Cada dia uma nova emoção

Por Boletim Ponto25/09/2026 às 15:0049 visualizações
Daniel Vorcaro (à esquerda) e Flávio Bolsonaro (à direita)
Daniel Vorcaro (à esquerda) e Flávio Bolsonaro (à direita)
Brasil de Fato

Olá, Vorcaro não é marqueteiro, mas pode ser decisivo para a derrota de Flávio.

.Previsão do tempo. Faltando pouco mais de uma semana para o primeiro turno, as pesquisas apontam um empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro. O sonho de uma bala de prata de Lula está cada vez mais distante e poucos utópicos dentro do campo petista acreditam que a disputa será resolvida no primeiro turno. As torcidas, agora, comemoram a conquista de um ponto percentual de seu candidato sobre o adversário, mesmo que a diferença seja estatisticamente insignificante. E, se as pesquisas estiverem corretas, ao contrário do sonho dos social-democratas dos trópicos, a polarização não vai se dissolver e a terceira via não vai decolar. Pelo contrário, há uma tendência à antecipação do voto útil já no primeiro turno, o que tem favorecido Flávio Bolsonaro nesta reta final. Segundo a PoderData, o voo de galinha de Augusto Cury não deve ultrapassar os 6%, e as tentativas de Ronaldo Caiado, Romeu Zema e Renan Santos de serem o Plano B da extrema direita devem acabar em fracasso. O que não significa que os candidatos nanicos sejam insignificantes. Pelo contrário, são esses 15% ou 20% de votos previstos que devem fazer com que o pleito vá para o segundo turno. Assim, em um cenário polarizado, quem pode ser decisivo é o eleitor moderado, que ganha entre dois e cinco salários mínimos, tem ensino médio e vive principalmente no Sudeste. Outra constatação é que a crise do STF não alterou os números. Porém, ela colocou a corrupção no centro da campanha, o que pode contribuir para o aumento das taxas de abstenção, votos brancos e nulos, devido à onda de descrédito com a política e as instituições, avalia o cientista político Jairo Nicolau. Neste caso, é difícil prever quem sairia ganhando ou perdendo. Se, por um lado, Lula poderia favorecer-se de um maior comparecimento das mulheres às urnas, como tradicionalmente ocorre, por outro, o aumento da abstenção da população de baixa renda, que já costuma ser alto, daria vantagem a Flávio Bolsonaro. Mas tudo isso são previsões e só depois do dia 4 de outubro teremos algumas certezas.

.Apostando alto. Sem uma mudança significativa nas intenções de votos na última semana, Lula partiu para a ofensiva em todos os campos. Primeiro, como chefe de Estado, tradicionalmente abrindo a assembleia da ONU, o presidente provavelmente fez seu discurso menos internacionalista e mais doméstico. O que não significa que tenha poupado Donald Trump. Pelo contrário, o presidente brasileiro mandou às favas a química e jogou peso na soberania, com o mote de que o Brasil não cabe no quintal de ninguém, e que não aceitará ingerência nas eleições, nem nos minerais críticos. A preocupação de Lula não é retórica, como comprovam o relatório da Abin sobre a interferência dos EUA e as ações do PT no TSE e no STF sobre o financiamento estrangeiro na campanha de Bolsonaro. Já o Lula candidato se reencontra com outro flanco aberto, o alto empresariado, num concorrido jantar organizado pelos grupos Esfera e o Prerrogativas. Mais do que a sinalização de que está disposto a conversar, o que o empresariado espera, nos bastidores, é o compromisso de Lula com austeridade e há até quem sonhe com um anúncio de Luiz Carlos Trabuco Cappi, ex-presidente do Bradesco, como futuro Ministro da Fazenda. Mas a carta na manga de Lula mesmo é a proibição das bets. Ainda que dentro do próprio Planalto ou na campanha houvesse quem defendesse uma versão mais paliativa, a reação positiva nas redes sociais à proposta e a vergonha que os clubes de futebol passaram defendendo as casas de apostas entusiasmou Lula. Por fim, a última estratégia petista é garantir a presença nas urnas nos dois turnos, especialmente da população com mais de 60 anos, onde a popularidade de Lula leva vantagem, e que tem a seu favor o fato de que a presença eleitoral conta como prova de vida do INSS.

