Assim como a China, Irã tem ‘Estado Planejador’ e, por isso, está vencendo a guerra contra os EUA, diz analista geopolítico

Von O Estrangeiro09/07/2026 às 00:5285 Aufrufe
Donald Trump durante cerimônia de assinatura do “Secure America Act”, na Casa Branca, em Washington, nesta quarta-feira (10).
Donald Trump durante cerimônia de assinatura do “Secure America Act”, na Casa Branca, em Washington, nesta quarta-feira (10).
Brasil de Fato — Brasil

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, rasgou o memorando de entendimento que abria caminho para um cessar-fogo e voltou a atacar o Irã. O país persa, desde sábado (4), realiza um cortejo fúnebre para velar e homenagear o líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, assassinado pelos Estados Unidos em 28 de fevereiro deste ano.

O governo iraniano se pronunciou a respeito da retomada da escalada de violência, destacando o desrespeito ao acordo realizado e assinado previamente. Trump, por outro lado, tem adotado uma narrativa beligerante e continua tentando convencer de que terá controle do desenrolar do conflito.

O repórter do Brasil de Fato André Lucena aponta a postura errática de Donald Trump, que, desde o início da guerra, vai e vem nas decisões e nas declarações. E menciona a declaração dada na Cúpula da Organização do Tratado do Atlântico Norte, em que o líder estadunidense, mais uma vez, tentou assumir a narrativa de que dá as cartas. “Trump é aquele tipo de personagem: ele emite uma opinião pela manhã, muda de opinião à tarde e ninguém sabe que ele pode inclusive dizer o contrário à noite. As declarações do Trump são, assim, um show do estado atual da diplomacia, pelo menos norte-americana. Ou seja, uma completa confusão. Elas mais levam a gente à incerteza do que a algum tipo de previsibilidade. Ele mergulha as coisas num campo de incerteza para que, a partir dessa incerteza, ele não tenha que se comprometer com uma decisão definitiva”, analisou o jornalista durante o videocast de política internacional O Estrangeiro.

O analista geopolítico Marco Fernandes destaca o fato de que, independentemente do que será essa nova escalada de violência que vem sendo promovida mais uma vez pelos Estados Unidos, o Irã é vitorioso e sairá vitorioso. Ele explica que, muito além da resiliência do governo persa, o Irã tem um “Estado Planejador”.

“Isso fez com que o Irã derrotasse, ao mesmo tempo, o maior aparato militar da humanidade e o regime sionista. O segredo de tudo, se puder reduzir a uma coisa, chama-se Estado Planejador. Isso é a questão principal. E eu acho que isso, para o debate, inclusive, atual, a gente tem discutido muito isso a partir da China, da capacidade da China de planejar a longo prazo e como o Estado tem um papel absolutamente central. No Irã acontecem coisas muito similares. O Irã, quando terminou a guerra do Irã-Iraque, em 1988, que foi a primeira tentativa de derrubar a Revolução Islâmica, o Irã percebeu que ele não tinha apoio internacional, que ele ia ter que depender dele mesmo para poder defender a Revolução. Então ele começa, a partir de então, um planejamento que, basicamente, é o seguinte. Primeiro, o Irã tem uma economia que hoje é uma economia com um peso do Estado muito grande”, explica.

No sistema iraniano, existem as chamadas boniades, que são espécies de fundações, e uma delas foi criada para gerir a riqueza de bilhões de dólares do Xá Reza Pahlavi. “Elas cumprem um papel, uma espécie de um Estado de bem-estar social, porque elas são fundações de caridade, que são também para redistribuir a riqueza, mas elas foram se tornando também conglomerados econômicos e atuam nos setores estratégicos onde o Irã foca a sua economia. Além disso, você tem a Guarda Revolucionária, que, além de uma força revolucionária, é também um conglomerado econômico. Isso faz com que o Irã tenha uma capacidade de planejamento enorme e controle estatal”, conta Marco Fernandes.

Confira o episódio completo no link abaixo:

Para ouvir e assistir

O podcast O Estrangeiro vai ao ar semanalmente às quartas-feiras às 15h, disponível nos canais do Brasil de Fato.

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Brasil de Fato
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