São Tomé e Príncipe afirma que cada jovem é indispensável para o progresso nacional

26/09/2026 às 12:0049 visualizações
A ministra das Relações Exteriores de São Tomé e Príncipe, Ilza Maria dos Santos Amado Vaz, discursa no Debate Geral da 81ª sessão da Assembleia Geral da ONU
A ministra das Relações Exteriores de São Tomé e Príncipe, Ilza Maria dos Santos Amado Vaz, discursa no Debate Geral da 81ª sessão da Assembleia Geral da ONU
Foto: ONU/Loey Felipe / ONU Noticias
São Tomé e Príncipe afirma que cada jovem é indispensável para o progresso nacional
26 Setembro 2026 Assuntos da ONU

Ministra dos Negócios Estrangeiros discursou na ONU ressaltando preocupação em preservar recursos para gerações futuras; ela fez um apelo por justiça climática como forma de garantir que Pequenos Estados Insulares consigam manter uma trajetória de desenvolvimento. 

Neste sábado, foi a vez de São Tomé e Príncipe discursar na Assembleia Geral da ONU. A nação insular africana foi representada pela ministra dos Negócios Estrangeiros, Cooperação e Comunidades, Ilza Maria dos Santos.

Ela afirmou que a justiça climática é uma peça-chave para que os são-tomenses consigam avançar na busca pelo desenvolvimento. 

Apelo por justiça climática 

“Para os Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento, as vulnerabilidades geográficas, econômicas, financeiras e sociais são agravadas pelos efeitos das alterações climáticas. Em São Tomé e Príncipe, estes impactos já afetam as zonas costeiras, as infraestruturas, os recursos marinhos e os meios de subsistência da população. Apesar da nossa contribuição ínfima para as emissões globais, esta realidade traduz uma profunda injustiça climática. São Tomé e Príncipe reafirma, por isso, os seus compromissos no âmbito do Acordo de Paris, da sua contribuição nacionalmente determinada e do Plano Nacional da Adaptação Climática, sublinhando que a sua concretização, requer recursos adequados, previsíveis e acessíveis”. 

A ministra fez um apelo para que o Índice de Vulnerabilidade Multidimensional seja aplicado para criar critérios concretos de acesso ao financiamento. Ela pediu também a plena operacionalização do Fundo de Perdas e Danos e um acesso mais simples e efetivo ao Fundo Verde para o Clima.

A representante de São Tomé e Príncipe declarou que em uma economia insular dependente da importação de combustíveis, o custo e a fiabilidade da eletricidade têm impactos em todos os setores.

A nação africana de língua portuguesa está perseguindo a implementação de um Programa de Transição Energética e um Pacto Nacional de Energia, visando um sistema energético mais “limpo, acessível, seguro e estável”. No entanto, essa transformação exige investimentos e parcerias internacionais. 

Reserva Mundial da Biosfera

Ainda na pauta ambiental, a representante são-tomense falou da importância do oceano na estratégia nacional. Segundo ela, a decisão da Organização das Nações Unidas para Educação Ciência e Cultura, Unesco, que classifica todo o território do país como reserva da Biosfera, contribui com a preservação da natureza e para o combate a práticas criminosas.  

“O reconhecimento pela Unesco do nosso território como Reserva Mundial da Biosfera confirma o valor excepcional do nosso patrimônio natural e reforça a nossa responsabilidade o proteger e valorizar. Queremos transformar essa riqueza em oportunidades de desenvolvimento sustentável através da pesca, da economia azul, da investigação e do turismo de natureza que gera emprego e rendimento para as comunidades. Ao mesmo tempo, face às ameaças da pesca ilegal e da criminalidade transnacional, São Tomé e Príncipe continuará a trabalhar com os Estados da região e os parceiros internacionais para reforçar a segurança marítima”.

Outra área considerada prioritária pelo governo é a segurança alimentar e o reforço da capacidade produtiva. A nação lusófona quer reduzir a dependência das importações, aumentar a produção nacional e garantir aos agricultores melhor acesso aos mercados.

Jovens e diásporas

O objetivo é fazer com que uma maior parcela do valor gerado por produtos agrícolas, como cacau e café, permaneça no país. 

Ilza Maria dos Santos enfatizou que todas essas medidas têm a meta de preservar recursos para as futuras gerações e criar espaço para a juventude. 

“O futuro de São Tomé e Príncipe passa pela capacidade de gerar oportunidades para a próxima geração. A nossa prioridade é garantir aos jovens condições para estudar, trabalhar, empreender, inovar e concretizar os seus projetos de vida no país. Numa nação da nossa dimensão. Cada talento conta e cada jovem é uma força indispensável para o progresso nacional. Da mesma forma, a diáspora santomense é igualmente parte essencial da nossa riqueza humana. É um parceiro estratégico do país”.

Estabilidade do Golfo da Guiné

A ministra também mencionou a preocupação com os conflitos na Ucrânia, no Sudão, no Sahel, nos Grandes Lagos, no Chifre da África e no Oriente Médio, apelando ao reforço da diplomacia, ao diálogo e à proteção dos civis.

A representante declarou que São Tomé e Príncipe permanecerá fiel à Carta das Nações Unidas, ao direito Internacional, à paz, aos direitos humanos e ao multilateralismo.

Ela ressaltou que o país quer se afirmar como uma voz de diálogo e moderação e um parceiro empenhado na estabilidade do Golfo da Guiné.

Fonte
ONU Noticias
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