.Concorrência desleal. Depois de sociedades em resorts, viagens em jatinho e rodadas de whisky e charutos, as últimas novidades no caso Master são a suspeita de favorecimento que recai sobre o ministro do STF, Kássio Nunes, em julgamento de precatórios que seriam de interesse do banqueiro, e as declarações de amor entre Vorcaro e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Com isso, a moda lançada por Flávio Bolsonaro de dizer que nunca teve relação com Vorcaro, para logo em seguida ter que explicar uma foto ou uma mensagem suspeita, pegou de vez. Mas nada se compara ao enrosco em que o próprio Flávio está metido. Sim, o candidato do PL também voou no jatinho de Daniel Vorcaro. E, em 2024, esteve junto com seu pai, Jair Bolsonaro, em um jantar com o banqueiro. Mas isso não é o pior. A nova fase da Operação Carbono Oculto mirou no que viu e acertou no que não viu. Ao investigar um esquema de lavagem de dinheiro envolvendo uma distribuidora de combustíveis pelo país, a PF deu de cara com Antonio Carlos Freixo Junior, um dos patrocinadores do filme “Dark Horse”. E, em outra investigação, adivinha quem foi encontrado em uma foto ao lado do senador Weverton Rocha (PDT-MA) e do advogado Willer Tomaz fazendo um safári pela África do Sul? Sim, ele mesmo, Flávio Bolsonaro. O que não seria problema se os dois não fossem suspeitos de envolvimento no esquema de fraudes do INSS. E, se isso não bastasse, a PF descobriu que, em 2023, o então senador Flávio destinou uma emenda parlamentar no valor de R$ 200 mil para “Peixe”, um miliciano envolvido no assassinato de Marielle Franco. São tantos rolos envolvendo o nome de Flávio Bolsonaro que dá até para se perder. Assim, se o “corruptômetro” popular fosse coerente, Lula seria reeleito já no primeiro turno. Mas, por incrível que pareça, no reino do eleitor informado pelas redes sociais, em que os bots podem determinar os rumos da opinião pública, a esquerda é tão suspeita quanto a direita, como mostra a última rodada da AtlasIntel. Claro, a mídia convencional também dá sua contribuição para este cenário distorcido. Enquanto isso, Flávio Bolsonaro envia ao ministro André Mendonça uma ação contra Lula por envolvimento com Vorcaro, e o ministro Luiz Fux está preocupado com as visitas que Lulinha fez ao Senado. É por essas e outras que “In Fux we trust”. 

.Ponto Final: nossas recomendações.

.Ainda cheira a enxofre: 20 anos do discurso de Chávez na ONU. Na Revista Opera, Carlos Ron mostra a atualidade do líder venezuelano.

.Premiado, filme ‘NAZA’ com depoimentos de militares sobre táticas genocidas de Israel chega ao Brasil. Documentário reúne relatos de 24 militares sobre mortes intencionais de palestinos. No Brasil de Fato.

.‘Está tudo interligado’: como o domínio tecnológico do Norte Global promove o colonialismo digital. Especialistas analisam os impactos sistêmicos da IA. No Sputnik.

.Como as ideias atravessam fronteiras. Em A Terra é Redonda, Celso Pinto de Melo reflete sobre os dilemas políticos latino-americanos.

.Na crise atual, Kwame Nkrumah voltou a ser leitura obrigatória. Na Jacobina, Muryatan Barbosa mostra a atualidade do livro “Neocolonialismo: estágio superior do imperialismo”.

.Scarpa mostra que futebol é a maior plataforma cultural do Brasil. O UOL fala sobre o impacto do clube do livro fundado por Gustavo Scarpa.

*Ponto é escrito por Lauro Allan Almeida Duvoisin e Miguel Enrique Stédile.

**Este é um artigo de opinião. A visão do autor não necessariamente expressa a linha editorial do jornal Brasil de Fato.

Fonte
Brasil de Fato
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