O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) requisitou a instauração de um inquérito policial militar para investigar o uso da estrutura do Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF) pelo movimento Legendários. A apuração envolve a realização do evento “FIRE Experience 004”, promovido entre 25 e 27 de setembro no Centro de Treinamento Operacional (CTO) da corporação.
O pedido foi encaminhado à Corregedoria do CBMDF pela 3ª Promotoria de Justiça Militar e busca esclarecer em quais condições o espaço foi cedido, como ocorreu a mobilização de militares e se houve utilização de recursos públicos na atividade privada.
Segundo documentos analisados pelo Ministério Público, o plano de operação previa a participação de 18 militares e 18 cotas de Gratificação de Serviço Voluntário (GSV). A gratificação é destinada ao pagamento de militares que atuam voluntariamente em serviço fora da escala ordinária.
O MPDFT solicitou documentos e informações para verificar se o uso das instalações e dos recursos públicos respeitou as normas aplicáveis à administração pública.
Evento privado
Os participantes do “FIRE Experience 004” pagaram R$ 1.988 pela inscrição, que incluía a experiência de três dias no local. O evento, no entanto, foi realizado no CTO, estrutura utilizada pela corporação para atividades de capacitação.
A estrutura montada para o encontro incluía cerca de 80 barracas para acomodação dos participantes, tendas, oito banheiros químicos e um espaço destinado à comercialização de produtos com a marca Legendários.
O movimento Legendários ficou conhecido por promover expedições e “retiros espirituais” de custo elevado. As atividades são voltadas exclusivamente para homens, com a promessa de “resgatar a masculinidade”. A edição no DF foi apresentada como uma experiência de capacitação para atuação em situações de emergência e defesa civil.
MPDFT quer esclarecer uso de recursos públicos
O MPDFT requisitou informações sobre a autorização para uso do CTO, as escalas dos militares e os pagamentos de GSV. Também solicitou esclarecimentos sobre a eventual utilização de viaturas, equipamentos e outros recursos da corporação.
A Promotoria pediu ainda a preservação de imagens das câmeras de segurança e dos registros de entrada e saída do local. Os documentos devem ajudar a esclarecer as condições em que o espaço foi utilizado e a participação de integrantes da corporação na realização do encontro.
A apuração deverá verificar se a destinação das instalações e dos recursos públicos ocorreu de acordo com as normas aplicáveis e se houve eventual responsabilidade de agentes envolvidos.
O Brasil de Fato DF procurou o Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF) para solicitar esclarecimentos sobre a autorização para uso do espaço e a mobilização de militares e recursos da corporação. Até o fechamento desta matéria, não houve resposta. O espaço segue aberto para eventuais manifestações.
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