Eleições: resistir ao domínio dos ricos

Por Élio Gasda02/10/2026 às 15:5952 visualizações
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Brasil de Fato

Por Élio Gasda

Este ano as eleições serão determinantes para o futuro do Brasil e da América Latina. A soberania nacional, a democracia, as conquistas sociais, nossas riquezas naturais estarão em jogo. Nesse cenário, quero chamar a atenção para uma das maiores ameaças ao povo brasileiro. A maior ameaça vem dos piores inimigos da democracia. Os crimes do banco Master do banqueiro Daniel Vorcaro, irmãozinho do Flávio Bolsonaro e do Nikolas Ferreira, vinculados à Igreja da Lagoinha são reveladores.

No início de 2026 a ONG OXFAM lançou o relatório Resistindo ao Domínio dos Ricos. Devemos estar atentos a cinco pontos:

1. A aliança cada vez mais explícita entre elites políticas e econômicas está minando as bases da democracia e da soberania dos países. A presença de bilionários nas esferas de governos, seja no legislativo, no executivo e no judiciário, tornou-se estratégia de poder dos grupos econômicos e dos indivíduos ultrarricos. Um milionário tem quatro mil vezes mais chances de ocupar cargos públicos do que a população em geral, do que um de nós. Um super-rico entra na disputa política para preservar seus privilégios, aumentar sua fortuna e bloquear reformas sociais e tentativas de redistribuição ou de justiça social.

2. Países altamente desiguais apresentam sete vezes mais risco de retrocessos democráticos. Muitos governantes tomam decisões deliberadas para agradar à elite econômica, enquanto reprimem protestos sociais e eliminam direitos sociais. O projeto consiste em ajustar o país ao capitalismo. Ajustes fiscais, cortes de gastos, privatizações. Ricos têm acesso privilegiado ao poder. Há uma porta giratória entre os executivos das grandes empresas, das finanças e governos. Os bilionários ampliaram seu poder e estão interferindo nas decisões dos governos. Retrocessos democráticos estão diretamente ligados ao aprofundamento da desigualdade.

3. Ricos servem-se da política para capturar o Estado. Além de pressionar os Estados, estão começando a governar e a integrar os governos. O poder dos milionários não se limita a influenciar políticas de Estado.

4. Donald Trump é o representante maior deste avanço global das elites sobre o Estado. Seu governo segue a agenda abertamente pró-milionários, cortando impostos, fragilizando regulações sobre grandes corporações e impedindo avanços na taxação de lucros e dividendos. Trump faz isso para enriquecimento próprio. Em 2025, segundo a revista Forbes, o patrimônio de Trump chegou a US$ 6,7 bilhões (cerca de R$ 38 bilhões) após a valorização de ações da Trump Media. Sua administração atua para enfraquecer legislações de proteção trabalhista, manter monopólios e frear avanço na tributação de setores lucrativos, como as Big Tech.

5. No capitalismo os países que se dizem democráticos são simultaneamente oligarquias que utilizam o enorme poder da sua riqueza para escolher candidatos e ganhar eleições. Oligarcas usam seu poder para garantir que a democracia não torne a sociedade mais igualitária. O volume de dinheiro despejado na política é ilimitado. A preferência dos mais ricos por governos autoritários é evidente. Os ricos não governam contra si mesmos. Usam riqueza para defender sua riqueza. No Brasil a renda da população mais rica cresceu três vezes mais do que os rendimentos dos mais pobres.

Quanto mais capitalismo menos democracia. Estejamos atentos e alertas em identificar os representantes dessa elite milionária nestas eleições.

Élio Gasda é teólogo, membro da Sociedade Brasileira de Bioética (SBB) e professor da Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia (FAJE).

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Este é um artigo de opinião, a visão do autor não necessariamente expressa a linha editorial do Brasil de Fato

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