Eleições na Rússia: partido ‘Rússia Unida’ garante maioria no parlamento

Por Serguei Monin21/09/2026 às 13:342 visualizações
Comissão Eleitoral Central da Rússia realiza reunião com partidos políticos às vésperas das eleições parlamentares do país
Comissão Eleitoral Central da Rússia realiza reunião com partidos políticos às vésperas das eleições parlamentares do país
Brasil de Fato

Após três dias de votação para as eleições da Duma Estatal (câmara baixa do parlamento russo), entre 18 e 20 de setembro, o pleito registrou uma participação recorde em 15 anos. Sem surpresas, o partido governista “Rússia Unida” mantém e amplia a sua maioria constitucional.

A chefe da Comissão Eleitoral Central da Rússia, Ella Pamfilova, informou, nesta segunda-feira (21), que a participação nas eleições parlamentares da Rússia alcançou a marca recorde de 59,32%.

“Já mencionei vários recordes, mas quero mencionar mais um — relacionado à participação. E este recorde diz respeito especificamente à maior participação em uma eleição deste porte. Vejam, sim, qual era a participação nos anos anteriores em nível de Duma Estatal, e agora já ultrapassou esse índice, chegando a mais de 59%”, disse ela.

Maior bancada

Após a apuração de 95,18% dos votos, o Rússia Unida obteve 57,83% dos votos nas listas partidárias, seguido do Partido Comunista da Federação Russa com 13,81% e do Partido Liberal Democrata da Rússia com 8,98%. A célula estreante nessas eleições, o partido Novo Povo, ficou com 7,96%. O Rússia Justa está atualmente com 4,96%. Pamfilova afirmou que o partido “tem boas chances” de ultrapassar a cláusula de barreira de 5%.

De acordo com a chefe da Comissão Eleitoral Central, o Rússia Unida terá 355 cadeiras na Duma Estatal (são necessárias 301 cadeiras para alcançar a maioria constitucional); já o Partido Comunista terá 40, e o Partido Liberal Democrático da Rússia, 25. O partido Novo Povo, 20, e o Rússia Justa, 4.

Com este resultado, o partido do governo Rússia Unida alcança a maior bancada na Duma em sua história. Anteriormente, a maior bancada do partido havia sido a formada após as eleições de 2016, com 343 deputados.

Ao conversar com a imprensa nesta segunda, o porta-voz da presidência russa, Dmitry Peskov, informou que o presidente russo, Vladimir Putin, pretende se reunir com Pamfilova, bem como com líderes e deputados de grupos partidários. De acordo com ele, o Kremlin anunciará essas reuniões assim que o presidente definir o formato dos encontros.

“É claro que o presidente espera se reunir com o chefe da Comissão Eleitoral Central, bem como com os líderes e deputados das facções. Tudo isso estará na agenda do presidente e, assim que o chefe de Estado definir os formatos específicos dessas reuniões, nós os informaremos”, disse Peskov a repórteres.

Já Pamfilova observou que a campanha eleitoral deste ano foi conduzida sob um “nível sem precedentes de ameaças, particularmente nas regiões fronteiriças da Rússia”.

Guerra segue

O último dia da votação, domingo (20), foi marcado, em particular, por um grande ataque de drones ucranianos, sobretudo sobre Moscou. Foram mais de 1,6 mil drones lançados contra diversas regiões russas, dos quais 450 foram interceptados na direção da capital russa. Foi o maior ataque com drones já registrado contra Moscou.

Uma refinaria e áreas residenciais foram atingidas, provocando incêndios. Pelo menos duas pessoas morreram e 20 ficaram feridas, segundo as autoridades russas.

O presidente ucraniano Volodimir Zelensky afirmou que os ataques de Kiev “tiveram um impacto muito importante na região de Moscou”. Já Putin conclamou a população a considerar o voto uma demonstração de apoio às tropas russas.

Fonte
Brasil de Fato
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