Defesa de Cilia Flores reitera pedido de liberdade por razões de saúde e cita crise de taquicardia

Por Leonardo Fernandes01/10/2026 às 19:3428 visualizações
A primeira-dama da Venezuela, Cilia Flores.
A primeira-dama da Venezuela, Cilia Flores.
Brasil de Fato

A defesa da primeira-dama venezuelana, Cilia Flores, voltou a solicitar à justiça dos Estados Unidos a concessão de liberdade sob fiança e progressão ao regime de prisão domiciliar. O pedido, apresentado na quarta-feira (30), está fundamentado na acentuada piora em seu estado de saúde desde que foi levada para o Centro de Detenção Metropolitano de Brooklyn, em Nova York.

De acordo com os documentos judiciais apresentados pelos advogados, Flores, de 69 anos, registrou uma crise de taquicardia ventricular e enfrentou um episódio de 30 minutos de intensa dor no peito sem receber assistência clínica adequada na unidade prisional. A defesa relatou ainda que ela já perdeu muito peso e dois molares no período em que permanece detida.

Antes de sua prisão, a condição cardíaca da primeira-dama era estável com o uso de uma medicação mensal. Os advogados relacionam o agravamento do quadro de saúde às condições vividas desde a operação militar promovida pelos Estados Unidos em 3 de janeiro de 2026, data em que Flores e o presidente Nicolás Maduro foram sequestrados em Caracas.

Ao chegar à instalação prisional em Nova York, Cilia Flores apresentava ferimentos na testa e outras lesões corporais, além de ter sido submetida a três meses de isolamento severo. Embora a equipe médica do centro de detenção tenha sugerido a realização de um cateterismo, a defesa argumenta que o ambiente carcerário não dispõe de estrutura adequada para a recuperação pós-operatória de um procedimento cardíaco invasivo.

A Promotoria dos Estados Unidos se opôs ao pedido da defesa, alegando risco extremo de fuga. Em resposta, os advogados de Cilia destacam que se trata de uma mulher idosa, com problemas de saúde graves e sem recursos financeiros para custear sua libertação, compromisso firmado sob pena de perjúrio. O julgamento para análise do pedido da primeira-dama está marcado para o dia 8 de outubro. 

Manifesto internacional liderado por Roger Waters exige libertação

A situação de Cilia Flores e de Nicolás Maduro motivou a criação de um manifesto internacional articulado pelo músico britânico Roger Waters, ex-integrante da banda Pink Floyd. O documento reúne assinaturas de intelectuais, juristas, jornalistas e lideranças sociais do mundo todo, como o jornalista francês Ignacio Ramonet e o dirigente popular brasileiro João Pedro Stedile, do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).

A iniciativa classifica a operação militar estadunidense realizada na Venezuela como um ato ilegal de força e um sequestro político que viola o artigo 2.4 da Carta das Nações Unidas, além de desrespeitar as normas de imunidade diplomática e soberana. O texto aponta que as acusações judiciais apresentadas em tribunais estadunidenses carecem de fundamentação e que o processo contra Cilia Flores configura uma manifestação de violência de gênero por razões políticas.

“O artigo 2.4 da Carta das Nações Unidas proíbe o uso da força contra a integridade territorial e a independência política de um Estado”, diz um trecho do manifesto. “No caso da deputada Cilia Flores, estas acusações são ainda mais insustentáveis. A extrema violência com que foi tratada evidencia um caso de violência de gênero por razões políticas que deve ser destacado.”

O manifesto exige a libertação imediata de Cilia Flores e Nicolás Maduro, o encerramento das ações judiciais decorrentes da captura extraterritorial, o fim das sanções coercitivas unilaterais contra a Venezuela e o respeito integral à soberania dos povos da América Latina.

“Nicolás Maduro e Cilia Flores são inocentes. Não cometeram nenhum delito, nem na Venezuela nem em nenhum outro território. Foram sequestrados por uma força militar estrangeira de maneira ilegal, sem a existência de nenhuma declaração de guerra”, afirma o comunicado.

“O objetivo do sequestro sempre foi deixar o governo bolivariano de joelhos, ter seu presidente como refém e mantê-lo capturado em troca do petróleo venezuelano”, declaram os signatários.

Fonte
Brasil de Fato
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