Discurso de Lula na ONU não garante mudanças práticas frente a pressões dos EUA, avalia especialista

Por José Bernardes22/09/2026 às 00:525 visualizações
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Brasil de Fato

A menos de duas semanas das eleições presidenciais, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, cumpre agenda internacional com participação na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York (EUA), a partir desta terça-feira (22). Lula fará um discurso durante a conferência. O presidente dos EUA, Donald Trump, que tem feito diversas ameaças de interferência no processo eleitoral brasileiro, falará em seguida.

Ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, Ricardo Leães, professor e pesquisador de Relações Internacionais, avalia que o momento de discurso é sempre importante, contudo, não acredita que qualquer fala de Lula surtirá grande impacto prático. “Não vejo muita possibilidade de que isso possa se converter em nenhum tipo de ganho para o Brasil. Infelizmente, em uma situação normal, um discurso já não tem uma capacidade de promover mudanças substanciais”, afirma.

“Eu acredito mais no poder concreto dos países, nas capacidades econômicas, financeiras, industriais, tecnológicas, militares, do que efetivamente num discurso. Um bom discurso, uma boa ideia são sempre importantes se vierem acompanhados de movimentos de transformações mais profundas nas fontes de poder concreto. Não é isso que está acontecendo no Brasil nesse momento”, pondera.

Leães lembra que, no ano passado, havia também uma grande expectativa no discurso de Lula porque o Brasil vivia a ameaça do tarifaço de Trump. E isso não aconteceu, porque o líder estadunidense falou na sequência, quebrou o protocolo e chegou a declarar que encontrou com Lula e que “havia acontecido uma química”. “Eu não me surpreenderia se ele fizesse algo assim de novo. O presidente Donald Trump gosta de fazer esse morde e sopra. Ele já fez isso com a Coreia do Norte várias vezes, de dizer que vai destruir a Coreia do Norte, depois diz que é amigo do Kim. Em relação à Rússia, a situação também é relativamente parecida. Eu não me surpreenderia se houvesse um movimento nesse sentido”, afirma.

Com relação a um eventual teor de defesa da soberania que Lula pode eventualmente adotar, Ricardo Leães tem uma visão de que isso não resolve nada na prática. “Soberania é ter capacidade de dizer não e resistir aos contra-ataques que vêm das grandes potências que não gostam de quando a gente diz esse não. Ou seja, soberania é a gente dizer não e ter condições, ter recursos para permanecer de pé mesmo diante de uma ofensiva das grandes potências, no caso agora dos Estados Unidos. Por mais louvável que seja essa postura do presidente Lula, não é isso que vai nos transformar efetivamente num país soberano, num país autônomo”, critica.

Para ouvir e assistir

Durante o horário eleitoral, até 1º de outubro, o jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira, das 12h25 às 14h, e a segunda, sem alteração, a partir das 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Fonte
Brasil de Fato
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