursos públicos de campanha, com piso de 30%. Levantamentos acadêmicos e fiscalizações da Justiça Eleitoral apontam, ao longo das últimas eleições, casos de descumprimento da regra e de candidaturas femininas registradas apenas para cumprir a cota.

Na disputa pelo governo gaúcho, três dos sete candidatos são mulheres: Juliana Brizola (PDT), que tem Edegar Pretto (PT) como vice; Priscila Voigt (UP); e Rejane de Oliveira (PSTU). O candidato Luciano Zucco (PL) tem uma mulher como vice, Silvana Covatti (PP). Na pesquisa da Paraná Pesquisas, Zucco aparece com 36,4%, Juliana Brizola com 31,3% e Gabriel Souza (MDB) com 12,9%.

Representação no Congresso e na Assembleia

Na Câmara dos Deputados, a eleição de 2022 levou 91 mulheres às 513 cadeiras, 17,7% do total e o maior número da história. Em 1998, eram 29 deputadas, ou 5,6%. Em sete eleições, entre 1998 e 2022, as mulheres ocuparam 10,6% das 3.591 cadeiras disputadas, segundo pesquisa da cientista política Maria Lúcia Moritz, do Núcleo Interdisciplinar de Estudos sobre Mulher e Gênero da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Em janeiro de 2026, o Brasil ocupava a 139ª posição entre 183 parlamentos no ranking de participação feminina.

Na Assembleia Legislativa gaúcha, a legislatura iniciada em 2023 tem 11 mulheres entre 55 parlamentares, ou 20% das cadeiras. A mesma eleição de 2022 levou, pela primeira vez, mulheres negras às bancadas gaúchas na Câmara dos Deputados e na Assembleia. No parlamento estadual, isso ocorreu após 187 anos de história.

Como funciona o voto

A votação acontece em 4 de outubro, das 8h às 17h, no horário de Brasília. Na urna, a ordem é deputado federal, deputado estadual, primeiro senador, segundo senador, governador e presidente. Os dois votos para o Senado precisam ser dados a candidatos diferentes. Quem repetir o mesmo número na segunda escolha terá o segundo voto anulado. Eventuais segundos turnos para governador e presidente ocorrem em 25 de outubro.

O voto é obrigatório para pessoas alfabetizadas a partir dos 18 anos e facultativo para jovens de 16 e 17 anos, pessoas analfabetas e, a partir dos 70 anos, idosos. Os eleitores de 16 e 17 anos somam 54.702 no estado.

Fonte
Brasil de Fato
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