Quatro dos maiores aeroportos do Paraná são vendidos a transnacional mexicana

Von Gustavo de Sousa25/09/2026 às 19:4059 Aufrufe
Paraná tem 59 aeroportos controlados pela iniciativa privada.
Paraná tem 59 aeroportos controlados pela iniciativa privada.
Brasil de Fato

Os aeroportos de Londrina (PR), Foz do Iguaçu (PR), Curitiba (PR) e Bacacheri, também na capital, passaram por uma transição no início de setembro. Com a venda da empresa brasileira Motiva para o conglomerado mexicano Grupo Aeroportuario del Sureste (ASUR), as maiores estruturas paranaenses de transporte aéreo ficam sob controle da transnacional estrangeira.

Por R$ 5,1 bilhões, a transição dos quatro aeródromos foi oficializada em 1º de setembro. Com a aquisição, o grupo ASUR passou a gerir 17 aeroportos nas cinco regiões do Brasil, e mais três no Equador, Costa Rica e Curaçao.

Desde 2021, os principais aeroportos do estado estão nas mãos da iniciativa privada. O governo federal, na gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro, vendeu diversos aeroportos do Sul brasileiro, na modalidade de leilão. Entre as privatizações estão as quatro estruturas paranaenses, as maiores do estado, que foram arrematadas pelo Grupo CCR – atual Motiva, pelo valor de R$ 2,1 bilhões.

No Paraná, existem 98 aeroportos: quatro administrados pela Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero), 59 pela iniciativa privada e 35 pelas prefeituras municipais, segundo informações do governo estadual.

Em dezembro deste ano, o Aeroporto Sant’Ana, em Ponta Grossa (PR), entrará em leilão no pacote que discute a concessão do Aeroporto de Brasília. Os lances iniciais são de R$1,2 bilhão para o aeródromo da capital federal e R$857,8 milhões para o grupo que concentra as demais 10 concessões, incluindo a paranaense.

Economista aponta preocupações com a privatização

Para a economista e professora da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), no campus Laranjeiras do Sul (PR), Marisela García Hernández, a privatização de estruturas públicas é contraditória às responsabilidades que um Estado tem com a população. “Sem estes ‘braços’, nos tornamos dependentes dos grandes monopólios, cujos interesses, comandados pelo lucro, conflituam com os interesses do povo brasileiro”, explica. 

Enquanto o preço do serviço aumenta, a transferência do público ao privado ainda gera riscos à segurança, pela precarização dos serviços. Tratando-se de uma estrutura como um aeroporto, que lida com o transporte de indivíduos, a preocupação é ainda maior.

“A dinâmica do capital entra em conflito com a segurança dos usuários”, explica Hernández.

Os aparatos públicos são a estrutura fundamental de uma nação soberana e, quando são transferidos, retiram a autonomia do serviço estatal e afetam o cotidiano de quem depende dessas ferramentas. A economista explica que a década de 1990 iniciou uma onda de privatizações. “Desde então, caminhamos a passos largos, com maior ou menor velocidade, para um processo de neocolonização”, alerta.

*Estagiário sob supervisão de Murilo Bernardon.

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Brasil de Fato
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