Por que a pirataria naval na África é um problema global que afeta o Brasil? Analista explica (VÍDEOS)

28/08/2026 às 13:162 visualizações
Foto: AVISO: midia estatal russa / Sputnik Brasil
O Brasil, uma das nações afetadas economicamente por raptos de embarcações, é um dos países que integram a reação para combater esse tipo de crime, conforme elucida Eden Pereira, analista internacional e pesquisador do Núcleo Interdisciplinar de Estudos sobre África, Ásia e Relações Sul-Sul (NIEAAS), em entrevista à Sputnik Brasil.

"A gente observa a importância daquela região [Chifre da África] em termos internacionais, porque vários países buscam estar presentes. Historicamente, aquela região é parte de toda uma disputa política entre as potências, por isso que o Brasil também busca se colocar e se projetar, porque acredita que também tem interesses", disse.

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A presença brasileira no cenário de hostilidade com sua Marinha é uma forma também de se projetar como potência no Atlântico e politicamente no contexto dos Estados africanos, como aponta o pesquisador, que também é doutorando em história comparada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

"O Brasil, enquanto potência no Atlântico Sul e país relevante, precisa estar presente para tentar agir positivamente em termos políticos dentro do continente africano. Estamos presentes não apenas nessas missões marítimas que acontecem na Somália, mas também buscamos atuar no conflito do Congo para facilitar o diálogo", comenta.

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Chifre da África é importante para o fluxo de energia

A principal consequência dos atos de pirataria é o encarecimento de fretes marítimos e seguros de carga, custos que acabam sendo repassados ao consumidor final no mundo, inclusive no setor energético, como ressalta o professor.

"Isso traz uma série de problemas para as companhias de transporte comercial. O que a gente observa às vezes está muito associado ao sudoeste da Ásia, pela proximidade com os grandes centros de produção de petróleo, e também porque aquela área é essencial para o comércio de transporte de energia", destaca.

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Outro ponto levantado por Pereira é que o desvio de navios para rotas mais distantes, na tentativa de evitar ataques, atrasa as cadeias globais de suprimentos, o que gera ainda mais transtornos.

"Para além do transporte de energia, existem outras mercadorias que circulam naquela região, principalmente vindas de países emergentes da Ásia Oriental, como Índia, China e até Indonésia. Assim, há um grande encarecimento do comércio e do fluxo navegacional entre o leste da Ásia e o oeste, que seria a península euroasiática, a Europa e a parte ocidental da África, encarecendo o transporte", observa.

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Pirataria não pode ser considerada como terrorismo

Apesar do alto grau de complexidade local, segundo Pereira, esses grupos não devem ser tratados como terroristas, mas sim como um sintoma da profunda vulnerabilidade social e econômica de países como a Somália.

"Quando se relaciona terrorismo com pirataria, é uma forma também de justificar a intervenção daquelas grandes potências na região. Diferentemente do terrorismo na Somália, a pirataria não tem uma forma de organização institucionalizada e unificada. Eles são grupos e unidades que operam de maneira autônoma naquela região", conclui.

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Além das tensões geopolíticas que resultam em conflitos no sistema-mundo, problemas de ordem regional também podem causar impactos globais. É o caso da pirataria no Chifre da África: coordenada por grupos heterogêneos, ela causa instabilidades em uma rota que, além de estratégica, funciona também como uma das principais alternativas aos gargalos logísticos da navegação mundial.
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Sputnik Brasil
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