Real Time: um terço dos eleitores de Lula em Pernambuco se dizem indecisos na pesquisa espontânea

Por Vinicius Sobreira29/09/2026 às 11:5549 visualizações
Lula (PT) ao lado de João Campos (PSB), Humberto Costa (PT) e Marília Arraes (PDT) durante caminhada no Recife (PE)
Lula (PT) ao lado de João Campos (PSB), Humberto Costa (PT) e Marília Arraes (PDT) durante caminhada no Recife (PE)
Brasil de Fato

Em mais uma rodada da pesquisa Real Time Big Data em Pernambuco, as intenções de voto no presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chegam a 60% na estimulada, mais que o dobro dos 26% de Flávio Bolsonaro (PL). Muito distante dos dois, estão Augusto Cury (Avante), com 4%; Renan Santos (Missão), com 3%; Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo) têm 1% cada; e os demais sete candidatos, juntos, somam 1%. No estado, há ainda 2% que dizem estar indecisos sobre a disputa nacional, além de outros 2% que declaram voto branco ou nulo.

A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos e o nível de confiança é de 95%. A pesquisa tem registro BR-02938/2026 no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A Real Time também perguntou aos eleitores sobre as intenções de voto para o Governo de Pernambuco e para o Senado Federal.

Chama atenção a diferença das intenções de voto no presidente Lula (PT) entre a pesquisa espontânea (sem que os nomes dos postulantes sejam apresentados) e a estimulada (com os nomes dados). Enquanto a espontânea tem 22% de indecisos e 8% de votos brancos e nulos (ou seja, 30 pontos os dois grupos somados), na estimulada 20 desses pontos migram para Lula (salta de 40% para 60%), apenas dois para Flávio Bolsonaro (24% para 26%), dois para Cury (2% sobe para 4%), um para Renan Santos (2% para 3%) e um para Zema (zero para 1%).

A pesquisa espontânea, sem os nomes dos candidatos, ajuda a medir a temperatura do eleitor, o nível de engajamento ou comprometimento dele com aquele voto. Se Lula tem 60% na estimulada, mas apenas 40% dos eleitores dele o mencionam na pesquisa espontânea, isso indica que pelo menos um terço dos pernambucanos que podem votar no petista não estão com o nome do presidente na cabeça ao serem perguntados. São votos que podem não ser convertidos, seja por adesão a outra candidatura ou pela decisão de não ir votar no dia quatro de outubro.

Quem são os eleitores indecisos?

Numa eleição que se desenha para ser decidida voto a voto, os 2% de eleitores pernambucanos indecisos e os 2% que declaram voto branco ou nulo podem fazer a diferença na disputa. O Brasil de Fato mergulhou na pesquisa para tentar entender melhor quem é esse eleitor. Na divisão de gêneros, tanto homens quanto mulheres têm o mesmo percentual (2%) de indecisos, enquanto os homens tendem a votar mais branco ou nulo (3%) do que as mulheres (1%).

Nas faixas de idade, os jovens de 16 a 34 anos são os que somam maior índice de indecisos (4%) e também os que mais declaram voto branco ou nulo (5%). É justamente nessa faixa etária que o presidente Lula tem o seu pior desempenho em Pernambuco (51%). No grupo de adultos entre 35 e 59 anos, tanto os indecisos (1%) quanto os votos brancos e nulos (1%) são residuais. O mesmo se repete entre os 60+, com 2% de indecisos e 1% de brancos e nulos.

Por faixa de renda, temos 2% de indecisos na faixa de até R$ 3,2 mil mensais; 2% de indecisos na faixa de até R$ 8 mil mensais; e 6% de indecisos nos que recebem acima de R$ 8,1 mil. No entanto, em números absolutos, a amostragem tem seis vezes mais eleitores com renda de até R$ 3,2 mil do que eleitores acima de R$ 8,1 mil. Sendo assim, os 2% de indecisos na faixa de renda mais baixa correspondem, em números absolutos, ao dobro de eleitores dos 6% indecisos na faixa de renda mais alta. Os votos brancos e nulos seguem o mesmo padrão: 2% até dois salários mínimos; 1% nos entre dois e cinco salários; e 6% nos que recebem mais de cinco salários mínimos.

Por localização geográfica, tanto os eleitores indecisos quanto os votos brancos e nulos aparecem mais nas regiões do São Francisco (5% indecisos e 4% brancos e nulos), no Sertão (4% indecisos e 3% brancos e nulos), no Agreste (3% e 3%) e na Zona da Mata (3% indecisos e 2% brancos e nulos). Esse número é menor no Recife (1% e 1%) e nos demais municípios que compõem a Região Metropolitana (1% indecisos e 2% brancos e nulos). Desta forma, o perfil predominante dos votos indecisos, brancos e nulos seria o de jovens (até 34 anos), residentes no interior do estado e com renda mensal abaixo dos R$ 3,2 mil (dois salários mínimos mensais).

Fonte
Brasil de Fato
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