Uma intervenção artística de denúncia ao esvaziamento do Centro de Curitiba (PR), organizada nesse domingo (27), foi interrompida pela Guarda Municipal. Militantes do Movimento de Trabalhadoras e Trabalhadores por Direitos (MTD) no Paraná realizaram o ato no abandonado Edifício Pires, na Praça Tiradentes. Em setembro de 2025, a prefeitura anunciou que o espaço se tornaria um centro de economia solidária.
A obra não aconteceu. A prefeitura afirma que a razão principal foi falta de recursos da Universidade Federal do Paraná (UFPR), parceira do projeto. Segundo a UFPR, a parceria nunca foi formalizada. A capital paranaense tem mais de 100 mil domicílios abandonados, segundo o Censo de 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).


“Quem verdadeiramente lucra com o abandono dos espaços públicos? Enquanto a prefeitura coloca asfalto em cima de asfalto em bairros nobres e joga o povo trabalhador cada vez mais longe e para lugares mais precarizados, nós vemos imóveis públicos deteriorando”, denunciou o movimento, em nota.
A Constituição Federal de 1988 garante que casas ou qualquer imóvel tem que cumprir uma função social. No Paraná, em 2026, quase meio milhão de famílias não têm moradia digna, segundo a Companhia de Habitação do Paraná (Cohapar). Em Curitiba, 4,5 mil pessoas estão em situação de rua, de acordo com dados do Cadastro Único (CadÚnico) em 2026.

A militância também aponta que não há falta de recursos, mas sim falta de vontade política da prefeitura. O MTD também denunciou a ação da Guarda Municipal.
Nesse mês de setembro, o movimento realizou outra ocupação no mesmo local, com o objetivo de denunciar a deterioração e o esvaziamento do prédio. O edifício está localizado em um ponto estratégico da cidade. “Deixar um imóvel daquele porte abandonado não é simples descaso: é uma escolha política que prioriza dinheiro e poder para quem já nasceu cercado de privilégios”, destaca o grupo.
