Entre o carisma de Lula e as disputas pela direita: o que as convenções partidárias revelam para 2026?

Von BdF Entrevista29/07/2026 às 00:04104 Aufrufe
Javier Milei e Flávio Bolsonaro durante a convenção do Partido Liberal (PL) para lançamento da candidatura de 2026
Javier Milei e Flávio Bolsonaro durante a convenção do Partido Liberal (PL) para lançamento da candidatura de 2026
Brasil de Fato

Com o fim da Copa do Mundo, o cenário político brasileiro entra definitivamente no clima das eleições de 2026, marcado por convenções partidárias que desenham um xadrez entre a continuidade do governo atual e a fragmentação da direita.

Segundo o cientista político Paulo Roberto Souza, o atual mapa eleitoral reflete uma consolidação da extrema direita construída na última década, apesar de suas fragmentações. “O campo progressista vai para essa eleição dependente do carisma e da figura do Lula. Temos o isolamento do Flávio e esse clima de despedida do Lula”, analisa em conversa com o BdF Entrevista.

“É um mapa um tanto quanto previsível no que diz respeito à nossa configuração hegemônica do campo político brasileiro. Na última década, de fato, dá para dizer que a direita e, principalmente, a extrema direita, ganharam tração na nossa sociedade, por diversos motivos. As próprias candidaturas da esquerda democrática e as lideranças da direita democrática também já se deslocaram um pouco mais para essas pautas cada vez mais conservadoras, quando não reacionárias”, comenta.

Assim, o fortalecimento da direita leva também a mudanças na esquerda. “E, de fato, nós já temos acompanhado nas últimas duas décadas, o campo progressista se tornou muito reativo.”

Disputas na direita

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) chega à disputa com dificuldades de se firmar dentro do campo conservador e à sombra de seu pai. “Se a gente pensar no eleitorado indeciso, no eleitorado pendular, você precisa apresentar um candidato, e essas pessoas estão fazendo outros cálculos que não os de convicção. Porque os convictos, à direita e à esquerda, já estão [decididos]. Na média das pesquisas de intenção de voto, 90% já decidiram o voto”, ressalta.

Para Souza, é exatamente por essa conta que Flávio foi oficializado como candidato do PL. “Ele demonstrou essa resiliência para esse grupo 90%. Então, para esse grupo indeciso, de fato, ele tem um desafio, que é mostrar o que ele quer, ele precisa ser propositivo. E aí, sem dúvida, é a grande dificuldade, porque primeiro não dá para contar a história dele”, relata.

A dinâmica dos debates presidenciais também deve ser um ponto de inflexão, especialmente com a provável ausência de Lula nos primeiros encontros, o que transformará o palco em uma disputa direta pela liderança da oposição. Para Souza, sem o atual presidente como alvo imediato, nomes como Ronaldo Caiado e Romeu Zema terão a oportunidade de confrontar Flávio e se apresentarem como alternativas competitivas. “Todos esses debates vão funcionar como prévia para ver quem está melhor qualificado para enfrentar o Lula”, sentencia.

Desafios para os progressistas

O aspecto mais centralizado da esquerda não é necessariamente uma vantagem, já que escancara problemas como a dependência da figura de Lula. “O campo progressista enfrenta diversos problemas, principalmente no que diz respeito à renovação política, à apresentação de candidaturas para o Executivo competitivas e também no que diz respeito a pautar a sociedade”, avalia.

O pleito de 2026 será ainda atravessado por novos desafios tecnológicos, como a Inteligência Artificial e os deep fakes (imagens inventadas idênticas ao aspecto de pessoas reais). Uma amostra já apareceu no período de convenções, com o vídeo exibido pelo PL com um Jair Bolsonaro gerado por inteligência artificial.

Souza expressa preocupação com a capacidade do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de controlar a disseminação de desinformação em aplicativos de mensagens, alertando que esses conteúdos devem “infestar as redes sociais” durante o período eleitoral.

“É claro que a gente também não pode tratar a questão do efeito das fake news como uma questão de adesão passiva. Quanto mais legitimidade e lastro, próxima realidade que se tem, ou as expectativas desse eleitor, mais efeito tem isso. Então, você simplesmente jogar coisas de forma aleatória não necessariamente vai fazer as pessoas acreditarem naquilo e tomar decisões, principalmente eleitorais, por causa daquilo”, destaca.

Confira a entrevista completa:

Para ouvir e assistir

O BdF Entrevista vai ao ar de segunda a sexta-feira, sempre às 16h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo.

Quelle
Brasil de Fato
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