Repercussão internacional de Lula não altera foco eleitoral voltado à economia e costumes

Por José Bernardes23/09/2026 às 00:010 visualizações
Brazil's President Luiz Inacio Lula da Silva speaks during the 81st United Nations General Assembly at the United Nations Headquarters in New York, on September 22, 2026. (Photo by TIMOTHY A. CLARY / AFP)
Brazil's President Luiz Inacio Lula da Silva speaks during the 81st United Nations General Assembly at the United Nations Headquarters in New York, on September 22, 2026. (Photo by TIMOTHY A. CLARY / AFP)
Brasil de Fato

As falas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na abertura da Assembleia Geral da ONU geraram repercussão internacional, contudo, têm pouca possibilidade de impactar as eleições de outubro. A análise é da cientista política Mayra Goulart, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que, ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, explica que temas internacionais tendem a ter pouco impacto na dinâmica eleitoral.

“Os temas que conseguem atingir a massa da população são aqueles de natureza econômica e, de uns tempos para cá, os de natureza moral, especialmente no que diz respeito à família. Outro tema que tem ganho uma influência progressiva é a segurança pública. Antes, a segurança pública afetava muito mais a eleição estadual. A temática internacional em si tem pouco impacto na eleição”, avalia.

Ainda assim, Goulart considerou importante a fala firme de Lula, a defesa da soberania e da democracia, especialmente porque ficou bastante evidente a diferença entre o presidente e a extrema direita representada pelo bolsonarismo no Brasil.

Lula chegou a declarar em determinada parte do discurso que o que estava em disputa no Brasil era “uma escolha entre a democracia e a barbárie”.

Segundo a especialista, “a extrema direita global se apresenta como uma ameaça civilizatória. A conformação que nos foi legada, desde a Revolução Francesa, a ideia de direitos humanos, de igualdade, de liberdade individual, tudo isso que a gente entende por civilização e que é organizado em um estado democrático de direito está sob ameaça quando estamos em face da extrema direita global”.

Com relação à pesquisa Quaest divulgada nesta segunda-feira (21), que mostra Lula em vantagem sobre Flávio Bolsonaro (PL) no primeiro turno e em empate técnico no segundo, Mayra Goulart avalia que, mesmo não tendo o efeito esperado, o imbróglio do Supremo Tribunal Federal (STF) ainda respinga no petista. “Esse nome ‘STF’ funciona como um apito de cachorro para a extrema direita. E isso não é só no Brasil. Isso acontece em outros locais onde há órgãos criados para conter os extremismos, e isso é um grande obstáculo para a extrema direita”, afirma.

Para ouvir e assistir

Durante o horário eleitoral, até 1º de outubro, o jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira das 12h25 às 14h, e a segunda, sem alteração, a partir das 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Fonte
Brasil de Fato
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