A Inteligência Artificial pode acabar com a humanidade?

Por BdF Entrevista17/09/2026 às 00:34109 visualizações
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Brasil de Fato

No começo de setembro, um ex-funcionário da Anthropic e da OpenAI escreveu nas redes sociais: “As pessoas que estão construindo a IA acreditam sinceramente que ela pode matar todos até o fim da década”. O sociólogo Cian Barbosa, no entanto, avalia que é preciso separar a inteligência artificial enquanto técnica e o que ela é no imaginário do público.

Ao BdF Entrevista, Barbosa afirma que a ideia de que os sistemas algorítmicos desenvolverão autonomia ou consciência pertence ao campo da ficção científica, distorcendo a verdadeira natureza dos mecanismos digitais. “A ideia de que uma IA vai ganhar consciência e se tornar senciente, uma AIG, uma inteligência artificial geral, ou uma superinteligência, está muito mais próxima da ideia das fantasias, da ficção científica”, avalia.

Para ele, ao focar em cenários fantasiosos de máquinas autônomas, a discussão pública acaba ocultando a responsabilidade humana e os perigos materiais do setor. Cian Barbosa aponta que existem ameaças concretas e urgentes, como a automação de ciberataques, vulnerabilidades em infraestruturas globais, o desemprego tecnológico e os profundos impactos socioambientais dos data centers.

Contudo, o sociólogo enfatiza que a agência moral e política não pertence ao algoritmo, mas, sim, às corporações e indivíduos que o projetam e operam. “Quando uma ponte implode, a gente não questiona a ponte, a gente questiona o engenheiro”, compara. “A inteligência artificial é um mecanismo, é uma tecnologia, mas a agência está do lado do desenvolvedor, está do lado do usuário, está do lado do dono.”

Barbosa defende que o discurso apocalíptico atende a interesses econômicos estratégicos na economia política do setor tecnológico e argumenta que muitos magnatas das big techs utilizam o alarmismo para gerenciar as expectativas do mercado e o debate público, sobretudo após aportes trilionários sem garantias de retorno financeiro. Essa retórica serve para conter reações sociais, justificar pressões por regulação sob medida e encobrir dinâmicas geopolíticas. “É uma galera que fundamentalmente apostou muito dinheiro e está tentando gerenciar no discurso público as expectativas que eles mesmos levantaram em relação ao desenvolvimento da inteligência artificial”, define.

Confira a entrevista completa:

Para ouvir e assistir

O BdF Entrevista vai ao ar de segunda a sexta-feira, sempre às 16h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo.

Fonte
Brasil de Fato
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