É domingo: a eleição das nossas vidas

Por Selvino Heck01/10/2026 às 14:5423 visualizações
'O rio São Francisco é o único grande rio puramente brasileiro; Luiz Inácio é o único presidente genuinamente nordestino'
'O rio São Francisco é o único grande rio puramente brasileiro; Luiz Inácio é o único presidente genuinamente nordestino'
Brasil de Fato

Está chegando o dia e a hora. Poucas vezes uma eleição presidencial esteve tão indefinida a poucos dias de sua realização. Detalhes, novos acontecimentos podem definir seu resultado final. O próprio 4 de outubro pode ser decisivo, dependendo de como os ainda muitos eleitores indecisos, os que pretendiam anular seu voto ou qualquer outro fato novo influir na decisão final na frente da urna eletrônica. É possível até a vitória de Lula já no primeiro turno.

Esta eleição presidencial é das mais importantes da história brasileira. Não porque eleições, por si só, decidam o futuro do Brasil e do mundo. Pelo menos, em condições normais. Mas desta vez, na conjuntura brasileira e mundial, esta eleição adquiriu um tom e uma importância especiais.

O Império do Norte, ou pelo menos seus comandantes atuais, está mais do que de olho  à espera do que vai acontecer. Quer controlar ou dominar de vez a América Latina e o Caribe.

A democracia e a soberania brasileiras estão em jogo. E estão em risco, se houver uma eventual vitória da ultradireita neofascista e do ultraneoliberalismo.

A crise climática e suas consequências, no Rio Grande do Sul, no Brasil e hoje também no mundo, ameaçam a vida e a sobrevivência das pessoas e das comunidades, como se viu mais uma vez esta semana. 

É preciso enfrentar, e superar no médio e longo prazo, uma crise civilizatória como poucas vezes se viu e viveu na história da humanidade. 

Tudo isso e mais um pouco está em jogo. Nesta reta final, portanto, nos últimos dias, nas últimas horas, e mesmo no próprio domingo, é preciso conversar, é preciso buscar cada voto, um por um, para presidente, para governador, para senadores, deputados federais e estaduais. Sem parar um minuto ou segundo sequer. Nenhum voto pode ser perdido ou desperdiçado: de jovens, de idosas e idosos, de qualquer uma e de qualquer  eleitor e eleitora aptos a votar.

Sem tempo a perder, portanto. Muito menos descanso. Quatro de outubro de dois mil e vinte seis sem dúvida entrará para a História, com H maiúsculo. Que a esperança se renove! Que os direitos de todas e todos sejam afirmados e confirmados. Que a participação social e popular tenha e aumente o espaço. Que o povo, especialmente os mais pobres entre os pobres, continuem tendo vez e voz. Que o esperançar freireano amanheça em todas as manhãs e madrugadas.

Vale relembrar e declamar um poema escrito em 1980 e publicado então no jornal Cajado do Movimento Peregrinos e no livro Fé e Política – Ensaios de uma vida peregrina (Selvino Heck, Ed. USIDEIAS, 2026, p. 70):

A manhã vai chegar

A manhã há de chegar, eu sei.

Com ventos e tempestades,

mas vai chegar.

E vai habitar

as curvas do homem e da mulher,

nas esquinas do mundo,

nas circunstâncias da história.

E vai resplandecer o povo

com seu frescor,

sua claridade e ternura.

E vai armar o povo de palavras.

Vai proclamar a liberdade

e expulsar o medo.

A manhã vai chegar

sem fantasmas,

sem fomes,

sem mordaças.

O povo sairá nas ruas,

unirá as mãos

e a bandeira da liberdade,

finalmente, 

vai drapejar no continente.

A manhã há de chegar,

eu sei.

**Este é um artigo de opinião e não necessariamente representa a linha editorial do Brasil do Fato.

Fonte
Brasil de Fato
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