Uitgaven aan schulden in Brazilië zijn 45 keer hoger dan de benodigde waarde voor klimaatdoelen

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Door Rodrigo Chagas27/09/2026 às 14:1163 weergaven
Vista aérea mostra alagamento provocado pelo rio Taquari em Roca Sales (RS), em 22 de julho de 2026.
Vista aérea mostra alagamento provocado pelo rio Taquari em Roca Sales (RS), em 22 de julho de 2026.
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O Brasil tem US$ 437,6 bilhões (R$ 2,32 trilhões) previstos para o serviço da dívida em 2026, valor equivalente a 40,8% das receitas governamentais estimadas para o ano. O montante é 45 vezes maior que os US$ 9,6 bilhões (R$ 50,88 bilhões) apontados como necessários para financiar metas climáticas que devem ser bancadas pelo próprio país, segundo relatório Dívida agrava crise climática: Como o Financiamento Flui, da ActionAid.

O serviço da dívida reúne os recursos destinados a cumprir as obrigações do país com sua dívida. No levantamento, o cálculo considera tanto a dívida interna quanto a externa.

Já os US$ 9,6 bilhões não representam o que o Brasil efetivamente gasta com ações climáticas. O valor corresponde à necessidade de financiamento estimada pelo estudo para as Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs) incondicionais, parcela das metas climáticas que deve ser financiada com recursos do próprio país.

O Brasil aparece em uma tabela de países adicionais analisados pela ActionAid em parceria com a Development Finance International (DFI). Portanto, não integra o grupo dos 65 países mais vulneráveis à crise climática que constitui o principal universo analisado pelo relatório.

“Por tempo demais, as crises da dívida e do clima foram tratadas separadamente. Esta pesquisa revela como elas estão profundamente interligadas e quantifica o custo devastador envolvido”, afirma Arthur Larok, secretário-geral da ActionAid Internacional.

Dívida supera gastos com saúde e educação

O peso da dívida também aparece quando comparado às receitas governamentais. De acordo com o estudo, o serviço da dívida corresponde a 40,79% da receita de US$ 1,07 trilhão (R$ 5,67 trilhões) do Estado brasileiro em 2026. Os números são valores orçamentários para o ano, e não despesas efetivamente realizadas.

O levantamento também compara o serviço da dívida brasileiro aos recursos destinados a serviços públicos. Pelos cálculos apresentados, os US$ 437,6 bilhões equivalem a 3,05 vezes os gastos com educação e a 8,12 vezes os gastos com saúde.

Para chegar aos dados sobre dívida, receitas e gastos públicos, a DFI utilizou informações do Fundo Monetário Internacional (FMI) e documentos orçamentários dos governos. O relatório afirma que os valores foram selecionados para 2026 e, portanto, correspondem a previsões orçamentárias, não à execução final.

Os números brasileiros integram uma análise mais ampla da ActionAid sobre como o endividamento pode reduzir o espaço disponível nos orçamentos para políticas climáticas e serviços públicos. No conjunto dos países mais vulneráveis analisados pelo estudo, o serviço da dívida é quase 25 vezes superior aos gastos orçamentários com ações climáticas.

Em alguns países, o comprometimento das receitas é ainda maior. Angola, Congo, Moçambique, Níger e Senegal destinam mais de 80% de suas receitas ao serviço da dívida. Em Bangladesh, Burundi, Guiné-Bissau, Malawi, Paquistão e Serra Leoa, o valor previsto para 2026 chega a superar 100% das receitas nacionais. Segundo o relatório, isso ocorre porque esses países recorrem a novos empréstimos para pagar dívidas anteriores e evitar a inadimplência.

No Senegal, um dos casos detalhados pelo estudo, o serviço da dívida equivale a mais de 96% das receitas e supera em mais de 600 vezes o orçamento destinado a ações climáticas em 2026.

“A dívida representa um golpe triplo para o clima: impulsiona a expansão dos combustíveis fósseis e da agricultura industrial, bloqueia ações climáticas vitais e deixa as comunidades perigosamente expostas quando ocorrem desastres”, afirma Teresa Anderson, líder global de Justiça Climática da ActionAid Internacional e uma das autoras do relatório.

ActionAid defende mudanças no tratamento das dívidas

Entre as propostas apresentadas no relatório estão o cancelamento de dívidas consideradas injustas ou insustentáveis e a suspensão dos pagamentos de países atingidos por grandes desastres climáticos. A organização reivindica, também, que o financiamento climático seja concedido na forma de doações, em vez de empréstimos ou outros instrumentos que gerem novas dívidas.

A ActionAid defende, ainda, a criação de uma Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Dívida Soberana, com um mecanismo multilateral para resolução de dívidas, e mudanças nas avaliações de sustentabilidade do endividamento para que levem em consideração investimentos necessários em resposta climática, serviços públicos e direitos humanos.

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